Marco Gomes

nerd veterano, interneteiro profissional, parkouzeiro amador, evangélico aprendiz, fotógrafo iniciante

Textos marcados como ‘profissao’

Campanha: Programar é grátis!

Publicado em 2008-11-17, 89 comentários

Se você quer ser um desenvolvedor de aplicativos para Internet, webdesigner, programador, analista de sistemas web, qualquer nome que seja, lembre-se: Programar é grátis!

Você não pode esperar arrumar um estágio, ou emprego, que te ensine (de mão beijada) a ser um bom desenvolvedor. Um bom desenvolvedor se cria sozinho, nas madrugadas selvagens dos canais de IRC e grupos de e-mail.

Explico.

Como Diretor de Tecnologia da boo-box, enfrento a nada fácil tarefa de formar um time com os melhores desenvolvedores, os ninjas da boo-box. O processo de seleção é contínuo, e a maior parte das vezes me deparo com e-mails desanimadores, abaixo alguns exemplos reais, e o que pensei após ler:

Envio-lhes um pseudocodigo feito no 1º semestre da faculdade.

Que eu saiba, pseudocódigo não roda em nenhum computador. Bunda mole.

Tanto em PHP quanto em Java Script só oque eu vi na faculdade , mais nada que eu não consiga aprender , até porque a base eu ja tive na faculdade.

Pra começar: JavaScript[bb] é escrito junto, e se você teve a base na faculdade por que não gastou umas horinhas aprendendo “o restante” em casa? Bunda mole.

Coloquei somente 2 exemplos que consegui achar, pois meus códigos na Bolsa estão restritos.

Seu trabalho é supersecreto? Então contribua pra um projeto de Software Livre ou faça um aplicativo em seu tempo livre. Bunda mole.

Não fiz trabalhos orientados a objeto ainda, tenho muita vontade de trabalhar com orientaçao a objetos.

Tem muita vontade? Muita mesmo? Nossa, e está esperando mudar de emprego pra aprender né? Bunda mole.

Se você já usou argumentos semelhantes aos exemplos acima, vou te revelar uma coisa: Você pode mudar sua vida, e até mudar o mundo, com o mesmo equipamento que usa pra ficar o dia inteiro no orkut trocando recadinhos com as peguetes, sério!

Listinha da alegria pra quem não lê parágrafos:

  1. Consiga um computador conectado na Internet, serve o que está usando pra ler este texto, ou qualquer outro, com qualquer sistema operacional, pode ser até um netbook como o EEE PC[bb].
  2. Crie uma conta no Google App Engine e baixe o SDK.
  3. Prepare-se pra usar intensamente um serviço de buscas e uma documentação de Python.
  4. Use bibliotecas e códigos de terceiros no início, comece com humildade e vá se aprofundando com o tempo.
  5. Invista algumas madrugadas desenvolvendo aplicativos que funcionem de verdade, nem precisam ser inéditos, comece com sistemas de blog, chat, agregadores de feed…

Garanto que seguindo os passos acima você vai poder aprender muito mais sobre programação pra Internet do que qualquer graduação em Sistemas de Informação vai conseguir te ensinar.

E não precisa ser apenas com Google App Engine! Embrenhe-se no Ruby[bb], PHP[bb], JavaScript[bb], HTML[bb], Flash[bb], faça uns layouts no Photoshop, escreva um blog, melhore verbetes na Wikipédia, contribua pra humanidade de alguma maneira :)

E se você for realmente ousado, vai construir o site da empresa do seu tio mesmo sem saber como fazer, cobrará R$: 500,00 e usará uma parte disso pra melhorar seu computador ou conexão com a Internet. Foi assim que eu comecei, e a maior parte dos bons desenvolvedores de hoje também fez isso 4, 8, 10 anos atrás.

Eu sei que um computador conectado na Internet não é gratuito, tem custos, normalmente altos, o nome da campanha é “Programar é grátis” só pra causar impacto :)

Quando for mandar um e-mail tentando uma vaga pra ser desenvolvedor, escreva algo parecido com a mensagem abaixo, que também é real:

Marco não tenho muita experiência, estou buscando ela através de um estágio. Estou construindo um site e fiz um sistema de controle de gastos pessoais em PHP/MySQL. Eu adicionei um dos códigos no pastie.org. Abaixo segue o link para o arquivo.

O texto acima me deu muito mais confiança no candidato que os exemplos bunda mole anteriores, este candidato não tinha experiência, e sabendo disso, estava construindo um sistema simples em PHP e MySQL pra ele mesmo usar, é assim que um ninja age.

Parabéns aos ninjas em atividade Mauricio Maia, Dirceu Pauka, Samuel Prado e Fernando Mafra ( @fmafra ). Eles são parte do time que faz tudo a boo-box continuar rodando, sempre trazendo inovação, projetando novos produtos inclusive em seu tempo livre. Porque um ninja nunca baixa a guarda emoticon ninja

[update 2008-11-17] Para ler um argumento a favor de cursos e conhecimento teórico antes do conhecimento prático, veja o comentário do Ricardo, aqui mesmo neste texto. Eu discordo do que ele diz, mas você deve ler pra julgar por si mesmo :)

Afinal, o que eu devia fazer da vida?

Publicado em 2007-08-31, 22 comentários

A experiência desagradável na UnB

Quando tinha 19 anos, dois anos após entrar no curso de Computacão da UnB, fiquei em dúvida sobre o que eu realmente queria fazer da vida.

A verdade é que eu odiava dois terços do que era obrigado a estudar na UnB, e olha que eu mal havia começado. Programação em C, Lógica Proposicional Clássica, Cálculo! Aquilo não era pra mim, definitivamente.

Eu estava a um ano trabalhando em uma agência de publicidade, maravilhado com a criação de campanhas de marketing pra Internet, posicionamento de marcas, impacto na percepção dos clientes, usabilidade de grandes portais de comunicação. Na UnB eu era obrigado a ignorar tudo que aprendia durante o dia e provar, nas aulas de Lógica, que “se fi é verdadeiro e não-psi é verdadeiro, então fi implica não-psi é verdadeiro” (ou qualquer coisa assim, não importa pra mim).

Essa insatisfação gerou longas conversas com o Guga, um redator publicitário[bb] da agência, sobre a época em que ele próprio teve essa mesma dúvida. Eu não me conformava em ter desgostado do curso justamente após ter conseguido entrar, quem já tentou entrar em qualquer federal sabe o quanto é difícil, eu não podia ser tão inconsequente e largar uma chance que todos os meus amigos queriam ter… Como sempre, fiz o que o todo mundo julgou ser a coisa mais estúpida que podia ser feita: larguei (até quis pagar meu amigo Judeu pra ele explodir o minhocão inteiro, mas faltou verba pro C4).

Durante toda minha vida eu gostei de tecnologia, cresci sonhando e trabalhar com computadores, como meus tios que eu tanto admiro. Numa madrugada qualquer de 1997, aos 11 anos, conheci a linguagem HTML, a primeira maneira de construção de interfaces que aprendi, decidi que era aquilo que eu queria fazer pra sempre: Programar (eu achava que HTML é programar, não ria muito).

Quando entrei na UnB encontrei acadêmicos 20 anos atrasados, no mercado descobri o mundo da comunicação e percebi que codificar não era exatamente o que me excitava, o que me deixava maluco era construir interfaces que conversassem com outras pessoas e fizessem pensar “nossa, como é legal usar isso!”.

Resultado, dois anos na UnB, muitas noites perdidas, alguns problemas de saúde, algumas boas oportunidades profissionais por conta da sigla “UnB” no currículo, alguns ótimos amigos, uma mudança repentina de rumo profissional e várias lições aprendidas, principalmente a de como mostrar pro meu filho (quando eu tiver um) como decidir a carreira antes de entrar na bendita universidade.

Colleges differ, but they’re nothing like the stamp of destiny so many imagine them to be. People aren’t what some admissions officer decides about them at seventeen. They’re what they make themselves.

Universidades são diferentes, mas não são a etiqueta de destino que muitos imaginam que é. Pessoas não são o que algumas bancas de exame decidem sobre elas aos 17 anos de idade. Pessoas são o que fazem de si próprias.

Paul Graham: News from the Front

Leia um post meu que ilustra essa época sofrida em que tentei conciliar UnB e trabalho.

Como evitar o meu problema?

Ikwa - logo

Pra evitar que jovens tenham decepções com seu curso superior, está nascendo, pertinho do boo-box, o Ikwa, um sistema de aconselhamento profissional que estou vendo nascer. O objetivo inicial é intervir na escolha de carreira dos alunos de ensino médio, fazendo o papel do psicólogo com menos custo para a escola e mais eficiência para o estudante.

O time é campeão: Marco Noleto, um ótimo designer. No Ruby on Rails tem um punhado de japoneses gênios, um ocidental todo tatuado e um cabeludo que fala bem baixinho. Uma galera responsável pelos videos e vários redatores, inclusive uma super-gatinha e um mano do hip-hop. Todos liderados por um cara sangue-bom da geração saúde.

O serviço promete, cadastrem-se e aguardem =)

OBS: Este post não foi patrocinado ¬¬