Marco Gomes

cientificamente irritante, interneteiro profissional, evangélico aprendiz, nerd veterano, fotógrafo iniciante

Textos na categoria ‘business’

Como uma marca consegue respeito e relevância no Twitter

Publicado em 2010-01-26, 4 comentários

Hoje foi publicado um texto meu no Meio & Mensagem impresso, sobre relevância de marcas no Twitter.

Republico aqui a versão que entreguei pro M&M editar.

Texto de Marco Gomes sobre Twitter no Meio e Mensagem

Como uma marca consegue respeito e relevância no Twitter

O Twitter é a rede social do momento. No Brasil, cresceu mais de 450% em um ano e ganha cada vez mais espaço na mídia e nas estratégias de comunicação corporativa. Mas, como uma empresa deve se comportar no microblog? Como conseguir relevância e respeito na meritocracia informal da Internet?

O bar

A comparação com um bar é a mais comum entre os brasileiros que são usuários freqüentes de microblogs. O Twitter é como um bar: você precisa chegar, escolher uma mesa, conversar com quem está ali perto de você e mudar de mesa se quiser conversar com outro grupo. Se ficar gritando pro bar todo ouvir, será ignorado e até ridicularizado.

Coffee break de conferência

Como numa roda de conversa em um coffee break, você precisa ser educado – não adianta chegar falando, isso pode ser interpretado como arrogância. A melhor estratégia é ouvir antes de se pronunciar: chegue, observe sobre o que é o assunto da vez e contribua de maneira construtiva.

Uma falha muito comum das empresas e celebridades que entram no Twitter é se comportar como se o veículo fosse de mão única, onde só eles falam e as respostas não importam. As redes sociais são vias de mão dupla, cada ação feita por uma entidade é analisada pela comunidade, que dá feedbacks instantâneos. Essas respostas devem ser levadas em consideração pela marca, gerando um diálogo com seus seguidores.

Escreva conteúdo relevante

Após escutar bastante e começar a entender qual é o assunto que está sendo comentado, a empresa deve contribuir para a discussão, não ficar fazendo propaganda cega de seus produtos.

Discutir as últimas novidades do seu mercado, inclusive citando outros players, é uma boa maneira de começar com segurança. Fazendo isso, a empresa fala de um assunto que entende, sua própria área, e pode contribuir construtivamente, fomentando a discussão entre seus seguidores.

Saiba lidar com pessoas grosseiras

Muitas pessoas se apoiam na falta de espaço do meio para deixarem de ser educadas. Com 140 caracteres mal dá para escrever uma frase elaborada, por isso, cortesia e moderação são as primeiras coisas a serem esquecidas em um meio tão limitado.

Se um produto, serviço ou mesmo uma afirmação da empresa não estiver de acordo com as expectativas de um consumidor, ele tende a ser muito mais grosseiro do que seria pessoalmente.

A empresa precisa estar preparada para lidar com esse tipo de usuário, pedindo maiores detalhes da queixa, explicando a situação e sabendo pedir desculpas quando necessário. O Twitter é um meio em que empresas e pessoas comuns têm o mesmo espaço: 140 caracteres.

Personalize o porta-voz

Indivíduos querem falar com outros indivíduos, não deixe seu Twitter ser uma extensão dos famigerados e indesejados atendimentos telefônicos dos anos 90.

Dê um nome e um rosto à pessoa que cuida do Twitter da empresa Uma boa maneira é usar o nome do CEO ou do responsável pelo atendimento a clientes.

@comscorecares, o twitter da Comscore, usa o nome de Frank Eliason, Senior Director da corporação, para se comunicar com seus clientes.

Evite famosos

Como todos nós, famosos também erram, e, num meio de alta exposição como o twitter, há mais probabilidade dos erros serem públicos. Esses equívocos podem ser associados à sua marca.

Se você associa sua marca a uma personalidade e ele posta no Twitter uma opinião polêmica, sua marca pode ser impactada pela repercussão negativa. É muito comum vermos celebridades se atrapalhando ao fazer declarações homofóbicas, racistas, xenofóbicas, de cunho político ou religioso.

Não filtre seguidores

Aumente as chances de receber feedback abrindo canais de comunicação direta com quem te segue e siga-os de volta. Esse tipo de comportamento não é recomendado para perfis pessoais, por demonstrar uma necessidade de popularidade. Porém, para empresas e outras instituições, essa conduta é aceitável.

Ferramentas como o SocialToo te ajudam a manter a reciprocidade no Twitter: sempre que alguém começar a te seguir ele vai seguir a pessoa de volta.

Um perfil não deve seguir muito mais gente do que é seguido – uma diferença muito grande entre o número de pessoas que o perfil segue versus seus seguidores alerta o sistema antispam do Twitter que pode, inclusive, suspender a conta.

Saiba usar hashtags

Para centralizar assuntos, a comunidade criou as hashtags (palavras precedidas pelo símbolo #). Essa “regra” ou notação foi inspirada em outros meios, como IRC e chats. O uso de hashtags ajuda a comunidade a discutir assuntos de interesse comum, e agrega temáticas aos twitts, como #forasarney, #fail, #followfriday.

As hashtags são um recurso muito importante no Twitter e outros ambientes sociais. É importante saber usá-las a seu favor, tomando cuidado para ser relevante sem parecer ridículo.

Uma das atitudes mais rejeitadas pela comunidade é a criação excessiva de hashtags. “#umapracadatwitt” , é como pedir desesperadamente pra ter atenção, é patético, você não vai querer isso para a sua empresa.

Mais uma vez, vale a regra do início: antes de escrever, observe e aprenda como a comunidade se comporta. Usar um recurso poderoso com as hashtags de maneira errada pode gerar atrito com seu círculo social, queimando o capital social que poderia ser adquirido.

Por muitas vezes, nos deparamos com o uso inadequado das hashtags, em mensagens que usam # no início de cada twitt, sem designar assunto ou agregar valor na discussão sobre os temas apresentados.

Recebi por e-mail um exemplo de uso inadequado das hashtags, veja o início do texto:

#Olá, MARCO GOMES, tudo bem?
#Sabemos que o brasileiro é o povo que passa mais tempo conectado à web, chegando à média de 24 horas mensais. [...]

O texto acima usa # no início de cada frase, sem designar assunto ou agregar valor na discussão sobre os temas apresentados, deixando claro que se trata de uma tentativa desesperada do redator em parecer moderno e antenado. Deu errado. Seria muito mias digno escrever normalmente e usar as hashtags apenas após entender como elas funcionam.

Consiga respeito e relevância

O Twitter, assim como outras redes sociais, tirou o controle da informação das instituições mais poderosas. A informação deixa de estar em um monopólio, tornando-se social. Como em toda relação social, você deve escutar antes de se pronunciar, responder educadamente seus pares, entender a meritocracia informal da Internet, ser interessante e relevante.

Mobile Web, seu uso está concentrado em redes sociais. Isso muda tudo.

Publicado em 2009-10-23, Um comentário

Tela do Facebook no iPhone Usamos a internet em dispositivos móveis, como celulares[bb] e smartphones[bb], para fazer buscas e interagir com amigos em redes sociais. Muito diferente da Internet em desktops, que usamos para leitura e trabalho em adição às buscas e ações sociais.

O uso de redes sociais em dispositivos móveis cresceu 187%, chegando a 18.3 milhões de usuários em julho de 2009 (Jon Stewart, Nielsen), e tende a continuar crescendo bastante nos próximos anos. Muitos jovens preferem o uso de redes sociais em celulares pela praticidade, mobilidade e preço baixo dos aparelhos, por não ter acesso a um desktop e até por falta de paciência pra usar um computador de mesa.

O tráfego a partir de dispositivos móveis já é significante em redes sociais[bb] estabelecidas, como Facebook, MySpace, Twitter, e estão surgindo redes sociais focadas no uso primário em celulares e smartphones, como foursquare, mig33, MocoSpace, com serviços baseados em localização (LBS em inglês), compartilhamento de fotos, vídeos, facilitadores de encontros e jogos sociais.

O USA Today fez uma matéria sobre o uso de celulares em redes sociais, destaco um trecho abaixo:
Twitter no Gravity pra Symbian

The majority of people who participate on social networks do so from their PCs. Yet a growing number — many of whom can’t afford a PC or would rather not use one — are using mobile devices to tell their friends where they are and what they’re up to and for sharing pictures.

Publicidade em dispositivos móveis

A publicidade[bb] também vai ser impactada por esta mudança de hábitos. Em 2012, a receita relacionada com uso de redes sociais em dispositivos móveis será de 60 bilhões de dólares, segundo a Visiongain Research. Tim Chang, sócio da empresa de venture capital Norwest Venture Partners, afirma que, até agora, a exibição de anúncios em dispositivos móveis tem sido um fracasso. Segundo Frank Meehan, CEO da INQ, empresa de fabricação de celulares para redes sociais, não adianta simplesmente exibir anúncios como se estivéssemos no desktop, é preciso inovar[bb].

Post inspirado por Rodrigo Nista.

A Anatomia da Determinação, projeto Traduções Coletivas

Publicado em 2009-09-12, 7 comentários

Apresento o Traduções Coletivas, projeto/wiki que criei pra traduzirmos textos e artigos pro português[bb]. O projeto é livre, aberto, qualquer um pode contribuir com traduções, sugerir novos textos, republicar, duplicar ou espalhar o conteúdo traduzido pela comunidade respeitando a licença do texto original.

O texto A Anatomia da Determinação, de Paul Graham, foi o primeiro a ser traduzido pela comunidade do Traduções Coletivas, veja abaixo alguns parágrafos que acho mais interessantes.

A Anatomia da Determinação

Paul Graham, Setembro de 2009
Original version, versão traduzida.

Como todos os investidores, gastamos bastante tempo aprendendo como prever quais startups terão sucesso.

Nós aprendemos rapidamente que o mais importante preditor do sucesso é a determinação. Em um primeiro instante pensávamos que era a inteligência. Todos gostam de acreditar que é isso que faz os startups ter sucesso. Enquanto é certo que ser inteligente ajuda, não é o fator decisivo. Existem muitas pessoas tão inteligentes quanto Bill Gates e que não alcançam nada.

A forma mais simples de determinação é a pura obstinação. Quando você quer algo, você deve ter isso, não importa como.

Uma razão para que os jovens tenham sucesso onde os mais velhos falharam é que eles não percebem o quanto são incompetentes. Isto permite que eles façam algo como “operar no vermelho”. Quando eles começam a trabalhar com algo, eles superestimam suas conquistas. Mas isso os dá confiança para continuar a trabalhar, e sua performance melhora. Enquanto que alguém com uma visão mais clara iria enxergar sua incompetência inicial pelo que ela é, e talvez ser desencorajado a continuar.

Talvez uma razão para as pessoas acreditarem que fundadores de startups obtém sucesso por serem mais espertos é porque inteligência é mais importante em startups de tecnologia do que costumava ser com as empresas mais tradicionais. Você provavelmente precisa ser um pouco mais esperto para dominar buscas na Internet do que para dominar estradas de ferro ou hotéis ou jornais. E provavelmente essa é uma tendência que ainda está acontecendo. Mas até mesmo na mais avançada das indústrias de alta tecnologia, sucesso ainda depende mais de determinação do que de cérebro.

Leia o texto completo no projeto Traduções Coletivas.

Contribua com o projeto Traduções Coletivas, ajude traduzindo[bb] uma frase de algum texto :)

A Revolução no Irã não está sendo televisionada, e nós já sabíamos

Publicado em 2009-06-22, 6 comentários

Image of Free Iran

Está acontecendo uma revolução e as armas disparam opiniões que não podem ser detidas por nenhuma censura.

Vocês nos aceitam ou nos criminalizam. Nos mostram para o mundo ou nos mandam para o underground. Vocês só não conseguem nos parar
Larry Lessig

Neste momento há no Irã uma força de resistência, real, organizada por meios digitais. Manifestações nas ruas são agendadas e documentadas pelo Twitter, YouTube e Facebook.

Enquanto os protestos aconteciam no Oriente Médio a CNN reprisava um de seus programas antigos, #cnnfail. Ao mesmo tempo o governo iraniano faz montagens no Photoshop pra tentar convencer o mundo que o apoio pró-estado é maior que a realidade. Não funciona, o Irã é uma nação de blogueiros.

Dia 1 de maio de 2008, pouco mais de um ano antes no início dos protestos no Irã, eu publiquei o texto Eu faço parte da revolução, que teve boa repercussão pela Web e foi editado e republicado no Webinsider com o título Eu sou um guerrilheiro e faço parte da revolução.

Polícia oprime a resistência no Irã

No Webinsider o texto recebeu comentários muito interessantes, vários concordando, vários discordando. Eu gosto quando discordam do que escrevo, isso me faz pensar novamente no tema, e refletir se meus argumentos estão mesmo bem fundamentados. Alguns comentários no Webinsider são coerentes, outros nem tanto, às vezes pendendo pra falácias.

e mesmo que eu esteje [sic] errado. essa sua revolução só acontece pra quem tem $$$ meu caro. é só pra elite.
- gonz

Alguns preferem não enxergar que os novos tempos já chegaram, sem pedir licença.

Muçulmana com a boca tapada por fita adesiva

Saiba mais, você pode fazer parte:

(links via @mauricio , @fmafra e Google)