Marco Gomes

Criador da boo-box. Empreendedor dedicado, nerd veterano, interneteiro profissional, cristão aprendiz, fotógrafo amador, marido apaixonado.

Textos marcados como ‘foto’

No Mac OS X os programas não são janelas

Uma das principais diferenças pra quem migra de Windows ou Linux pra computadores Apple com Mac OS X[bb] é a diferença no conceito de janelas. No Windows, Gnome e KDE, o programa é uma janela. No Mac OS X, o programa pode ter uma ou mais janelas, ou não.

Acredito que este conceito é herança das idéias de Jef Raskin[bb] para o projeto Machintosh, onde a interface não teria janela alguma, e os aplicativos poderiam ser usados em qualquer lugar. Se eu quisesse usar os recursos de edição de foto enquanto edito um documento, poderia fazê-lo, assim como usar a calculadora no meio de um chat com um amigo, por exemplo.

No Mac OS X, os aplicativos podem ter janelas, mas se você fecha a janela, o progra ma continua rodando, normalmente. Quando eu abro o navegador Safari, automaticamente uma janela é exibida, se eu fecho esta janela o programa continua em execução. O mesmo para qualquer outro programa, como Mail, Address Book, Firefox.

Com isso você pode ter cliente de e-mail, torrents, musica, gerenciador P2P, instant messenger, dois navegadores Web e calculadora sem quem nenhum deles ocupe espaço na sua área de trabalho com janelas ou atalhos na barra de ferramentas.

A desvantagem é que se você não se cuidar, pode deixar muitos programas abertos e consumir toda a sua memória RAM com aplicativos que não estão sendo utilizados.

Eu particularmente gosto muito do modo como o OS X gerencia as janelas, me deixando livre pra ter vários aplicativos abertos sem que eles ocupem espaço na minha área de trabalho. Porém, já vi vários usuários pouco cuidadosos com Photoshop e Flash abertos sem necessidade, assim não tem 4 GB de RAM que aguente.

Gravei um vídeo que explica este conceito:

Concentre-se no que não muda

O artigo abaixo foi originalmente publicado na revista iMasters número 4, de fevereiro de 2008. O conteúdo da revista está muito bom, entre vários bons textos, tem Luiz Yassuda e Gilberto Jr. Se você gostar desde artigo, compre a revista (se não gostar desculpe, mas compre a revista mesmo assim :)

O mercado da Web fascina, não passa uma semana sem que fiquemos sabendo daquele primo do amigo que ganha quantias absurdas como consultor Java, .Net ou Vignette. Revistas de negócios adoram estampar em suas capas os promissores jovens bilionários da Internet, sempre dando a entender que a fortuna foi feita sem muito esforço.

É óbvio que um mercado tão fascinante atrai muitas pessoas, normalmente gente que navega na Internet e acha que “fazer site” pode ser tão fácil quanto os cursos de banca de jornal anunciam. Inúmeras vezes me perguntaram que tipo de curso ou tecnologia deve-se aprender pra conseguir alcançar o sucesso profissional, que, acreditam eles, é ganhar quantias absurdas sendo consultor.

Java, .Net, Photoshop, Illustrator, Ruby on Rails, Django, Python, tudo isso vai passar e se tornar peça de museu. Cobol, Delphi, Corel, 3D Studio Max já foram minas de ouro nesse mesmo mercado, acredita? Você deve escolher um caminho e focar em seus conceitos; resolver problemas usando lógica[bb], se comunicar usando palavras escritas[bb], expressar idéias através de imagens[bb], despertar sentimentos só com o uso correto das cores[bb], isso é o importante.

Peguemos um caso específico: Programação.

Houve um dia, em que programar era apenas fechar e abrir caminhos em uma placa de circuitos, tudo que você podia fazer era definir o caminho do bit (isso é grego pra mim também, relaxa), hoje, as coisas estão um pouco mais elaboradas, graças a Deus. Atualmente você pode usar enormes coleções de recursos criados por outras pessoas pra ser mais produtivo, é muito comum que projetos Web da atualidade usem mais código de terceiros que do próprio programador; são os famosos frameworks e bibliotecas: jQuery, .Net, Rails, Struts, Prototype entre outros. Quem sabia apenas como fechar e abrir circuitos teve sérios problemas com a mudança da maneira de programar, quem sabia a resolver problemas lógicos simplesmente jogou ferramentas velhas fora e aprendeu a usar essas mais novas.

Abstraindo bastante, programação sempre foi a mesma coisa: Ordenar que um processador execute ações pré-determinadas após a inserção de dados, sejam estes um cartão perfurado com informações demográficas, uma palavra específica numa tela de letras verdes sobre fundo preto, um clique do mouse em uma aplicação do Facebook. Nos anos 70 as pessoas queriam programas fáceis de usar, rápidos, eficientes e baratos, hoje isso não é diferente, acho impossível daqui a 30 anos os usuários pedirem programas caros, lentos, ineficientes e díficeis de usar =)

Esqueça a água, foque-se o leito do rio

John Dewey descreve esse tipo de situação como um homem que pretende atravessar um rio, se ele ficar olhando a água, esperando esta “passar” pra, só depois, atravessar, vai esperar por toda a vida. Nosso personagem deve se concentrar no leito do rio, em atravessar a água pra chegar na outra margem.

É a percepção do que não muda que diferencia o macaco codificador do profissional que resolve problemas. Se você está entrando agora no mercado, pare e reflita: o que você sabe te diferencia do carinha espinhento que acaba de sair do curso técnico mais respeitado da cidade? E se, de repente, a tecnologia que você se especializou for substituída por uma ferramenta Livre mantida por uma comunidade de desenvolvedores apaixonados? Você vai poder “portar” os anos de experiência que já tem, ou vai jogar uma parte da sua vida no lixo e aprender tudo novamente? E daqui a 5 anos quando a tecnologia mudar novamente? Seja inteligente, concentre-se no que não muda.

Nos negócios, não construa trens, transporte pessoas

No início do século XX, as então soberanas empresas do ramo ferroviário entraram em crise financeira irremediável e quebraram, por conta da revolução dos automóveis. O mercado aprendeu: as empresas não deveriam estar no negócio de construir trens e ferrovias, elas deveriam estar no negócio de transportar pessoas. Pessoas sempre vão precisar ser transportadas, seja à cavalo, seja com teletransporte.

Empresas que se restringem a trilhos de trem, charretes, automóveis, gravações de áudio em CDs, World Wide Web, impressões em papel ou qualquer tecnologia; estão condenadas a passar maus bocados quando a mesma for substituída. Admito que tecnologias dificilmente “morrem” de totalmente, graças a isso ainda existem empresas ferroviárias, mas convenhamos que o mercado ferroviário não é do tamanho que costumava ser. Estamos vendo isso acontecer neste momento, com as dores de barriga das gravadoras de CD e a revolução da música sendo distribuída em meio digital.

Use a tecnologia apenas como um meio para seu negócio funcionar. O objetivo é transportar pessoas no seculo IX? Use trens à vapor. No sec. VI use Charretes. Hoje use motores híbridos, porque ser “verde” é a aposta pro futuro. Seu negócio é o mesmo, mudou a maneira de fazer. Se você é responsável por um negócio ou produto, pare e pense: seu negócio depende de uma tecnologia?

Não estou dizendo, de maneira nenhuma, que negócios dependentes de tecnologia são pouco-rentáveis. O petróleo deixou muita gente rica no século passado, a produção de azeite e cerâmica deixou muita gente rica na roma antiga. Porém, se você atrelar seu negócio a uma tecnologia que morra antes da empresa dar o retorno financeiro planejado, você fracassou, e diferente da roma antiga, tecnologias estão nascendo e morrendo muito rapidamente desde a popularização da Internet. Estamos prestes a uma possível nova mudança, com a centralização do tráfego da Internet em redes sociais, os websites como conhecemos hoje podem deixar de existir. Se você confiar seu sucesso na quantidade de sites existentes corre o risco de ficar pra trás quando tudo se unir em poucas (e enormes) redes sociais.

O negócio do Google é organizar a informação produzida pela humanidade, o negócio do boo-box é fazer marketing relevante, em minha opinião ambos são negócios independentes de tecnologia. E o seu negócio, qual é?

Marco Gomes dreads 2006-10 Marco Gomes é nerd; praticante de parkour; tinha espinhas até o meio do ano quando se meteu num tratamento com drogas pesadas; é diretor de tecnologia da boo-box. Escreveu esse texto na noite de uma sexta-feira, sentado no jardim da casa que mora em São Paulo.

Ação viral espontânea inesperada da boo-box

Gostaria de compartilhar com meus leitores uma ação viral espontânea inesperada[bb] que aconteceu com a boo-box neste Campus Party:

Baunilha com o logo da boo-box No fim da noite de terça-feira, fiz várias fotos com blogueiros segurando o logo do boo-box e postei no grupo Campus Party BR do Flickr, era pura brincadeira, não peguei autorização de uso de imagem de ninguém, não sabia onde iriam parar as fotos, foi uma diversão entre amigos, conheço pessoalmente todos os fotografados e confio que nenhum deles se incomodará com o uso responsável das fotos.

Jess com o logo da boo-box A surpresa foi quando o Wendely e o Mauricio, os dois ninjas boo-box, me apontaram um telão… Durante a tarde e a noite da quarta-feira as fotos dos blogueiros segurando o logo da boo-box foram exibidas em loop no telão do stand do Flickr, só porque eu as postei no grupo Campus Party BR, mídia gratuita, descontraída, divertida, espontânea, tudo por conta de uma idéia simples que alguém soltou no ar e eu pesquei XD

Mobilon com o logo da boo-boxO resultado da ação foi muto mais “moral” que prático, provavelmente não conseguimos nenhum usuário por conta das fotos no telão, mas agora a marca está lá, guardada na memória das pessoas[bb].

A vida em uma startup nos dá essas boas surpresas, surpresas de Deus/acaso/sorte/destino/[qualquercoisa] podem de dar uma grande injeção de ânimo.

Novidades do boo-box

Algumas pessoas perguntaram quais foram as novidades do boo-box anunciadas neste final de semana, pra não deixar este blog chapa-branca demais não vou publicar todas as atualizações aqui. As novidades e atualizações do boo-box ficam sempre nos blogs: boo-box em português e boo-box em inglês.

Esse final de semana, durante o excelente BarCamp Rio anunciamos a integração com Submarino e Americanas.com, API XML totalmente aberta e links viajantes, que aparecem em RSS, e-mails, sites chupa-cabra e onde mais seu conteúdo for parar =)

O Richard Barros filmou toda a apresentação veja no YouTube, o Sérgio Lima fez um video com o início, o Fugita, do TechBits, fez um post especificamente sobre a API.

Saiba mais sobre o BarCamp Rio lendo posts indexados pelo BlogBlogs e veja as fotos no Flickr.

Parabéns ao Nick Ellis pela excelente organização e esforço sobre-humano pra lotar a PUC-Rio de pessoas interessadas em treconologia e Internet. Uma curiosidade: Quando cheguei na PUC, percebi que a universidade é “a faculdade dos maconheiros” no Tropa de Elite[bb].

Wallpapr – Nova versão

Está no ar a nova versão do Wallpapr, o meu serviço que busca de papéis de parede legais no Flickr.

Wallpapr

Resolvi refazer o serviço porque saiu uma nova versão do jQuery, a melhor biblioteca JavaScript que há, eu precisava testá-la. Queria também matar minha sede por simplificar interfaces, arrancando tudo quanto é elemento supérfluo.

Depois de algumas horas de briga com os Internet Exploders, saiu o que você pode conferir em http://marcogomes.com/wallpapr/en/

Principais novidades:

  • Interface novinha em folha, bem mais simples e com menos elementos.
  • Animações JavaScript pra todo lado.
  • Feito com jQuery e não mais prototype.js e script.aculo.us.
  • Maior velocidade no resultado das buscas, já que não há mais o proxy rodando no servidor, graças ao… (próximo item)
  • uso da técnica JSONP, que acessa a API do Flickr diretamente pelo JavaScript, sem necessidade de programação server-side.
  • Não funciona no Opera Browser
  • Não tem Google AdSense

É importante salientar que, graças ao novo jeito de carregar JSON do jQuery, o Wallpapr não tem nem uma linha de código rodando no servidor, acesso a API do Flickr é feito diretamente pelo JavaScript rodando no cliente, graças à isso posso continuar mantendo minha saudável aversão à programação server-side \o/