Marco Gomes

Criador da boo-box. Empreendedor dedicado, nerd veterano, interneteiro profissional, cristão aprendiz, fotógrafo amador, marido apaixonado.

Textos marcados como ‘ux’

Interfaces de objetos modernos são mais complicadas?

“Atividades simples precisam permanecer simples”

A frase é de Jef Raskin, ele disse também que atividades complexas até podem necessitar de interfaces complicadas (isso é discutível), mas não há motivo para complicar atividades simples como ajustar a hora de um relógio, tente no digital e no analógico (de ponteiros) pra entender o que ele diz.

Listo abaixo algumas questões a esse respeito.

Videogame

Com o Super Nintendo você pegava o cartucho, enfiava no videogame desligado e ligava o aparelho. O jogo aparecia e em poucos segundos você já começava a jogar. O controle tinha 8 botões e um direcional.

Garota usando um Super Nintendo como roupa de baixo

Lembra como o SNES era divertidão?

O PlayStation 3[bb] exige que você aguarde por vários minutos a instalação do jogo, às vezes o processo leva horas. Quando a instalação termina e você acha que finalmente vai jogar, pode ser necessário aguardar novamente o download de gigabytes de atualizações.

PlayStation Dual-Shock 3 Controller

Alguém achou que a quantidade de botões multiplicaria a diversão.

O processo entre colocar o disco no videogame e jogar pode levar muitas horas, Fernando Mafra reclamou por esperar o download durante dias, culpa da conexão instável com a Internet e a impossibilidade de executar o jogo sem todas as atualizações. O controle tem 11 botões, sendo 2 deles sensíveis à quantidade de pressão aplicada, 1 direcional e 2 manches (joystick analógico).

O X-Box[bb] não é muito diferente.

O Wii[bb], pra sorte dos jogadores casuais, não tem muitos dos problemas descritos acima :)

Home video

Nos anos 90 você pegava a fita VHS[bb], enfiava no aparelho e o video era executado. Caso precisasse interromper a atividade antes do fim do filme, era possível retirar a fita, que manteria seu estado, e quando colocada novamente em qualquer aparelho de videocassete, retomaria o filme no exato ponto onde foi interrompido. Controle remoto era um conforto opcional, não uma obrigação.

diagrama do filme pirata versus original

Clique pra ver maior. Resposta da pirataria pra "burocracia" de ver um filme em DVD/BluRay.

Pro DVD/BluRay[bb] é até complicado fazer uma descrição. Você é obrigado a ver avisos anti-pirataria, animações entediantes entre as várias telas do menu, escolher idioma de áudio, sistema stereo ou 5.1 DTS, idioma da legenda. As interfaces não são padronizadas, às vezes é dificílimo levar o cursor pra opção de legenda que você quer, isso quando o cursor não é quase invisível por conta das inúmeras animações acontecendo na tela. O controle remoto é obrigatório.

Telefone

Havia um disco, você tirava o fone do gancho, girava o disco na sequência de discagem, a ligação acontecia.

Telas do LG Viewty

Conceito de "público alvo" em seu extremo. Se você treme um pouco ou não enxerga bem, não pode usar este aparelho.

Hoje precisamos desbloquear o aparelho, abrir a aplicação “telefone”, muitas vezes nos digladiar com um touch-screen que nem sempre se comporta como esperamos. Além disso, é preciso ter muito cuidado pra não interromper a ligação ao esbarar num desses microbotõezinhos escondidos em todos os lados do aparelho.

O que aconteceu?

Há inúmeros exemplos parecidos no cotidiano, como automóvel, TV, máquina de lavar, forno, entre outros.

Eu sei que os aparelhos ganharam novas funções, o videogame exibe filmes, o telefone acessa a Internet (epic win), a máquina de lavar enxagua e centrifuga. O ponto é: o que era simples, como falar com alguém, jogar, ver um filme, precisava ficar complicado?

Sempre foi assim? Sempre complicamos coisas que eram simples e eu não percebia?

Estamos ficando mais estúpidos pra projetar as interfaces do dia-a-dia?

Organizando informação no tempo e no espaço

O objetivo de uma interface é auxiliar o usuário a completar algum trabalho. Pra que o trabalho seja executado, a interface deve apresentar informação, normalmente na forma de dados, ferramentas e elementos de interação. Parte do trabalho do designer de interfaces é organizar a informação que será apresentada ao usuário.

Informação pode ser posicionada no espaço ou colocada em fila no tempo.

Organizando informação no tempo

Painel de preferências do aplicativo Mail.app Nas telas de definição de preferências de aplicativos do Mac OS X[bb], a informação é organizada no tempo.

No aplicativo Mail, você pode definir suas preferências de SPAM em uma tela, e, em outra tela, define as preferências de tamanho e tipo de letra pra escrever as mensagens.

Os conjuntos de preferências são agrupados por similaridade em telas que são divididas no tempo, e você precisa trocar de tela (clicando) pra ver as outras preferências. Caso o designer preferisse, todas as preferências poderiam estar na mesma tela, organizadas no espaço.

Ao organizar a informação numa fila temporal o designer pode explicar melhor o que está acontecendo, facilita a interação do usuário que não precisa lidar com vários elementos de interface numa mesma tela, mas a tarefa vai levar mais tempo pra ser executada.

Organizar informação no tempo é recomendado em tarefas não repetitivas, que não podem exigir um “treinamento” do usuário, como processos de instalação de software (wizards), configuração de aplicativos, criação de documentos que sigam um modelo rígido.

Organizando informação no espaço

Tela de edição de post no aplicativo Blogo Na tela de edição de post do aplicativo Blogo, da Brain Juice, a informação é organizada no espaço.

Quando o usuário cria ou edita um post, toda a informação que ele precisa inserir está organizada no espaço de uma única tela. Caso o designer preferisse, o processo de postagem poderia ser um wizard, que primeiro te perguntaria o título do post, numa segunda tela perguntaria o texto do post, na terceira tela pediria as tags, e assim por diante, até conseguir todas as informações para criar um post completo.

Ao organizar a informação no espaço o designer permite que usuários terminem a tarefa mais rapidamente e sem exigir uma ordem correta para interação com elementos, diminuindo a sensação de estar fazendo uma tarefa repetitiva.

Organizar a informação no espaco é recomendado em tarefas repetitivas, que precisem ser completadas rapidamente e permitam uma curva de aprendizado para usar a interface, como criação de “tarefas” em aplicativos de controle de projetos, criação de posts em blogs, inserção de indivíduos em agendas telefônicas, criação de e-mails.

fikdik rsrsrs

Quando projetar suas interfaces, julgue com cuidado que tipo de informação precisa estar organizada no tempo e no espaço, uma falha neste planejamento pode afastar usuários da sua aplicação.

Para saber mais, veja Learning from “bad” UI.