Marco Gomes

Humilde por parte de pai, exibido por parte de mãe e vice-versa, o que gera uma tremenda confusão comportamental. Gera nada, gera sim.

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Afinal, o que eu devia fazer da vida?

boo-box

A experiência desagradável na UnB

Quando tinha 19 anos, dois anos após entrar no curso de Computacão da UnB, fiquei em dúvida sobre o que eu realmente queria fazer da vida.

A verdade é que eu odiava dois terços do que era obrigado a estudar na UnB, e olha que eu mal havia começado. Programação em C, Lógica Proposicional Clássica, Cálculo! Aquilo não era pra mim, definitivamente.

Eu estava a um ano trabalhando em uma agência de publicidade, maravilhado com a criação de campanhas de marketing pra Internet, posicionamento de marcas, impacto na percepção dos clientes, usabilidade de grandes portais de comunicação. Na UnB eu era obrigado a ignorar tudo que aprendia durante o dia e provar, nas aulas de Lógica, que “se fi é verdadeiro e não-psi é verdadeiro, então fi implica não-psi é verdadeiro” (ou qualquer coisa assim, não importa pra mim).

Essa insatisfação gerou longas conversas com o Guga, um redator publicitário[bb] da agência, sobre a época em que ele próprio teve essa mesma dúvida. Eu não me conformava em ter desgostado do curso justamente após ter conseguido entrar, quem já tentou entrar em qualquer federal sabe o quanto é difícil, eu não podia ser tão inconsequente e largar uma chance que todos os meus amigos queriam ter… Como sempre, fiz o que o todo mundo julgou ser a coisa mais estúpida que podia ser feita: larguei (até quis pagar meu amigo Judeu pra ele explodir o minhocão inteiro, mas faltou verba pro C4).

Durante toda minha vida eu gostei de tecnologia, cresci sonhando e trabalhar com computadores, como meus tios que eu tanto admiro. Numa madrugada qualquer de 1997, aos 11 anos, conheci a linguagem HTML, a primeira maneira de construção de interfaces que aprendi, decidi que era aquilo que eu queria fazer pra sempre: Programar (eu achava que HTML é programar, não ria muito).

Quando entrei na UnB encontrei acadêmicos 20 anos atrasados, no mercado descobri o mundo da comunicação e percebi que codificar não era exatamente o que me excitava, o que me deixava maluco era construir interfaces que conversassem com outras pessoas e fizessem pensar “nossa, como é legal usar isso!”.

Resultado, dois anos na UnB, muitas noites perdidas, alguns problemas de saúde, algumas boas oportunidades profissionais por conta da sigla “UnB” no currículo, alguns ótimos amigos, uma mudança repentina de rumo profissional e várias lições aprendidas, principalmente a de como mostrar pro meu filho (quando eu tiver um) como decidir a carreira antes de entrar na bendita universidade.

Colleges differ, but they’re nothing like the stamp of destiny so many imagine them to be. People aren’t what some admissions officer decides about them at seventeen. They’re what they make themselves.

Universidades são diferentes, mas não são a etiqueta de destino que muitos imaginam que é. Pessoas não são o que algumas bancas de exame decidem sobre elas aos 17 anos de idade. Pessoas são o que fazem de si próprias.

Paul Graham: News from the Front

Leia um post meu que ilustra essa época sofrida em que tentei conciliar UnB e trabalho.

Como evitar o meu problema?

Ikwa - logo

Pra evitar que jovens tenham decepções com seu curso superior, está nascendo, pertinho do boo-box, o Ikwa, um sistema de aconselhamento profissional que estou vendo nascer. O objetivo inicial é intervir na escolha de carreira dos alunos de ensino médio, fazendo o papel do psicólogo com menos custo para a escola e mais eficiência para o estudante.

O time é campeão: Marco Noleto, um ótimo designer. No Ruby on Rails tem um punhado de japoneses gênios, um ocidental todo tatuado e um cabeludo que fala bem baixinho. Uma galera responsável pelos videos e vários redatores, inclusive uma super-gatinha e um mano do hip-hop. Todos liderados por um cara sangue-bom da geração saúde.

O serviço promete, cadastrem-se e aguardem =)

OBS: Este post não foi patrocinado ¬¬


Confira também os textos abaixo

19 comentários sobre “Afinal, o que eu devia fazer da vida?”

  1. FMatt diz:

    Eu acho que muito mais que a metade dos jovens que entram em uma faculdade logo após o ensino médio, ou mesmo depois de 1 ano de cursinho, não fazem a MENOR idéia do que querem.

    Essa é a realidade, eu fui mais um.

    Por sorte, e mesmo depois de 3 anos de faculdade, mudei de rumo.

    Agora vai !!! :P

  2. Mario diz:

    Disclosure: a Ikwa e o Boo-box têm o mesmo investidor… não é?

  3. MarcoGomes diz:

    @mario: Sim =)

    http://www.monashees.com.br/Portfolio.html

  4. Rafael Slonik diz:

    Show de bola! Adorei a idéia.

  5. Licio diz:

    Pow, achei que esse tipo de dúvida era exclusividade minha =)

  6. Lião diz:

    simplismente a minha cara esse post! neste exato momento tô numa puta vontadade de mandar às favas esse curso de engenharia que tô fazendo, e olha que tô no primeiro ano…todo mundo me chama de louca mais fazer o que? aquelas aulas de cálculo…NINGUÉM MERECE; as derivadas no quadro e a minha cabeça´e outro mundo…o pior é que eu nem sei o que quero, se pudesse ía pra um retiro budista no tibet em busca do auto-conhecimento… só sei que nesse curso NÂO DÁ, eu me enrolei toda naõ tô estudando, no fim me acho uma droga pela minha completa incosequência e irresponsabilidade e entro na maior deprê…QUE DROGA!!!!!!!!!!!

  7. Fabio Bracht diz:

    Putz, tem um frase no “about” do Ikwa que é praticamente um mantra pra mim: “Sair de casa para trabalhar com prazer deve ser um princípio, não um privilégio.”

    Eu sempre vivi em função disso. Tanto é que hoje em dia eu ganho pouco, mas faço que gosto. O dinheiro e o sucesso só vêm com a felicidade de se fazer o que se gosta. Se não for assim, não tem graça.

    Já me cadastrei no Ikwa. Ansioso pra ver o que esses caras aprontaram. Promete muito! =)

  8. Bernardo diz:

    Me sinto exatamento assim, só que ao contrário num ponto. Tenho a impressão de que tudo que faço acadêmicamente e no emprego não refletem o que adoro ler, fazer, estudar, participar, trabalhar, que é com internet, com comunicação entre as pessoas na internet, com a fascinante idéia de encurtar distâncias e facilitar tarefas diárias.

    Eu também penso em largar algo para fazer o que gosto. Mas o que largaria não seria a faculdade (Criação e gestão de ambientes de internet) e sim o emprego (programador/desenvolvedor de sistemas da área de engenharia da petrobras). Eu não me sinto parte desse trabalho nem forçando.

    Vamos ver no que vai dar essa história.

    Parabéns pelo post (principalmente pelo fato de não ser patrocinado)! Abraços!

  9. Guilherme Nascimento Valadares diz:

    Idéia *mto* interessante. Só corrigir o link do ikwa, que está quebrado.

    Abração,

    Guilherme

  10. Mauricio Schonenberger diz:

    Marco;
    Um enorme prazer saber que você, como nós, acredita que a escolha profissional é extremamente importante e que aqueles que tomam esta decisão com consciência tem uma chance muito maior de se tornarem profissionais produtivos e felizes!
    Vi os comentários do pessoal; Lião, sou engenheiro também, formado há 6 anos, mas nunca trabalhei como engenheiro… Fabio; concordo contigo, a frase do about deveria ser um mantra para todos….
    Em breve vamos liberar o acesso para aqueles que pediram um convite no site… Espero que vocês gostem de participar do Ikwa e explorar seus futuros!

  11. Márcia diz:

    Acho que essa grande dúvida uma hora ou outra surge na vida, a diferença é que alguns descobrem que é aquilo que querem mesmo e continuam, outros continuam mesmo não sendo exatameeeente aquilo (como foi meu caso) e outros param por ali mesmo (como foi seu caso, pelo visto).

    A minha primeira faculdade (Sistemas de Informação) me ajudou muito, mas não me deixava plenamente satisfeita. De qualquer forma cheguei até o final do curso, me formei (sozinha na turma) e hoje estou fazendo minha segunda faculdade, Design de Interfaces. E, apesar de todos os problemas, hoje estou me sentindo mais feliz por fazer um curso que me agrada e por poder complementar os meus conhecimentos da primeira faculdade, juntamente com a experiência profissional que tive nas diversas áreas que passei, principalmente a atual, arquitetura de informação =D

    Ah, me inscrevi no Ikwa e tô esperando o convite. Fiquei curiosa :o)

    Beijo!

  12. descolando! » Blog Archive » Explore o seu Futuro diz:

    [...] Porém, uma coisa é certa: se você escolheu o curso errado, pode esquecer, não vai ter professor que resolva seus problemas. O que você quer fazer da vida? Isso é você quem tem que decidir e mais ninguém, mas recentemente foi lançado um site que promete ajudar os jovens a descobrirem seu caminho, é o Ikwa. Escolher a profissão certa é essencial, mas lembrando que sempre é tempo de mudar, como fez nosso amigo do Boo-Box, Marco Gomes. [...]

  13. Charles Maciel diz:

    Por mais que se saiba qual curso fazer sempre ter alguma coisa para te decepcionar, o meu caso foram os “acadêmicos 20 anos atrasados”. Mas de resto as dúvidas servem para melhorar a vida.

  14. Bruno A.K.A. Psysapiens³ diz:

    Todos os adolescentes passam por isto…
    Eu também comecei a fuçar computadores desde muleke.. lembro que meu primeiro contato foi com um a teclado que tinha encaixe para um cartucho e uma saída RCA, e o único cartucho que tinha era o PacMan. Não me pergunte o nome do aparelho, mas o gráfico era de Atari.
    Alguns anos após apareceu um 386DX2 (e um Monitor de fósforo verde. Brincadeirinha…kkk)
    Era show!!! Totalmente emocionante, jogar Prince of Pérsia. Meu pai era xarope pacas com este PC, e alem do mais o sistema operacional (DOS – se e que posso chamar de sistema operacional) não me agradava muito. E vivia travando o jogo, e quando reiniciava não conseguia colocar no jogo (entende por que meu pai xaropava!!!)

    Logo após me apaixonei pela linguagem de programação HTML( kkkkkkkkkkkkkkkkk). Mais ai veio o Skate, as drogas, as mulheres, e toda a curiosidade pelo cibermundo foram por Terra.
    Resumindo, hoje estou no 8º semestre de ADM. com Gestão em Sistemas de Informação e não sei por que estou neste curso.
    Como diria Shaw: “O mundinho estranho…”

  15. Alex Pires diz:

    É por essas e outras que eu só ganhei fólego para concluir meu curso depois que eu troquei de faculdade (Devido ao corpo docente pífio da faculdade anterior) e voltei a ser o pesquisador ávido que era antes de entrar no curso de Computação e ser infectado com essa cambada de encheção de currículo pra inglês ver.

    No final das contas o mundo de faz de conta que eles ensinam na faculdade/universidade só contempla mais o que eu ando vendo no mercado, especialmente no de “desenvolvimento de aplicações corporativas” (Que deveria se chamar retrocedimento de bugs burocráticos na minha opinião). Nem preciso perguntar qual foi o ultimo livro que esse pessoal leu porque provavelmente deve ter sido na época da faculdade hahaha.

    Enfim…pelo menos vou ver se dou uma ajuda a minha maneira. Vou ministrar uma palestra onde formei mostrando tudo aquilo que eu não aprendi na faculdade mas que são totalmente relacionadas com a área em termos de linguagens, metodologias, paradigmas e até usabilidade (Pasme). Vamos ver se eu consigo conquistar algumas mentes que tem este mesmo espírito de indignação que nos infectou.

    E só ontem (Treinei no Gama :D) que eu fiquei sabendo que você importou o Wenderly para Sampa. Espero que a parceria seja totalmente excelente!

    Grande abraço irmão!

  16. Karlisson diz:

    No meu caso eu queria fazer mesmo o curso de computação, mas lá eu não vejo nada do que me interesso: WEB, Interfaces e Gŕaficos. O desinteresse é crônico. A forma de passar o conhecimento é antiquada e desestimulante. Pena. Eu quero terminar esse curso, mas está difícil.

  17. Marcelo Linhares diz:

    Galera não tá exagerando demais com este papinho de web2 e startups não??

  18. Fábio Silva diz:

    Ciência da Computação realmente é “sux”.
    E o pior é que, aqui no Norte, tanto o ambiente acadêmico quanto o profissional são atrasados. Aqui, parece que ficamos presos em um mundo alternativo dentro da Bolha (:S), onde os acadêmicos acreditam piamente no Java e o mercado não sabe o que é JQuery. u.u

  19. Giovanni Ferreira diz:

    A universidade brasileira é um dinossauro pousado num aeroporto. O mundo mudou, mas a universidade, que se diz a vanguarda do conhecimento e inovação, ficou para trás. A grande maioria dos doutores das universidades públicas brasileiras não passam de incompetentes que se escondem atrás do títutlo, que foi tirado baseado em teses sem nenhuma contribuição à ciência, mas com a proteção de bancas corporativistas. Poucos são realmente doutores no Brasil.

    O que o Marco está fazendo na Web já é suficiente para rir da UNB que não acolhe talentos como ele. Todos devem ficar trancados na “grade curricular”, domesticados e homogeinizados. Talentos devem ser esmagados.

    Mas Marco, você escapou das grades e saiu voando. Não será só um consultor Java.

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