Marco Gomes

nerd veterano, interneteiro profissional, parkouzeiro amador, evangélico aprendiz, fotógrafo iniciante

Textos marcados como ‘lei’

Entendendo o Projeto de Cibercrimes do Azeredo

Publicado em 2008-07-15, 4 comentários

Lu Monte explica direitinho o Projeto de Cibercrimes, se você tem dúvidas sobre a versão que passou no Senado, ou nem sabe do que estou falando, leia o artigo pra entender, ela é formada em Direito e sabe do que está falando.

A versão que passou pelo Senado é muito melhor que a versão original do Azeredo, mas mesmo assim tem umas confusões preocupantes, Lu explica:

Passa a ser crime espalhar cavalos-de-tróia, vírus ou qualquer outro código capaz de causar dano a computadores ou outros apetrechos de comunicação, mesmo que não haja intenção. Você acha que isso é um avanço? Pense duas vezes.

Provavelmente, você já difundiu códigos maliciosos por aí. Já vi gente esperta, com anos de internet, ter o computador invadido por trojans que se auto-enviam por email para toda a lista de contatos. O dono do computador nem fica sabendo. O projeto de lei não está nem aí: cadeia nele!

Outro ponto preocupante:

De “boa parte”, você passaria a ter todos os seus movimentos vigiados, por uma empresa privada muito mais próxima que a “entidade” Google e, pior, perfeitamente acessível à “autoridade investigatória”. Aí, entra a clássica questão: “Quem observa os observadores?”. Quem garantiria o uso adequado desses dados?

Existem muitos outros problemas nesta versão que passou pelo Senado, em minha humilde opinião a lei não pode passar desse jeito na Câmara porque, mesmo com as melhorias em relação a versão anterior, ainda teremos graves problemas[bb].

Produtividade pra programadores

Publicado em 2008-04-10, 11 comentários

Algumas semanas atrás o Diego (Tableless) Eis me encaminhou uma cópia do documento sobre Produtividade que o Élcio Ferreira escreveu, onde ele fala sobre montagem de bicicletas, construção de software e qualidade de código.

Veja bem: Eu recebi o documento, de graça, pra escrever sobre ele aqui no blog, não recebi dinheiro e não alterei minha opinião só porque recebi de graça, cada palavra que você lê aqui é sincera e não pode ser comprada. Se você está incomodado com essa atitude, pare de ler o post agora e me xingue por email. É bom que eu saiba quantos leitores meus condenam este tipo de prática.

Ele fala um bocado de coisas que eu, Marco Gomes, já sei, como conceitos da Web 2.0, Padrões Web, AJAX e JSON, isso é praticamente metade do documento. É bom pra introduzir o assunto a quem está completamente fora desde mundo ou nunca trabalhou com conceitos mais modernos da Web.

O que mais valeu a pena, na minha experiência de leitura, foram os capítulos sobre Programação Pragmática, Não Repita a si Mesmo (DRY), Ortogonalidade (Desacoplamento) Tracer Code, Desenvolvimento Orientado a Testes (TDD) e Controle de Versão.

Programação Pragmática[bb] é um conceito/filosofia/mentalidade/religião que vem me conquistando cada vez mais nos últimos dias. Nas palavras do Élcio:

O programador pragmático é, antes de tudo, um inconformado e um otimista. Ele não consegue repetir dezenas de vezes a mesma tarefa sem se perguntar se há uma maneira melhor. Ao mesmo tempo, ele acredita que há maneiras melhores, e que ele pode desenvolver uma.

[...]

O programador pragmático não se contenta em conhecer uma solução, uma linguagem e um jeito de aprender a fazer as coisas.

[...]

Outra atitude do programador pragmático é a responsabilidade. Ele não se contenta em sentar-se em seu cubículo e esperar por tarefas de programação, mas entende que é parte do seu trabalho envolver-se em todo o processo de desenvolvimento.

Significa que ele nunca vai dizer coisas como:

_ Não fiz backup do código, isso é responsabilidade do departamento de infra-estrutura. (Não importa de quem é a culpa, você vai ter que fazer de novo.)

_ Eu imaginei que isso não ia funcionar, mas o cliente quis assim. Ele assinou uma aprovação para o desenvolvimento disso. (Você viu o problema e não disse nada?)

_ O framework que nós compramos não fala com as versões antigas do nosso banco de dados. (Sim, e?)

Isso é só uma pequena amostra, se você se interessou por este pequeno pedaço, compre o PDF completo.

Estes conceitos de programação pragmática e produtividade já foram usados em meu mais novo projeto, a integração boo-box + WeShow, que ainda não foi publicada mas vai entrar no ar em breve. Veja no blog boo-dojo como eu conduzi a implementação da parte client-side do projeto.

Além disso, eu também já escrevi sobre produtividade pra instruir uma equipe que eu coordenava no meu emprego anterior, é um documento bem antigo, mas que contém muita coisa boa.

Saiba mais sobre programação pragmática

Recomendação: Bom conteúdo não teme buscadores

Publicado em 2008-02-26,

Texto meu no boo-blog, sobre a dependência de buscadores e os perigos que isso gera.

Toda uma economia surgiu em volta dos sistemas buscadores de conteúdo, muitas startups Web brasileiras da “segunda geração” dependem deles para gerar receita. Um caso comum ocorre quando o serviço indexe conteúdo de outros sites geram páginas otimizadas para busca; colocam anúncios orbitando o conteúdo e esperam o tráfego vir dos buscadores, onde os chamados leitores pára-quedistas vão clicar inadvertidamente nos anúncios, gerando receita.

O problema com este modelo de negocios[bb] é que se o buscador mudar uma chave no seu sistema de relevância de resultados, o tráfego para o serviço pode ser seriamente afetado, com isso a startup pode definhar até a morte. Como qualquer iniciante[bb] sabe, é perigoso construir um negócio que dependa de uma única empresa que não seja a sua.

Continue lendo no boo-blog em português, se preferir, temos também a versão em inglês.

Comentários fechados, comente no blog de onde o artigo foi extraído.

Concentre-se no que não muda

Publicado em 2008-02-24, 9 comentários

O artigo abaixo foi originalmente publicado na revista iMasters número 4, de fevereiro de 2008. O conteúdo da revista está muito bom, entre vários bons textos, tem Luiz Yassuda e Gilberto Jr. Se você gostar desde artigo, compre a revista (se não gostar desculpe, mas compre a revista mesmo assim :)

O mercado da Web fascina, não passa uma semana sem que fiquemos sabendo daquele primo do amigo que ganha quantias absurdas como consultor Java, .Net ou Vignette. Revistas de negócios adoram estampar em suas capas os promissores jovens bilionários da Internet, sempre dando a entender que a fortuna foi feita sem muito esforço.

É óbvio que um mercado tão fascinante atrai muitas pessoas, normalmente gente que navega na Internet e acha que “fazer site” pode ser tão fácil quanto os cursos de banca de jornal anunciam. Inúmeras vezes me perguntaram que tipo de curso ou tecnologia deve-se aprender pra conseguir alcançar o sucesso profissional, que, acreditam eles, é ganhar quantias absurdas sendo consultor.

Java, .Net, Photoshop, Illustrator, Ruby on Rails, Django, Python, tudo isso vai passar e se tornar peça de museu. Cobol, Delphi, Corel, 3D Studio Max já foram minas de ouro nesse mesmo mercado, acredita? Você deve escolher um caminho e focar em seus conceitos; resolver problemas usando lógica[bb], se comunicar usando palavras escritas[bb], expressar idéias através de imagens[bb], despertar sentimentos só com o uso correto das cores[bb], isso é o importante.

Peguemos um caso específico: Programação.

Houve um dia, em que programar era apenas fechar e abrir caminhos em uma placa de circuitos, tudo que você podia fazer era definir o caminho do bit (isso é grego pra mim também, relaxa), hoje, as coisas estão um pouco mais elaboradas, graças a Deus. Atualmente você pode usar enormes coleções de recursos criados por outras pessoas pra ser mais produtivo, é muito comum que projetos Web da atualidade usem mais código de terceiros que do próprio programador; são os famosos frameworks e bibliotecas: jQuery, .Net, Rails, Struts, Prototype entre outros. Quem sabia apenas como fechar e abrir circuitos teve sérios problemas com a mudança da maneira de programar, quem sabia a resolver problemas lógicos simplesmente jogou ferramentas velhas fora e aprendeu a usar essas mais novas.

Abstraindo bastante, programação sempre foi a mesma coisa: Ordenar que um processador execute ações pré-determinadas após a inserção de dados, sejam estes um cartão perfurado com informações demográficas, uma palavra específica numa tela de letras verdes sobre fundo preto, um clique do mouse em uma aplicação do Facebook. Nos anos 70 as pessoas queriam programas fáceis de usar, rápidos, eficientes e baratos, hoje isso não é diferente, acho impossível daqui a 30 anos os usuários pedirem programas caros, lentos, ineficientes e díficeis de usar =)

Esqueça a água, foque-se o leito do rio

John Dewey descreve esse tipo de situação como um homem que pretende atravessar um rio, se ele ficar olhando a água, esperando esta “passar” pra, só depois, atravessar, vai esperar por toda a vida. Nosso personagem deve se concentrar no leito do rio, em atravessar a água pra chegar na outra margem.

É a percepção do que não muda que diferencia o macaco codificador do profissional que resolve problemas. Se você está entrando agora no mercado, pare e reflita: o que você sabe te diferencia do carinha espinhento que acaba de sair do curso técnico mais respeitado da cidade? E se, de repente, a tecnologia que você se especializou for substituída por uma ferramenta Livre mantida por uma comunidade de desenvolvedores apaixonados? Você vai poder “portar” os anos de experiência que já tem, ou vai jogar uma parte da sua vida no lixo e aprender tudo novamente? E daqui a 5 anos quando a tecnologia mudar novamente? Seja inteligente, concentre-se no que não muda.

Nos negócios, não construa trens, transporte pessoas

No início do século XX, as então soberanas empresas do ramo ferroviário entraram em crise financeira irremediável e quebraram, por conta da revolução dos automóveis. O mercado aprendeu: as empresas não deveriam estar no negócio de construir trens e ferrovias, elas deveriam estar no negócio de transportar pessoas. Pessoas sempre vão precisar ser transportadas, seja à cavalo, seja com teletransporte.

Empresas que se restringem a trilhos de trem, charretes, automóveis, gravações de áudio em CDs, World Wide Web, impressões em papel ou qualquer tecnologia; estão condenadas a passar maus bocados quando a mesma for substituída. Admito que tecnologias dificilmente “morrem” de totalmente, graças a isso ainda existem empresas ferroviárias, mas convenhamos que o mercado ferroviário não é do tamanho que costumava ser. Estamos vendo isso acontecer neste momento, com as dores de barriga das gravadoras de CD e a revolução da música sendo distribuída em meio digital.

Use a tecnologia apenas como um meio para seu negócio funcionar. O objetivo é transportar pessoas no seculo IX? Use trens à vapor. No sec. VI use Charretes. Hoje use motores híbridos, porque ser “verde” é a aposta pro futuro. Seu negócio é o mesmo, mudou a maneira de fazer. Se você é responsável por um negócio ou produto, pare e pense: seu negócio depende de uma tecnologia?

Não estou dizendo, de maneira nenhuma, que negócios dependentes de tecnologia são pouco-rentáveis. O petróleo deixou muita gente rica no século passado, a produção de azeite e cerâmica deixou muita gente rica na roma antiga. Porém, se você atrelar seu negócio a uma tecnologia que morra antes da empresa dar o retorno financeiro planejado, você fracassou, e diferente da roma antiga, tecnologias estão nascendo e morrendo muito rapidamente desde a popularização da Internet. Estamos prestes a uma possível nova mudança, com a centralização do tráfego da Internet em redes sociais, os websites como conhecemos hoje podem deixar de existir. Se você confiar seu sucesso na quantidade de sites existentes corre o risco de ficar pra trás quando tudo se unir em poucas (e enormes) redes sociais.

O negócio do Google é organizar a informação produzida pela humanidade, o negócio do boo-box é fazer marketing relevante, em minha opinião ambos são negócios independentes de tecnologia. E o seu negócio, qual é?

Marco Gomes dreads 2006-10 Marco Gomes é nerd; praticante de parkour; tinha espinhas até o meio do ano quando se meteu num tratamento com drogas pesadas; é diretor de tecnologia da boo-box. Escreveu esse texto na noite de uma sexta-feira, sentado no jardim da casa que mora em São Paulo.