Marco Gomes

Geek, imigrante, nerd, cristão, biker. Founder da boo-box (vendida) e do Heartbit. Consigliere do JovemNerd

Remember, remember, the 5th of november

Publicado em 2007-11-05

5 de novembro, dia em que o parlamento inglês deveria ter sido explodido, mudando o mundo pra sempre e imprimindo a data em nossos calendários. Não deu certo. Ainda.

“Remember, remember, the 5th of November
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot.”

Lembrai, lembrai do cinco de novembro
A pólvora, a traição, o ardil
Não sei de uma razão para que a traição da pólvora
Seja algum dia esquecida.

Guy Fawkes Guy Fawkes, integrante da “Conspiração da Pólvora“, deveria levar 36 barris de pólvora pros subsolos do parlamento inglês, explodindo o edifício durante uma sessão na qual estariam todos os parlamentares e o rei Jaime I da Inglaterra, acabando assim com o governo protestante que reprimia os católicos. O trono assim seria de Elizabeth, filha do rei Jaime I, seria usada como fantoche dos católicos, num governo que, assim prometiam, seria mais tolerante. Guy Fawkes foi encontrado nos subsolos do parlamento com sua pólvora, torturado, entregou os outros rebeldes, depois foi condenado à forca.

Idéias são à prova de balas, V

A história (mal) resumida acima é tema de introdução de V de Vingança[bb], história em quadrinhos escrita por Allan Moore, e adaptada para o cinema pelos irmãos Wachowski (da trilogia Matrix). Allan Moore achou que o filme ficou tão diferente dos quadrinhos que pediu pro seu nome nem aparecer nos créditos.

Portman Evey é uma pacata jovem que, assim como a maior parte da população, não engole a comunicação enlatada imposta pelo governo, mas não faz nada de concreto pra mudar a situação. Em certa ocasião ela é salva por um misterioso terrorista mascarado conhecido como V, extremamente habilidoso no combate corporal e destruição. Num de seus ataques, ele toma o controle dos sistemas de transmissão de TV durante alguns minutos e convoca o povo para lutar com ele contra o governo tirano inglês (veja o discurso no YouTube). Enquanto tenta descobrir mais sobre V, Evey descobre seu próprio papel na revolução que pode trazer liberdade e justiça para o país.

VEu não conheço os quadrinhos originais e não gosto da trilogia Matrix, mas dou meu braço a torcer, V for Vendetta[bb] é um dos melhores filmes que eu já assisti, e eu sou bem chato com filmes (por isso não gosto de Matrix). Fiquei fascinado com a mensagem que o filme passa: as idéias são imortais e importam mais que as pessoas. Outro ponto importante é a necessidade que o povo tem de um “detonador”, se observarmos, todas as grandes revoluções populares da história tiveram um estopim, que finalmente acorda a população e leva todos às ruas, para lutar com ou sem armas.

V for Vendetta Movie Poster

V: A população não deveria temer seus governos. Governos deveriam temer sua população.

Evey: E você vai fazer isso acontecer explodindo um prédio?

V: O prédio é um símbolo, assim como o ato de destruí-lo. Simbolos são dados por pessoas. Sozinho, um símbolo não tem significado, mas com pessoas suficientes, explodir um prédio pode mudar o mundo.

Nós precisamos parar de reclamar da corrupção diariamente denunciada nos jornais (também enlatados), levantar e agir. Será que precisamos de um terrorista revolucionário que destrua um símbolo pra finalmente levantarmos e sairmos pra guerra?

Baixe uma versão paralela, compre os quadrinhos e/ou o DVD[bb], e lembre-se do cinco de novembro. Liberdade! Pra sempre!

Retidão, justiça e liberdade são mais que palavras, são perspectivas. V.

Textos relacionados:

Deixe sua opinião

9 comentários

  1. Walmar Andrade comentou:

    Eu nunca entendi o que o More achou de tão ruim no filme. Talvez ele não tenha entendido que adaptação não é transposição. O cinema é outra mídia e possui suas próprias peculiaridades. O tempo do filme é uma delas.

    Vendetta é uma história genial. Daquelas que você chega ao fim com vontade de explodir um empresarial qualquer. Sensação semelhante a que você tem quando termina de assistir ao Clube da Luta.

    • Bob Nerd comentou:

      Uma das coisas que o Moore entende bem é de adaptação, tanto que ele diz que não será possível adaptar fielmente uma dele obra para o cinema porque os recursos que utiliza nos quadrinhos são únicos para essa mídia.

      Ele fica indignado também por não poder controlar suas criações, além do cinema distorcer grande parte do que o autor coloca de pessoal na obra. V de Vingança por exemplo, transformaram num conflito entre ditadura e democracia, quando no original é ditadura e anarquia.

      Nesse caso tem muito do que o Moore acredita com relação a política, o cara é anarquista, e com essa mudança a obra perde o sentido de existir.

      Além do autor sempre recusar receber pelas obras adaptadas por não concordar com esse tipo de coisa.

  2. Lari Herbst comentou:

    E eu vi isso no Twitter q vc mandou, mas não entendi nada rs, não vi o filme aiiiinda… mas quero ver. (PS.: To com blog agora tb! =P)

  3. Moore não gostou da adaptação e nunca vai gostar de nenhuma, porque são meios diferentes, formas de expressão diferentes, mesmo com o nítido esforço dos Irmãos Mitzelplik para manterem a essencia do personagem, e conseguiram, fizeram um belíssimo filme.

    Valeu a indicação Marco, muito bom! :)

    (Moore tem até uma certa razão porque nos quadrinhos realmente o cenário é bem mais denso, desde o sofrimento de V até a pressão imposta a sociedade pelo governo, mas nada que minimize o efeito do filme.)

    • Bob Nerd comentou:

      Cara, não é uma boa adaptação. Alan Moore é um anarquista, a obra V de Vingança é um ode a isso. Ele faz uma crítica aos modelos políticos atuais, sejam regimes democráticos ou ditatoriais.

      O conflito político do quadrinho é entre ditadura e anarquia, quando se muda o contexto político, como no cinema, a obra perde o sentido. No cinema virou um conflito entre ditadura e democracia.

  4. Bruno Accioly comentou:

    Oi, Marco!
    Esse post mereceu!
    Assinei o blog e ainda coloquei um link lá no Sarcasmos Múltiplos!

    Keep up the Fantastic Work!!! =)

    Abração

  5. Allan comentou:

    Sobre adaptações de filmes, muitos autores nem assistem para não terem sentimentos semelhantes ao de Moore. Ernest Hemingway dizia que dirigia até a fronteira de Hollywood só pra pegar a grana e depois nem olhava para trás.
    Filmes para fazer dinheiro são por natureza superficiais, para um público de massa e sem exigência de muitas sinapses cerebrais, é chato ver gente como o Moore sempre reclamando das adaptações mas não da conta bancária. No entanto, realmente o filme é bem fraco perante os quadrinhos, sem desmerecer o entretenimento promovido por ele.

    • Bob Nerd comentou:

      Alan Moore SEMPRE recusou receber pelas suas obras adaptadas para o cinema. Ele nunca concordou com as adaptações e sempre se indignou por não poder controlar suas criações.

      Para você ter a noção de como é o cara: ele recusou ter seu nome publicado nas reedições de Miracleman (que sairá pela Marvel no ano que vem depois de uma grande briga jurídica) por não concordar com o que a editora fez para o personagem. As edições escritas por Moore serão creditadas ao “Autor Original”, mas ele não permitiu que seu nome fosse associado a revista.

  6. Dirceu comentou:

    Muito legal o post!

    Mais fácil e benéfico para o lugar e para você é você fazer parte no Governo.
    Além de votar poder ser votado…

    Abraço,