Marco Gomes

nerd veterano, interneteiro profissional, parkouzeiro amador, evangélico aprendiz, fotógrafo iniciante

Textos na categoria ‘audio’

“Esteja” no Digital Age 2.0 via Skype \o/

Publicado em 2007-08-09, 8 comentários

Fiz a experiência com o Wendely Leal e deu certo. Se você quer estar virtualmente no Digital Age 2.0 me adicione e peça pra entrar no conference, estarei disponível também no dia 10, durante todo o dia, pode me chamar a qualquer hora e se eu não responder tente novamente em 10 minutos.

Meu login no Skype é mvtgomes.

Se alguém puder sugerir um serviço grátis que eu possa transmitir e que não seja o Skype, seria bem-vindo.

Xangai, música sertaneja pra homem

Publicado em 2006-11-09, 14 comentários

Não pare de ler agora, o termo “música sertaneja” acima deve ser levado ao pé da letra, sentido estrito, ou seja, música do sertão da Bahia[bb]. Xangai - Mutirão da Vida Xangai (mais info) é um sobrevivente, um dos últimos a acreditar no estilo, dotado de uma excelente voz, e bastante habilidoso com o violão, ele acredita na cultura pouco divulgada da música de raiz proveniente do interior do país. Não vou cometer o despautério de compará-lo à outros cantores sertanejos, mas saiba que ele fala da vida no sertão, denunciando a fome, e a péssima distribuição de terras.

Música:
Mutirão da Vida
Artista:
Xangai
Álbum:
Mutirão da Vida

mais informações no ODEO

Meus olhos já viram coisa De cortar o coração A cara feia da fome E o povo virando anão Gente ficando louca Sem ter água para beber A fome comendo a fome A falta do que comer

Note que no trecho acima ele fala inclusive do fenômeno das pessoas que não crescem não por problemas genéticos, como é natural, mas por falta de alimentação, resultado da corrupção, péssima distribuição de terras e falta de apoio ao povo do sertão. Fala também da cultura do povo sertanejo, seus costumes, festas e conhecimentos.

Música:
Gírias do Norte / De Quinze Pra Trás / Sapo no Saco
Artista:
Xangai
Álbum:
Mutirão da Vida

mais informações no ODEO

O Zé do Brejo quando se casariô Ele me convidariô Pruma quadrilha eu marcariá Marcariei uma quadrilha ritimada Fui até de madrugada Todo mundo cum seu pariá Alavantuí, chã-de-dama anarrariê Cantei côco pra valê Todo mundo cum seu pariá

Esse álbum é de 1984, todo excelente, com ótimas letras e um instrumental impressionante, dirigido por Jaques Morelenbaum.

Meu histórico

Esse cantor tem um sentido especial pra mim, meu pai tinha esse vinil quando eu era criança e eu adorava ouvir. O mais interessante é que eu gostava mesmo, não ouvia pra ser igual meu pai, pois se fosse esse o motivo eu gostaria mais do outro disco, preferido do meu pai. Não era o caso, eu gostava mesmo era do “Mutirão da Vida” (downlad).

Dificuldade de aceitação musical

Este disco também foi personagem de um dos episódios da minha infância em que eu fui forçado a afirmar meu gosto musical bizarro: Quando eu tinha uns 4 anos, uma amiga, daquelas bem bonitas que você tem vontade de namorar, estava na sala da minha casa, no meio da conversa habitual sobre qual era o desenho mais legal do Xou da Xuxa ela pergunta: Marco, seu pai tem tantos discos, qual você gosta? Ah, tem muitos que eu gosto, olha esse aqui – pegando o vinilzão do Xangai e botando pra tocar. Hi hi hi, ele fala que nem um roceiro. – algum tempo depois – Tá bom, coloca outro, esse é muito ruim, ele é rocêro demais. Tem também esse aqui ó, é do Tracy Chapman – sim, eu achava que a Tracy era o Tracy, não dava pra saber pela foto da capaÉ em inglês, eu gosto de ouvir e ficar tentando entender as palavras[bb], ouve, ele vai cantar “baby” que é “bêbe” em inglês, e depois love

Passados uns 30 segundos de Tracy Chapman, ela disse:

Ah não! Você só ouve música ruim! Tá na hora de eu ir embora. Tchau.

Deve ter sido meu primeiro fora :-/

Música rap do Brasil

Publicado em 2006-09-14, 52 comentários

Nos últimos 10 anos a música rap nacional[bb] amadureceu saindo do batidão clássico e enveredando-se nos caminhos do samba, funk, soul, jazz, rock.

Alguns DJs destacaram-se pela qualidade do instrumental produzido, surgiram bandas de rap com instrumental feito ao vivo. MC’s destacaram-se pelo jeito diferente de rimar, fugindo do lugar-comum que são os relatos da convivência com a criminalidade (não que isso seja ruim ou tenha desaparecido, muito pelo contrário).

Você ainda acha que rap é música de bandido? Então leia e aprenda um pouco mais sobre o movimento hip-hop.

Os quatro elementos

Pra começar, esqueça essa divisão criada pelos playboys que “hip-hop” é rap norte-americano e “rap” é rap brasileiro. Tudo errado, a divisão não é essa.

O movimento, ou cultura, hip-hop divide-se em quatro elementos:

Grafiteiro
Domina os sprays, canetões, rolinhos e outros métodos de pintura pra fazer sua arte, o grafite (graffiti).
MC
Domina as rimas feitas antes ou na hora do show, este último conhecido como freestyle ou improvisação.
B-Boy
Domina a dança, foot works, movimentos de chão, acrobacias, poping and locking, e tudo mais pra se expressar com o break.
DJ
Domina os toca-discos, pra ser respeitado na banca tem que tocar com vinil[bb] até aceita-se o uso parafernálias modernas como laptops e MD’s, mas têm que ser aliados dos vinis. Como diz o De Leve: ir pra boite ouvir DJ de CD que toca Ja Rule me enoja.

Pronto, a divisão clássica é essa, mas se você quiser, podemos definir uma festa hip-hop como:

O DJ[bb] toca um som bem loco, o MC rima sobre a base (tendo letra pronta ou não), com isso temos a música rap. O B-Boy dança na roda de break no meio da galera e o grafiteiro faz sua arte nos muros, nas paredes do local da festa ou em cima do palco mesmo, em painéis colocados especialmente pra isso.

Pronto, agora que você já sabe que rap é a música do movimento hip-hop, em qualquer idioma, vamos ao:

Vindo do funk: Rap nacional

Música:
Kabaluere
Artista:
Antonio Carlos e Jocafi
Álbum:
Black Rio: Brazil Soul Power 1971-1980

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Música:
Ela Partiu (Bonus)
Artista:
Tim Maia
Álbum:
Racional

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Como nos Estados Unidos, o rap nacional surgiu do funk tocado por aqui, Gerson King Combo, Nelson Triunfo, Nino Brown e a Funk CIA, Toni Tornado.

Porém, por ter surgido em uma sociedade bastante diferente da norte-americana, o rap nacional tem características próprias desde seu início. Para produção das bases, eram usados não só instrumentais de funk, mas também Jorge Ben, Tim Maia, entre outros.

Mesmo com essa influência desde o início de ritmos latinos, o “modo de fazer” o rap nacional pode ser dividido em duas vertentes principais:

A velha-escola

Música:
Homem na estrada
Artista:
Racionais MC’s
Álbum:
Raio X do Brasil

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É assim chamada por ser o rap clássico, batidão da base funk com uma enorme letra quase falada.

As letras normalmente falam da convivência próxima com o crime (sem apologia à criminalidade, isso é outra coisa), a vida difícil na periferia[bb], denúncias do descaso do governo com áreas marginais, mensagens de paz e otimismo para os favelados, instruções para que as pessoas mantenham-se fora da criminalidade.

É amado por muitos, mas é fortemente reprovado pelos eruditos (e pseudo-eruditos) da música, principais responsáveis pelo preconceito que prega: rap não é música, é recital.

É bastante forte até hoje, é o mais ouvido em comunidades periféricas e festas hip-hop em geral.

Alguns representantes:

A nova-escola

Música:
Um ser Assim
Artista:
Pentagono
Álbum:
Microfonicamente Dizendo

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Música:
Relaxa
Artista:
Slim Rimografia
Álbum:
Introspectivo, Amor Vida e Música

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É o novo rap, que evidencia ainda mais influências de outros ritmos musicais, como samba, funk, soul, MPB, maracatu, rock, jazz, reggae, ragga, dancehall. Tem musicalidade bem mais requintada e qualidade instrumental invejável. Pode ser tocado por bandas completas ou apenas por um DJ.

São encontrados recortes óbvios de clássicos da música brasileira, como Antônio Carlos e Jocafi, Nara Leão, Lenine, Roberto Carlos, Bezerra da Silva, João Nogueira, Sérgio Mendes, Jorge Ben, Gilberto Gil.

As letras falam de temas extremamente variados, além dos temas pregados pela velha-escola, encontramos descrições da felicidade de se viver na periferia, histórias e declarações de amor, protestos contra os gozolândia (MC’s que só querem fama e dinheiro), louvores e agradecimentos à Deus (mesmo não sendo rap de evangélico).

É pouco conhecido pela mídia mainstream (ainda bem!), mantendo a forte ideologia do estilo e ajudando a manter o preconceito de quem acha que hip-hop é só velha-escola.

Alguns representantes:

  • Slim Rimografia
  • SP Funk
  • Pentágono
  • De Leve
  • Marcelo D2[bb]
  • Parteum
  • Z’África Brasil
  • Kamau
  • Max B.O.
  • Hadda e DJ A.

Os “meio termo” (nem cá, nem lá)

Música:
O preto em movimento
Artista:
MV Bill
Álbum:
Falcao: O Bagulho é Doido

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Assim como em qualquer divisão musical, existem os que encontram-se transitando entre os dois estilos (acho que é por isso que nenhum músico gosta de rotular-se sob um estilo apenas).

Normalmente, os artistas que ficam no meio termo são os criadores da nova-escola, grupos antigos que começaram esse negócio de abrir a mente dos rappers.

Alguns representantes:

  • Thaíde e DJ Hum
  • Rappin’ Hood[bb]
  • Apocalipse 16
  • Faces do Subúrbio
  • MV Bill
  • Ao Cubo
  • Viela 17
  • G.O.G.

Mas tem mais…

Música:
Prioridades
Artista:
B. Negao e os Seletores de Frequencia
Álbum:
Enxugando Gelo

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Obviamente, o Universo é complexo demais para caber apenas nestas divisões, tem gente que faz rap tão misturado com outro estilo que acaba ficando difícil classificar aqui ou ali, como:

B. Negão e Os Seletores de Frequência
Fazem um som tão soul-funk, com atitude tão hip-hop que não dá pra cadastrar em lugar algum.
Planet Hemp[bb]
Era rap ou hardcore?
Pavilhão 9
E esses? Rapcore é rap ou hardcore?
Black Alien[bb]
O ragga mais rap do mundo.

Como já citado, existem também os gozolândia, caras que não representam nada, só querem fama e dinheiro, sem ideologia, sem mensagem, produzidos em laboratórios de grandes gravadoras.

Antigamente eram exclusividade do mercado americano, porém, aos poucos os carrões, músculos bombados, cordões de prata, músicas “mexe a sua bunda” e gostosonas semi-nuas têm aparecido aqui e ali no mercado brasileiro.

_O mercado brasileiro pode ficar parecido com o norte-americano?

Pode, e infelizmente, provavelmente vai ficar uma cópia. Pra nossa felicidade os gozolândia aparecem, somem e os firmeza continuam, quem representa não cai, Jurassic 5, Pete Rock, B. Negão, Pavilhão 9 que o digam.

Videoclipe:
O Preto em Movimento
Artista:
MV Bill
Álbum:
Falcão – O Bagulho é Doido

Sam the Kid o rapper português

Publicado em 2006-08-29,

Capa do ábum sobre(tudo) de Sam the Kid

Dessa vez venho pra falar de um rapper que tenho ouvido a pouco mais de um ano: Sam the Kid, de Chelas, Lisboa.

Não sei como peguei as primeiras músicas dele, mas lembro bem que gostei desde o primeiro momento, as bases são muito bem feitas, as letras são excelentes.

Seu som tem influências de MPB (sim, música brasileira) com letras introspectivas que, se um brasileiro prestar bastante atenção, consegue entender perfeitamente. Ele fala da vida na periferia, impressionando quem acha que em Portugal não há periferia pobre, e não se prende só a isso, trata também de cultura hip-hop[bb] (como ele diz: ipop), amor, patriotismo, discriminação, Chelas, a quebrada onde mora.

Os versos em português lusitano podem parecer engraçados para quem é brasileiro, mas em alguns minutos o entendimento se abre e as letras fluem perfeitamente.

São três álbuns, dois com vocal e um instrumental, mais informações na Wikipédia.

entre(tanto) o primeiro álbum com vocal é perceptivelmente de baixo orçamento, com bases pouco sofisticadas e produção amadora (nem por isso é ruim, muito pelo contrário). sobre(tudo), o segundo álbum com vocal é bem mais sofisticado, com bases muito bem produzidas e muito bem gravado.

Posso ouvir?

No player abaixo você tem pode ouvir Representa o teu Mundo (letra) do álbum sobre(tudo), a música é sobre patriotismo.

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Mais amostras do talento do cara: