Marco Gomes

Interneteiro, imigrante, nerd, cristão, biker. Founder da boo-box (vendida) e do Heartbit. Consigliere do JovemNerd

“Temos as mesmas capacidades, mas não as mesmas oportunidades”

Publicado em 2014-10-03

Há quem defenda que a meritocracia já existe em nossa sociedade, mas eu discordo, considero que ela não existe pois não saímos todos das mesmas linhas de partida. O menino rico branco que estuda no colégio particular Dante Alighieri na região nobre de São Paulo tem muito mais oportunidades e acesso ao sucesso que uma menina pobre e negra que estudou na escola pública Theo Dutra na Brasilândia.

Alunos da escola particular Dante Alighieri estão em encontro com Fernando Henrique Cardoso, todos na foto têm pele clara e cabelos lisos; alunos da escola pública Morro Grande estão reunidos e há grande variedade de tons de pele entre os alunos

Compare a diversidade de cores de pele nas turmas da escola particular Dante Alighieri e da escola pública Morro Grande, ambas em São Paulo, SP.

Temos as mesmas capacidades, mas não as mesmas oportunidades“, esta frase que a candidata Marina Silva disse em visita a Paraisópolis, comunidade pobre encravada no meio de um bairro rico de São Paulo, exemplifica bem esta minha opinião sobre a não existência da meritocracia em nossa sociedade.

A meritocracia é um ideal a ser perseguido, e em minha opinião um dos objetivos do Estado deve ser prover a todos os cidadãos igualdade de oportunidades e facilidade de acesso. Não que eu considere possível cumprir esta “igualdade de oportunidades” literalmente (não acredito que seja), mas, de novo, é um ideal a ser perseguido.

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8 comentários

  1. Willian Erthal comentou:

    Fico bem preocupado com os “casos de sucesso” que a mídia ama mistificar. O gari que se formou; o catador que virou médico; o negro que chegou ao STF.
    O recado é o seguinte: se eles conseguiram é porque é possível; logo, quem não consegue é porque não se esforçou o suficiente. O topo da piramide social usa estes casos como troféus para impedir qualquer alteração no status quo. Utilizam a falácia da indução. O caso particular para o geral.
    A verdade é que a dança das cadeiras assusta a quem já está sentado. Para estes, as coisas estão bem do jeito que estão. Para estes, é conveniente a ideia que o racismo, a injustiça social, o machismo, não exista.
    “Racismo? Qual nada! Tenho uma empregada preta. Amamos ela. Ela é da família!”

  2. Nana comentou:

    Tema polêmico e bem controverso.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.br

  3. BV comentou:

    O capitalismo não privilegia a quem merece, mas a quem atende as demandas. Já o socialismo ou comunismo… deixá pra lá não tem nenhum exemplo que tenha dado certo… todos corrompidos! Então acredito que ainda não existe um sistema social político e econômico que estabeleça a meritocracia. Para isso os valores da sociedade teriam que mudar… mas isso é outro assunto!

  4. Marcelo Souza comentou:

    Não acredito que exista ou vá existir um sistema que deixe todo mundo exatamente na mesma situação em termos de igualdade e oportunidades. O primeiro grande problema de tudo isso é que somos seres humanos, e isso faz com que mesmo o sistema que muitos acreditam ser o mais justo, como socialismo ou comunismo, seja corrompido. Eu vivo dizendo que mesmo que vivêssemos em socialismo, sempre existiria o companheiro que manda e o companheiro que obedece. Porque no fundo não se trata de capitalismo ou dinheiro, e sim do que o dinheiro representa: o poder e capacidade de troca.

    Sempre vai haver o companheiro que manda e que tem poder para trocar por algo. Como ser humano ambicioso ele vai usar a posição para por a família dele como sendo um dos que mandam, para conseguir comer um pouco melhor do que o companheiro que obedece, para andar em um carro melhor, ter uma casa um pouco melhor e acesso a outros privilégios.

    Não acho que o capitalismo seja perfeito, porque não acredito que exista um sistema perfeito. Mas apesar de haverem diversas falhas, ainda é um sistema no qual mesmo que minima, o companheiro que obedece tem alguma chance de também obter um pouco dos benefícios e quem sabe estar na mesma posição em que o companheiro que manda.

    Acredito que se o governo agisse em favor de realmente melhorar a educação, saúde e melhorar as oportunidades, o capitalismo ainda é uma das melhores formas de sobrevivência. A minha visão é a de que o governo precisa sim intervir, distribuir e ajudar, mas ele também precisa realmente investir em educação, saúde e segurança – coisas que não vejo acontecerem. Não acredito que seja possível que todos tenham exatamente as mesmas oportunidades. É impossível equilibrar o sistema dessa forma, mas acredito que da pra melhorar muito para todo mundo.