Marco Gomes

nerd veterano, interneteiro profissional, parkouzeiro amador, evangélico aprendiz, fotógrafo iniciante

Textos na categoria ‘society’

Mídias Sociais em Dispositivos Móveis

Publicado em 2010-02-22, 4 comentários

O que está acontecendo atualmente com o uso de celulares[bb] pra produzir e publicar conteúdo? Apresentação preparada para workshop da Nokia Brasil.

Interfaces de objetos modernos são mais complicadas?

Publicado em 2010-02-18, 26 comentários

“Atividades simples precisam permanecer simples”

A frase é de Jef Raskin, ele disse também que atividades complexas até podem necessitar de interfaces complicadas (isso é discutível), mas não há motivo para complicar atividades simples como ajustar a hora de um relógio, tente no digital e no analógico (de ponteiros) pra entender o que ele diz.

Listo abaixo algumas questões a esse respeito.

Videogame

Com o Super Nintendo você pegava o cartucho, enfiava no videogame desligado e ligava o aparelho. O jogo aparecia e em poucos segundos você já começava a jogar. O controle tinha 8 botões e um direcional.

Garota usando um Super Nintendo como roupa de baixo

Lembra como o SNES era divertidão?

O PlayStation 3[bb] exige que você aguarde por vários minutos a instalação do jogo, às vezes o processo leva horas. Quando a instalação termina e você acha que finalmente vai jogar, pode ser necessário aguardar novamente o download de gigabytes de atualizações.

PlayStation Dual-Shock 3 Controller

Alguém achou que a quantidade de botões multiplicaria a diversão.

O processo entre colocar o disco no videogame e jogar pode levar muitas horas, Fernando Mafra reclamou por esperar o download durante dias, culpa da conexão instável com a Internet e a impossibilidade de executar o jogo sem todas as atualizações. O controle tem 11 botões, sendo 2 deles sensíveis à quantidade de pressão aplicada, 1 direcional e 2 manches (joystick analógico).

O X-Box[bb] não é muito diferente.

O Wii[bb], pra sorte dos jogadores casuais, não tem muitos dos problemas descritos acima :)

Home video

Nos anos 90 você pegava a fita VHS[bb], enfiava no aparelho e o video era executado. Caso precisasse interromper a atividade antes do fim do filme, era possível retirar a fita, que manteria seu estado, e quando colocada novamente em qualquer aparelho de videocassete, retomaria o filme no exato ponto onde foi interrompido. Controle remoto era um conforto opcional, não uma obrigação.

diagrama do filme pirata versus original

Clique pra ver maior. Resposta da pirataria pra "burocracia" de ver um filme em DVD/BluRay.

Pro DVD/BluRay[bb] é até complicado fazer uma descrição. Você é obrigado a ver avisos anti-pirataria, animações entediantes entre as várias telas do menu, escolher idioma de áudio, sistema stereo ou 5.1 DTS, idioma da legenda. As interfaces não são padronizadas, às vezes é dificílimo levar o cursor pra opção de legenda que você quer, isso quando o cursor não é quase invisível por conta das inúmeras animações acontecendo na tela. O controle remoto é obrigatório.

Telefone

Havia um disco, você tirava o fone do gancho, girava o disco na sequência de discagem, a ligação acontecia.

Telas do LG Viewty

Conceito de "público alvo" em seu extremo. Se você treme um pouco ou não enxerga bem, não pode usar este aparelho.

Hoje precisamos desbloquear o aparelho, abrir a aplicação “telefone”, muitas vezes nos digladiar com um touch-screen que nem sempre se comporta como esperamos. Além disso, é preciso ter muito cuidado pra não interromper a ligação ao esbarar num desses microbotõezinhos escondidos em todos os lados do aparelho.

O que aconteceu?

Há inúmeros exemplos parecidos no cotidiano, como automóvel, TV, máquina de lavar, forno, entre outros.

Eu sei que os aparelhos ganharam novas funções, o videogame exibe filmes, o telefone acessa a Internet (epic win), a máquina de lavar enxagua e centrifuga. O ponto é: o que era simples, como falar com alguém, jogar, ver um filme, precisava ficar complicado?

Sempre foi assim? Sempre complicamos coisas que eram simples e eu não percebia?

Estamos ficando mais estúpidos pra projetar as interfaces do dia-a-dia?

Como uma marca consegue respeito e relevância no Twitter

Publicado em 2010-01-26, 7 comentários

Hoje foi publicado um texto meu no Meio & Mensagem impresso, sobre relevância de marcas no Twitter.

Republico aqui a versão que entreguei pro M&M editar.

Texto de Marco Gomes sobre Twitter no Meio e Mensagem

Como uma marca consegue respeito e relevância no Twitter

O Twitter é a rede social do momento. No Brasil, cresceu mais de 450% em um ano e ganha cada vez mais espaço na mídia e nas estratégias de comunicação corporativa. Mas, como uma empresa deve se comportar no microblog? Como conseguir relevância e respeito na meritocracia informal da Internet?

O bar

A comparação com um bar é a mais comum entre os brasileiros que são usuários freqüentes de microblogs. O Twitter é como um bar: você precisa chegar, escolher uma mesa, conversar com quem está ali perto de você e mudar de mesa se quiser conversar com outro grupo. Se ficar gritando pro bar todo ouvir, será ignorado e até ridicularizado.

Coffee break de conferência

Como numa roda de conversa em um coffee break, você precisa ser educado – não adianta chegar falando, isso pode ser interpretado como arrogância. A melhor estratégia é ouvir antes de se pronunciar: chegue, observe sobre o que é o assunto da vez e contribua de maneira construtiva.

Uma falha muito comum das empresas e celebridades que entram no Twitter é se comportar como se o veículo fosse de mão única, onde só eles falam e as respostas não importam. As redes sociais são vias de mão dupla, cada ação feita por uma entidade é analisada pela comunidade, que dá feedbacks instantâneos. Essas respostas devem ser levadas em consideração pela marca, gerando um diálogo com seus seguidores.

Escreva conteúdo relevante

Após escutar bastante e começar a entender qual é o assunto que está sendo comentado, a empresa deve contribuir para a discussão, não ficar fazendo propaganda cega de seus produtos.

Discutir as últimas novidades do seu mercado, inclusive citando outros players, é uma boa maneira de começar com segurança. Fazendo isso, a empresa fala de um assunto que entende, sua própria área, e pode contribuir construtivamente, fomentando a discussão entre seus seguidores.

Saiba lidar com pessoas grosseiras

Muitas pessoas se apoiam na falta de espaço do meio para deixarem de ser educadas. Com 140 caracteres mal dá para escrever uma frase elaborada, por isso, cortesia e moderação são as primeiras coisas a serem esquecidas em um meio tão limitado.

Se um produto, serviço ou mesmo uma afirmação da empresa não estiver de acordo com as expectativas de um consumidor, ele tende a ser muito mais grosseiro do que seria pessoalmente.

A empresa precisa estar preparada para lidar com esse tipo de usuário, pedindo maiores detalhes da queixa, explicando a situação e sabendo pedir desculpas quando necessário. O Twitter é um meio em que empresas e pessoas comuns têm o mesmo espaço: 140 caracteres.

Personalize o porta-voz

Indivíduos querem falar com outros indivíduos, não deixe seu Twitter ser uma extensão dos famigerados e indesejados atendimentos telefônicos dos anos 90.

Dê um nome e um rosto à pessoa que cuida do Twitter da empresa Uma boa maneira é usar o nome do CEO ou do responsável pelo atendimento a clientes.

@comscorecares, o twitter da Comscore, usa o nome de Frank Eliason, Senior Director da corporação, para se comunicar com seus clientes.

Evite famosos

Como todos nós, famosos também erram, e, num meio de alta exposição como o twitter, há mais probabilidade dos erros serem públicos. Esses equívocos podem ser associados à sua marca.

Se você associa sua marca a uma personalidade e ele posta no Twitter uma opinião polêmica, sua marca pode ser impactada pela repercussão negativa. É muito comum vermos celebridades se atrapalhando ao fazer declarações homofóbicas, racistas, xenofóbicas, de cunho político ou religioso.

Não filtre seguidores

Aumente as chances de receber feedback abrindo canais de comunicação direta com quem te segue e siga-os de volta. Esse tipo de comportamento não é recomendado para perfis pessoais, por demonstrar uma necessidade de popularidade. Porém, para empresas e outras instituições, essa conduta é aceitável.

Ferramentas como o SocialToo te ajudam a manter a reciprocidade no Twitter: sempre que alguém começar a te seguir ele vai seguir a pessoa de volta.

Um perfil não deve seguir muito mais gente do que é seguido – uma diferença muito grande entre o número de pessoas que o perfil segue versus seus seguidores alerta o sistema antispam do Twitter que pode, inclusive, suspender a conta.

Saiba usar hashtags

Para centralizar assuntos, a comunidade criou as hashtags (palavras precedidas pelo símbolo #). Essa “regra” ou notação foi inspirada em outros meios, como IRC e chats. O uso de hashtags ajuda a comunidade a discutir assuntos de interesse comum, e agrega temáticas aos twitts, como #forasarney, #fail, #followfriday.

As hashtags são um recurso muito importante no Twitter e outros ambientes sociais. É importante saber usá-las a seu favor, tomando cuidado para ser relevante sem parecer ridículo.

Uma das atitudes mais rejeitadas pela comunidade é a criação excessiva de hashtags. “#umapracadatwitt” , é como pedir desesperadamente pra ter atenção, é patético, você não vai querer isso para a sua empresa.

Mais uma vez, vale a regra do início: antes de escrever, observe e aprenda como a comunidade se comporta. Usar um recurso poderoso com as hashtags de maneira errada pode gerar atrito com seu círculo social, queimando o capital social que poderia ser adquirido.

Por muitas vezes, nos deparamos com o uso inadequado das hashtags, em mensagens que usam # no início de cada twitt, sem designar assunto ou agregar valor na discussão sobre os temas apresentados.

Recebi por e-mail um exemplo de uso inadequado das hashtags, veja o início do texto:

#Olá, MARCO GOMES, tudo bem?
#Sabemos que o brasileiro é o povo que passa mais tempo conectado à web, chegando à média de 24 horas mensais. [...]

O texto acima usa # no início de cada frase, sem designar assunto ou agregar valor na discussão sobre os temas apresentados, deixando claro que se trata de uma tentativa desesperada do redator em parecer moderno e antenado. Deu errado. Seria muito mias digno escrever normalmente e usar as hashtags apenas após entender como elas funcionam.

Consiga respeito e relevância

O Twitter, assim como outras redes sociais, tirou o controle da informação das instituições mais poderosas. A informação deixa de estar em um monopólio, tornando-se social. Como em toda relação social, você deve escutar antes de se pronunciar, responder educadamente seus pares, entender a meritocracia informal da Internet, ser interessante e relevante.

Mobile Web, seu uso está concentrado em redes sociais. Isso muda tudo.

Publicado em 2009-10-23, Um comentário

Tela do Facebook no iPhone Usamos a internet em dispositivos móveis, como celulares[bb] e smartphones[bb], para fazer buscas e interagir com amigos em redes sociais. Muito diferente da Internet em desktops, que usamos para leitura e trabalho em adição às buscas e ações sociais.

O uso de redes sociais em dispositivos móveis cresceu 187%, chegando a 18.3 milhões de usuários em julho de 2009 (Jon Stewart, Nielsen), e tende a continuar crescendo bastante nos próximos anos. Muitos jovens preferem o uso de redes sociais em celulares pela praticidade, mobilidade e preço baixo dos aparelhos, por não ter acesso a um desktop e até por falta de paciência pra usar um computador de mesa.

O tráfego a partir de dispositivos móveis já é significante em redes sociais[bb] estabelecidas, como Facebook, MySpace, Twitter, e estão surgindo redes sociais focadas no uso primário em celulares e smartphones, como foursquare, mig33, MocoSpace, com serviços baseados em localização (LBS em inglês), compartilhamento de fotos, vídeos, facilitadores de encontros e jogos sociais.

O USA Today fez uma matéria sobre o uso de celulares em redes sociais, destaco um trecho abaixo:
Twitter no Gravity pra Symbian

The majority of people who participate on social networks do so from their PCs. Yet a growing number — many of whom can’t afford a PC or would rather not use one — are using mobile devices to tell their friends where they are and what they’re up to and for sharing pictures.

Publicidade em dispositivos móveis

A publicidade[bb] também vai ser impactada por esta mudança de hábitos. Em 2012, a receita relacionada com uso de redes sociais em dispositivos móveis será de 60 bilhões de dólares, segundo a Visiongain Research. Tim Chang, sócio da empresa de venture capital Norwest Venture Partners, afirma que, até agora, a exibição de anúncios em dispositivos móveis tem sido um fracasso. Segundo Frank Meehan, CEO da INQ, empresa de fabricação de celulares para redes sociais, não adianta simplesmente exibir anúncios como se estivéssemos no desktop, é preciso inovar[bb].

Post inspirado por Rodrigo Nista.