Marco Gomes

Criador da boo-box. Empreendedor dedicado, nerd veterano, interneteiro profissional, cristão aprendiz, fotógrafo amador, marido apaixonado.

Textos marcados como ‘roda’

Timmy on Time, gerenciamento de projetos usando o Instant Messenger

Timmy on Time é um sistema de gerenciamento de projetos registro de tempo com uma abordagem absurdamente criativa, do tipo porque ninguém pensou nisso antes?, exatamente do tipo que eu gosto.

Você adiciona um contato na sua lista do Google Talk (ou qualquer instant messenger que rode na rede Jabber) e vai conversando com o robô que está do outro lado, você dá ordens e ele executa.

Abaixo o log do meu primeiro minuto de conversa com o robô:

  • Timmy:
    Looks like you’re a new user!
    Type REGISTER to register yourself to Timmy!
  • Marco:
    register
  • Timmy:
    You are now a user of Timmy!
    Type ‘CREATE PROJECT the project name’ to start a new project.
  • Marco:
    create project boo-box
  • Timmy:
    What’s the description of the project? (write ‘none’ to let it blank)
  • Marco:
    none
  • Timmy:
    I created a project named ‘boo-box’.
  • Marco:
    select project boo-box
  • Timmy:
    I set your current project to ‘boo-box’
  • Marco:
    create task remake the box layout
  • Timmy:
    I created and started a task named ‘remake the box layout’. Write ‘stop’ when you’re done working on it.
  • Marco:
    stop
  • Timmy:
    stopped counting time for ‘remake the box layout’
  • Marco:
    register web
  • Timmy:
    To access your account on the Web, please follow this link : http://www.timmyontime.com/web/users/register?k=XXXXXXXXX (link editado pra você não destruir meu projeto =)

Pronto, se eu entro no site do Timmy on Time, vejo um relatório das minhas tarefas, projetos, tempos gastos nas tarefas. Simples, objetivo, e inovador.

Agora que esse tipo de abordagem surgiu, com certeza novas aplicações vão surgir usando esse conceito de ter o instant messenging como interface para aplicações… E alguém por aí disse que o futuro eram aplicações rodando no navegador Web, digo que o futuro são aplicações espalhadas de tudo quanto é jeito, até via telefone ou carta manuscrita ;)

Safari no Windows, nativo

Safari 3 on Windows too

A Apple acaba de lançar um beta do Safari 3 que roda em Windows.

Eu não tive como testar ainda, porque estou usando Mac OS X, mas achei bom avisar os menos sortudos que a partir de agora será mais fácil testar sua interface no navegador padrão das máquinas mais perfeitas do mundo.

Workspace, um ambiente de desenvolvimento web no navegador

Workspace logo Post relâmpago e não revisado sobre um serviço que me deixou impressionado, do tipo “como ninguém pensou nisso antes?”: Workspace (péssimo nome, diga-se de passagem), a proposta é que seja um ambiente de desenvolvimento completo, acabo de testá-lo, por enquanto são editores de texto e um gerenciador de arquivos FTP. Rodando dentro do seu navegador.

É simples, diga o endereço dos seu servidores FTP, as senhas e os nomes de usuário. Os arquivos vão ser listados numa janela, clique em um deles, edite-o e salve-o, pronto, o arquivo já está em seu server, modificado como vc queria, sem upload, sem pedido para sobrescrever. A versão atual dos editores colore o texto de arquivos nas linguagens mais comuns, HTML, CSS, JavaScript, PHP entre outros.

O serviço tem muita chance de dar certo, imagine as situações em que uma coisa assim pode salvar sua vida, viagem, coisas do escritório sendo ajustadas em casa e vice-versa, alterações de texto diretamente no site sendo feitas pelo redator. Agora é esperar a coisa amadurecer, ganhar recursos, opções de compartilhamento de sites, quem sabe até editor WYSIWYG.

A maior vantagem das aplicações que rodam no navegador é não precisar baixar/configurar nada, simplesmente funciona, é lento, mas se for bem programado pode salvar vidas.

Busica – Sistema de busca para música brasileira

Busica é meu novo projeto de uma noite. A idéia é simples: Um sistema de busca que procura albuns e artistas apenas em sites especializados em música brasileira. Tipicamente blogs de boa música como o Cápsula da Cultura.

Feito em tempo recorde, menos de 4 horas. Usei o Havia usado o Rollyo, ferramenta já disponível na web. Agora está rodando sobre Google Co-op por ter uma tela de resposta mais amigável ao usuário leigo. Pretendo migrá-lo para um sistema próprio em breve, mas precisava lançá-lo logo. O maior problema de não usar um sistema próprio é que a interface de resultados da busca é totalmente diferente de onde a busca é feita, o que pode gerar problemas sérios de usabilidade. Mas acalmem-se, o sistema próprio deve vir em breve, eu espero =)

Dessa vez o foco não foi aprender a usar ou testar nada, simplesmente tive uma boa idéia e quando apresentei-a aos amigos recebi apoio. Precisava implementá-la o quanto antes pra que eles próprios não o fizessem XD

O objetivo não é, de forma alguma, incentivar a pirataria. Apesar de eu acreditar que a pirataria salva, não quero problemas com a lei. Tudo que o Busica faz é buscar conteúdo em sites que já estão disponíveis pra qualquer um acessar, é apenas uma automatização para o usuário não precisar procurar manualmente em cada um dos blogs.

Não espero uma repercussão tão forte quanto a do Wallpapr, mas acredito que será mais útil para um certo segmento de pessoas, bem long-tail.

Atualizações

  1. [2006-12-04] Depois de um empurrão do Paulo Rodrigo Teixeira, fiz uma logo decente para que o serviço seja inserido na Lista 2.0 BR. Dê uma ajudinha votando também no Wallpapr =)
  2. [2006-12-04] Link para contribuição corrigido.
  3. [2006-12-04] Agora é possível que qualquer um insira novos sites na lista de busca, mais Web 2.0 que isso impossível! Agradecimentos ao Cristiano Dias (do Vilago) pela dica.

Acesse-o! Procure por Noriel Vilela, João Nogueira, João Bosco e tudo mais que é bom mas não vende.

Música rap do Brasil

Nos últimos 10 anos a música rap nacional[bb] amadureceu saindo do batidão clássico e enveredando-se nos caminhos do samba, funk, soul, jazz, rock.

Alguns DJs destacaram-se pela qualidade do instrumental produzido, surgiram bandas de rap com instrumental feito ao vivo. MC’s destacaram-se pelo jeito diferente de rimar, fugindo do lugar-comum que são os relatos da convivência com a criminalidade (não que isso seja ruim ou tenha desaparecido, muito pelo contrário).

Você ainda acha que rap é música de bandido? Então leia e aprenda um pouco mais sobre o movimento hip-hop.

Os quatro elementos

Pra começar, esqueça essa divisão criada pelos playboys que “hip-hop” é rap norte-americano e “rap” é rap brasileiro. Tudo errado, a divisão não é essa.

O movimento, ou cultura, hip-hop divide-se em quatro elementos:

Grafiteiro
Domina os sprays, canetões, rolinhos e outros métodos de pintura pra fazer sua arte, o grafite (graffiti).
MC
Domina as rimas feitas antes ou na hora do show, este último conhecido como freestyle ou improvisação.
B-Boy
Domina a dança, foot works, movimentos de chão, acrobacias, poping and locking, e tudo mais pra se expressar com o break.
DJ
Domina os toca-discos, pra ser respeitado na banca tem que tocar com vinil[bb] até aceita-se o uso parafernálias modernas como laptops e MD’s, mas têm que ser aliados dos vinis. Como diz o De Leve: ir pra boite ouvir DJ de CD que toca Ja Rule me enoja.

Pronto, a divisão clássica é essa, mas se você quiser, podemos definir uma festa hip-hop como:

O DJ[bb] toca um som bem loco, o MC rima sobre a base (tendo letra pronta ou não), com isso temos a música rap. O B-Boy dança na roda de break no meio da galera e o grafiteiro faz sua arte nos muros, nas paredes do local da festa ou em cima do palco mesmo, em painéis colocados especialmente pra isso.

Pronto, agora que você já sabe que rap é a música do movimento hip-hop, em qualquer idioma, vamos ao:

Vindo do funk: Rap nacional

Música:
Kabaluere
Artista:
Antonio Carlos e Jocafi
Álbum:
Black Rio: Brazil Soul Power 1971-1980

mais informações no ODEO

Música:
Ela Partiu (Bonus)
Artista:
Tim Maia
Álbum:
Racional

mais informações no ODEO

Como nos Estados Unidos, o rap nacional surgiu do funk tocado por aqui, Gerson King Combo, Nelson Triunfo, Nino Brown e a Funk CIA, Toni Tornado.

Porém, por ter surgido em uma sociedade bastante diferente da norte-americana, o rap nacional tem características próprias desde seu início. Para produção das bases, eram usados não só instrumentais de funk, mas também Jorge Ben, Tim Maia, entre outros.

Mesmo com essa influência desde o início de ritmos latinos, o “modo de fazer” o rap nacional pode ser dividido em duas vertentes principais:

A velha-escola

Música:
Homem na estrada
Artista:
Racionais MC’s
Álbum:
Raio X do Brasil

mais informações no ODEO

É assim chamada por ser o rap clássico, batidão da base funk com uma enorme letra quase falada.

As letras normalmente falam da convivência próxima com o crime (sem apologia à criminalidade, isso é outra coisa), a vida difícil na periferia[bb], denúncias do descaso do governo com áreas marginais, mensagens de paz e otimismo para os favelados, instruções para que as pessoas mantenham-se fora da criminalidade.

É amado por muitos, mas é fortemente reprovado pelos eruditos (e pseudo-eruditos) da música, principais responsáveis pelo preconceito que prega: rap não é música, é recital.

É bastante forte até hoje, é o mais ouvido em comunidades periféricas e festas hip-hop em geral.

Alguns representantes:

A nova-escola

Música:
Um ser Assim
Artista:
Pentagono
Álbum:
Microfonicamente Dizendo

mais informações no ODEO

Música:
Relaxa
Artista:
Slim Rimografia
Álbum:
Introspectivo, Amor Vida e Música

mais informações no ODEO

É o novo rap, que evidencia ainda mais influências de outros ritmos musicais, como samba, funk, soul, MPB, maracatu, rock, jazz, reggae, ragga, dancehall. Tem musicalidade bem mais requintada e qualidade instrumental invejável. Pode ser tocado por bandas completas ou apenas por um DJ.

São encontrados recortes óbvios de clássicos da música brasileira, como Antônio Carlos e Jocafi, Nara Leão, Lenine, Roberto Carlos, Bezerra da Silva, João Nogueira, Sérgio Mendes, Jorge Ben, Gilberto Gil.

As letras falam de temas extremamente variados, além dos temas pregados pela velha-escola, encontramos descrições da felicidade de se viver na periferia, histórias e declarações de amor, protestos contra os gozolândia (MC’s que só querem fama e dinheiro), louvores e agradecimentos à Deus (mesmo não sendo rap de evangélico).

É pouco conhecido pela mídia mainstream (ainda bem!), mantendo a forte ideologia do estilo e ajudando a manter o preconceito de quem acha que hip-hop é só velha-escola.

Alguns representantes:

  • Slim Rimografia
  • SP Funk
  • Pentágono
  • De Leve
  • Marcelo D2[bb]
  • Parteum
  • Z’África Brasil
  • Kamau
  • Max B.O.
  • Hadda e DJ A.

Os “meio termo” (nem cá, nem lá)

Música:
O preto em movimento
Artista:
MV Bill
Álbum:
Falcao: O Bagulho é Doido

mais informações no ODEO

Assim como em qualquer divisão musical, existem os que encontram-se transitando entre os dois estilos (acho que é por isso que nenhum músico gosta de rotular-se sob um estilo apenas).

Normalmente, os artistas que ficam no meio termo são os criadores da nova-escola, grupos antigos que começaram esse negócio de abrir a mente dos rappers.

Alguns representantes:

  • Thaíde e DJ Hum
  • Rappin’ Hood[bb]
  • Apocalipse 16
  • Faces do Subúrbio
  • MV Bill
  • Ao Cubo
  • Viela 17
  • G.O.G.

Mas tem mais…

Música:
Prioridades
Artista:
B. Negao e os Seletores de Frequencia
Álbum:
Enxugando Gelo

mais informações no ODEO

Obviamente, o Universo é complexo demais para caber apenas nestas divisões, tem gente que faz rap tão misturado com outro estilo que acaba ficando difícil classificar aqui ou ali, como:

B. Negão e Os Seletores de Frequência
Fazem um som tão soul-funk, com atitude tão hip-hop que não dá pra cadastrar em lugar algum.
Planet Hemp[bb]
Era rap ou hardcore?
Pavilhão 9
E esses? Rapcore é rap ou hardcore?
Black Alien[bb]
O ragga mais rap do mundo.

Como já citado, existem também os gozolândia, caras que não representam nada, só querem fama e dinheiro, sem ideologia, sem mensagem, produzidos em laboratórios de grandes gravadoras.

Antigamente eram exclusividade do mercado americano, porém, aos poucos os carrões, músculos bombados, cordões de prata, músicas “mexe a sua bunda” e gostosonas semi-nuas têm aparecido aqui e ali no mercado brasileiro.

_O mercado brasileiro pode ficar parecido com o norte-americano?

Pode, e infelizmente, provavelmente vai ficar uma cópia. Pra nossa felicidade os gozolândia aparecem, somem e os firmeza continuam, quem representa não cai, Jurassic 5, Pete Rock, B. Negão, Pavilhão 9 que o digam.

Videoclipe:
O Preto em Movimento
Artista:
MV Bill
Álbum:
Falcão – O Bagulho é Doido