Marco Gomes

Criador da boo-box. Empreendedor dedicado, nerd veterano, interneteiro profissional, cristão aprendiz, fotógrafo amador, marido apaixonado.

Textos marcados como ‘livro’

Estou no livro “Brilliant, Crazy, Cocky” sobre empreendedorismo em mercados emergentes

Estou muito honrado em ser o escolhido para abrir este livro com histórias de empreendedores de várias partes do mundo. Sarah Lacy conta desde minha infância no Gama (DF) até a atualidade, o noivado e o empreendedorismo na boo-box.

Capa do livro Brilliant Crazy Cocky de Sarah LacyBrilliant, Crazy, Cocky é o novo livro de Sarah Lacy, sobre empreendedorismo[bb] em mercados emergentes como China, India, Indonésia e Brasil.

É com muita humildade que divulgo o livro pra vocês, não para me engrandecer (toda honra e glória a Ele), mas para que sirva de exemplo para jovens que, como eu, nasceram e crescem em ambiente hostil e precisam de força para enfrentar as dificuldades.

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A Internet e o fenômeno do auto-bigbrothering

Em sua palestra sobre Inovação no MeioBit Expo, Luli Radfahrer observou que algumas décadas atrás a maior preocupação que tínhamos era a do controle e observação do tirano Big Brother, que iria monitorar e observar todos os nossos passos, mas hoje, disse Radfahrer, nós nos auto-bigbrotheamos pelo Twitter.

Fiquei intrigado com tal observação, se num passado recente nós temíamos o controle e observação, por que hoje fazemos questão em dizer o que estamos fazendo e pensando através de microblogs, redes sociais, blogs e status de mensageiros instantâneos? Concluí que a grande diferença entre o controle tirano descrito no livro 1984 (de George Orwell)[bb] para o auto-bigbrothering que praticamos hoje é o controle de quais informações compartilhamos.

Na Internet eu escolho o que vou compartilhar

Todos nós temos informações que julgamos privadas, coisas que preferimos deixar restritas apenas à pessoas próximas ou até totalmente secretas, informações que só você tem.

No controle exercido pelo tirano Big Brother, o indivíduo não tem o poder de escolher o que compartilhar, as teletelas estão presentes em quase todos os ambientes, observando tudo e todos, e onde não há uma teletela há um membro do Partido esperando que você cometa um deslize pra que ele conte às autoridades e aumente seu prestígio, cada um por si e Deus contra todos.

O mundo digital contemporâneo, no entanto, nos deu o controle do que compartilhar, eu escolho que diretórios do meu computador ficarão disponíveis nas redes de compartilhamento de arquivos, minha coleção de músicas está disponível pra qualquer um pegar, minhas fotos não. Eu escrevo no Twitter as informações que acho que serão relevantes pra quem me segue, mas nunca conto coisas que possam me comprometer ou ridicularizar.

A Internet deu poder pra que cada um de nós se tornasse um hub social, um indivíduo, sozinho, pode formar opiniões de vários outros através de sua influência, e ainda assim ter o controle de quanta informação quer compartilhar, podendo, inclusive, escolher não compartilhar informação alguma.

The revolution will put you on the driver’s seat
(A revolução vai colocar você no assento do motorista)

Gil-Scott Heron[bb]The Revolution Will Not Be Televised.

Interfaces Modais e Quasimodais

Projeto de Interfaces

Pretendo, a partir de agora, escrever um pouco sobre a construção de interfaces, na minha eterna luta por tornar o mundo um pouco melhor e os computadores mais fáceis de usar… Pra quem não sabe, o boo-box surgiu da pergunta: E se eu pudesse clicar na foto e comprar o All Star que a Gisele Bündchen está usando?

A construção de interfaces é normalmente tomada como frescura por profissionais de outras áreas do desenvolvimento de aplicativos e websites, é comum vermos sistemas extremamente complexos, com mais tabelas no banco de dados que a quantidade de ex-namoradas do programador, processo de produção minuciosamente acompanhado por um profissional de gestão de projetos, seguindo regras ITIL e ISO, mas com interface sofrível e absurdamente não utilizável.

Jef Raskin foi um visionário, fundou o projeto Macintosh e mudou o mundo com suas idéias sobre Interfaces Humanas[bb] (saiba mais na Wikipédia). Um de seus principais pilares era “tarefas simples devem permanecer simples”. Por que ajustar a hora em relógios digitais é tão complexo enquanto em relógios analógicos (de ponteiros), que são mais antigos, é tão fácil? Por que achar aquele doc sobre “A Teoria Cognitiva de Piaget” no seu Windows Explorer é tão mais difícil que achar um documento na sua pasta da faculdade? Tarefas simples devem permanecer simples.

Interfaces Modais facilitam o erro

Interfaces Modais têm seu comportamento alterado de acordo com um comando do usuário. Um bom exemplo é a tecla Caps Lock, você ativa ela sem querer, ou se esquece que ativou, E DE REPENTE SEU TEXTO COMEÇA A GRITAR COM O LEITOR. Teria evitado várias brigas no MSN caso isso pudesse ser deligado. O maior problema é que os usuários esquecem que mudaram o modo da interface e ela passa a se comportar de maneira inesperada. Tenho um amigo progamador que arranca a tecla “Power” de todos os teclados que usa, pra não desligar o computador por engano.

Interfaces Quasimodais dificultam o erro

A solução proposta por Raskin para Interface Modal era a Quasimodal, quasi em grego significa (adivinhe?) quase. Ou seja, interfaces “perto de serem modais”.

Uma interface quasimodal exige que o usuário ativamente mantenha o modo ativado, um bom exemplo é a tecla Shift, eu duvido que alguém tenha “gritado” com seus leitores por “esquecer que estava com o dedo no Shift”. Outro exemplo são os microfones de aviões, aeroportos ou lojas de departamento, caso a ativação seja simplesmente pressionando um botão, podem ocorrer situações em que o microfone fica transmitindo conversas inapropriadas. Se a ativação for pressionando constantemente um botão, esses erros desaparecem, ninguém vai xingar o chefe enquanto estiver pressionando o botão de “transmitindo”.

Outro exemplo de erro em interfaces modais são as janelas de monólogo, famosos alertas usados em websites e programas de desktop, uma janela com uma frase qualquer e somente uma opção: o botão Ok. Quantas vezes eu digitei caracteres insanamente, nervoso por meu “teclado ter parado de funcionar ou o computador estar travado” quando, na verdade, havia um alerta escondido embaixo de alguma janela ou perdido no segundo monitor (quando estou usando dois).

JavaScript Alert
Alerta “monólogo”.

A solução, segundo Raskin, são mensagens semitransparentes, que desaparecem após alguma ação do usuário, como movimentar o mouse ou apertar qualquer tecla. Somado a isso podemos ter um log das mensagens, caso o usuário perca a mensagem pode olhar no log e verificar quais foram os avisos que recebeu. Essa solução resolve o problema do falso travamento e melhora a usabilidade, pois você não precisa clicar no inútil “Ok”.

Aviso semitransparente da boo-box
Aviso semitransparente após o envio de e-mail no boo-box

capa de The Human Interface

Você pode conferir as idéias de Jef Raskin no livro “The Humane Interface”[bb], de 2000, onde ele destrincha, com certo humor, os erros das interfaces computacionais que estamos acostumados a usar e propõe boas soluções, mostrando que nem sempre “manter a solução que já vem sendo utilizada” é a solução mais inteligente para um problema.

Além do livro confira também o blog da Humanized, a empresa de Aza Raskin, o filho do gênio, onde ele dá continuidade ao trabalho do pai, que morreu em 2005.

Um bom exemplo de interface que leva em consideração as idéias de Jef e Aza Raskin é o Songza.com (via Cairo Gomes). Projetado pelo próprio Aza, é um sistema que busca músicas pra serem ouvidas facilmente, pegando videos do YouTube e tocando apenas o áudio, preste atenção na facilidade e fluidez de uso da aplicação.