Marco Gomes

Geek, imigrante, nerd, cristão, biker. Founder da boo-box (vendida) e do Heartbit. Consigliere do JovemNerd

3 maneiras práticas que o Bitcoin poderá melhorar sua vida

Publicado em 2014-02-06

Bitcoin em transferências internacionais

O Bitcoin e as criptomoedas são uma solução genial e super elegante para um problema computacional clássico. Mas como esta nova tecnologia poderá ser usada na prática em nosso dia-a-dia?

Todos os casos abaixo são hipóteses, precisamos de tempo, maior adoção das criptomoedas e desenvolvimento de software antes de poder, efetivamente, aplicar estas soluções em nosso dia-a-dia.

1. Como não pagar IOF em viagens internacionais

Recentemente o governo brasileiro estabeleceu IOF de 6,38% para qualquer operação em moeda estrangeira, seja cartão pré-pago, débito, ou crédito. Um turista em viagem poderia usar BTC para não pagar IOF. Com Bitcoin, fazer um pagamento para alguém a 30 mil km de distância ou para seu vizinho não tem diferença, é o mesmo processo, usa a mesma tecnologia e os mesmos recursos.

Mas como usar uma criptomoeda para pagar um jantar?

Pergunta: Criptomoeda muda de preço o tempo todo, feito uma bolsa de valores. Como lidar com a flutuação constante do valor?
Resposta: Evitando a flutuação ao fazer conversões instantâneas.

Imaginemos um turista brasileiro em Londres, este turista pega seu smartphone e usa Reais de sua conta bancária em banco brasileiro para comprar criptomoeda na cotação de agora, imediatamente transfere estas criptomoedas para o restaurante em Londres, que imediatamente pode convertê-las em Libras. Tudo isso em tempo real, através da Internet, sem tempos de espera que poderiam interferir na cotação da moeda. Eu sei que o Bitcoin depende de processamento de blocos, por isso estou usando o conceito genérico de criptomoeda e não necessariamente o BTC.

No exemplo dado, a criptomoeda foi usada como um protocolo de transação financeira, não como uma moeda. O turista, na prática, usou reais que estavam em sua conta corrente no Brasil, o restaurante, na prática, recebeu em Libras na sua conta bancária no Reino Unido. O valor foi transferido pela Internet na forma de bitcoins, mas convertido na ponta assim que recebido. O cliente evitou pagar a taxa de 6,38% por fazer operação em moeda estrangeira e, com isso, pode consumir mais produtos no restaurante, talvez uma sobremesa ou bebida extra. Bom para o turista e bom para o restaurante.

2. Enviar dinheiro entre países pagando taxas zero ou quase-zero

Todo ano imigrantes do mundo todo enviam US$400 bilhões de dólares para suas famílias em seus países de origem. Atualmente bancos e outras empresas do mercado financeiro cobram taxas de até 10% (às vezes mais) para transferir este valor entre países.

Com o Bitcoin, imigrantes podem enviar dinheiro de volta para seus países por taxas zero ou quase-zero, com isso o dinheiro do imigrante vai “valer” mais e sua vida será melhorada de maneira significativa, justamente nos países e populações mais pobres e exploradas do mundo.

3. Micropagamentos, frações de centavo

Micropagamentos em Real ou Dólar são pouco práticos, as taxas cobradas por cartões de crédito e gateways de pagamento torna impraticável a cobrança de valores inferiores a R$1, além do processo de pagamento ser complexo para o usuário. É possível fazer micropagamentos em Real ou Dólar? Sim é possível, mas não faz sentido.

As transações em Bitcoins pondem ser feitas com qualquer fração da moeda, portanto, você pode transferir 0,000001 BTC para alguém com o mesmo processo de transferir 100 BTC, e as taxas, mais uma vez, são zero ou quase-zero. Além disso, o Bitcoin é infinitamente divisível, hoje há 8 casas decimais por conta da implementação do software, mas isso vai mudar no futuro e teremos ainda mais casas decimais.

Pagamento de conteúdo

Você não precisa pagar a assinatura completa para ler apenas 1 matéria ou ver apenas 1 vídeo.

Atualmente os produtores de conteúdo cobram assinaturas mensais, onde você paga uma taxa por mês para ter acesso a todo o conteúdo do site/revista/TV etc. Perceba como este modelo é velho, tão velho que foi um dos principais motivos da decadência da indústria de produção de discos: Com serviços de compra de músicas avulsas, como a iTunes Store, não faz sentido comprar um disco com 12 faixas se você só quer escutar 3 ou 4. É exatamente o mesmo problema de pagar dezenas de reais para ter acesso a todo o conteúdo de um site ou revista em tablet, sendo que você quer ler apenas uma seção ou matéria.

Para ler um artigo ou ver um vídeo que te interessa, com 1 clique no navegador você poderá liberar um micropagamento de frações de BTC, tendo acesso ao conteúdo.

Para o leitor o valor é praticamente irrisório, equivalente a frações de 1 centavo de Real, mas os micropagamentos feitos por milhares de leitores podem ajudar a financiar a produção de conteúdo na web, sendo mais uma linha de receita para os produtores de conteúdo.

Em desenvolvimento

Homem no topo de uma escada vertical, pintando uma lâmpada, o símbolo de "idéia".

O Bitcoin e as criptomoedas são uma solução genial e super elegante para um problema computacional clássico. Como todo ecossistema em nascimento e formação, ele tem gerado discursos apaixonados de ambos os lados. Os céticos afirmam que os governos não vão permitir que uma moeda paralela e sem controle central se desenvolva. Os defensores alegam que é um caminho já sem volta, como acontece com a Internet. Segundo os defensores, os estados não teriam poder para impedir o crescimento mundial das criptomoedas, apenas seu crescimento local, como acontece com países que não permitem que seus cidadãos tenham acesso à internet, mas cuja proibição não impediu a Internet de se desenvolver em outros locais.

Se as criptomoedas realmente ganharem adoção e massa crítica suficiente para criar um mercado sustentável, surgirão empreendedores resolvendo os problemas clássicos que ainda estão sem solução, como serviços de pagamento, plugins de navegador, aplicativos para smartphones, serviços financeiros e muito mais. É melhor ficar ligado e se preparar para agir rápido.

Os cases acima foram inspirados por “Why Bitcoin Matters” do investidor Marc Anderseen, que investiu US$ 50 milhões em startups focadas em Bitcoin.

Imagens via Shutterstock.

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Responda o comentário de Thiago Sabaia

12 comentários

  1. Thiago Sabaia comentou:

    A alguns meses comecei a estudar o bitcoin melhor, e agora passei a aceitar pagamento na minha empresa via bitcoin para fazer uns testes.

  2. Tom comentou:

    Veja só essa criação dos canadenses da Coinkite (https://coinkite.com/). Eles criaram um sistema inteiro de pagamento com Bitcoin e Litecoin, usando terminais de venda e até mesmo cartões de débito. Tão simples quanto uma maquininha da cielo ou redecard ;)

  3. Felipe Lambert comentou:

    Eu empreendendo também estou aceitando pagamento em bitcoin

  4. Com esses roubos de bitcoins acho difícil uma evolução rápida, Bancos cobram taxas mas te dão segurança. As vezes se gasta bem mais tentando economizar.

  5. Tiago comentou:

    Não acredito que governantes irão deixar tais moedas entrarem na economia sem qualquer regulamentação. Realizando transações internacionais sem pagar nenhum tipo de imposto, isso tanto pode desfavorecer como favorecer uma economia, pois sua moeda ficaria em constante troca, e a pior parte, sem nenhum controle estatístico onde esse dinheiro seria empregado. Talvez estamos vendo um início de uma revolução, teria que mudar muita coisa antes que ela seja “justa” para o mercado internacional. Essa é minha humilde opinião, me corrijam se eu estiver falando alguma bobagem sou novo no assunto. E sim, eu sou a favor das criptomoedas.

    Abraços,

  6. Anônimo comentou:

    Meu caso ilustra bem o primeiro ponto. Decidi trocar o celular. O Iphone 5s está custando no Brasil R$2799. Como eu estava indo para a gringolandia, e lá ele custa “só” U$649 e não precisa pagar imposto para entrar no Brasil por ser item pessoal, decidi comprar lá.

    O meu cartão de crédito (itaucard, visa) cobra um dolar surreal e não transparente (você só sabe quando chega a fatura.. nos ultimos dois meses foi R$2,49). Além dela, pago mais 6,38% de IOF. Nessas condições o celular sairia por R$1856 (incluindo taxes de ny). Quase mil reais mais barato que no brasil.

    Decidi ir “via bitcoin”. Dei sorte que havia uma diferença favorável da cotação em R$ e a cotação em USD. O valor de 1 BTC estava 640 USD e no Brasil estava sendo negociado por R$1500. Comprei 1,112 BTC por R$1666 (R$1700 com taxas) e fiz a compra. Economizei R$1100 reais em relação ao preço do Brasil e aproximadamente R$150 em relação a compra por cartão de crédito (e ainda tive a vantagem de saber o valor final da compra assim que a transação foi concluída).

    Minha dúvida é: isso que fiz, é legal não é?

  7. Eduardo comentou:

    Eu estou com um projeto (ainda na fase da idéia) cuja monetização pretendo fazer utilizando bitcoins.

  8. Guto Schiavon comentou:

    Aproveitando o artigo do Marco Gomes, gostaria de apresentar uma startup brasileira que é a pioneira no serviço de pagamento de boleto bancário e de recarga de celular por Bitcoin.

    Pague com Bitcoin :: http://www.paguecombitcoin.com

    Acesse nosso site e saiba mais sobre nosso serviço.

    Será um prazer tê-lo como cliente :)

  9. alci comentou:

    ola boa Tarde
    Gostaria de uma informação de como criar uma plataforma

    Obrigado