{"id":2058,"date":"2011-01-17T01:47:34","date_gmt":"2011-01-17T03:47:34","guid":{"rendered":"http:\/\/marcogomes.com\/blog"},"modified":"2025-12-09T09:28:12","modified_gmt":"2025-12-09T12:28:12","slug":"brilliant-crazy-cocky-de-sarah-lacy-em-pt-br","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/marcogomes.com\/blog\/brilliant-crazy-cocky-de-sarah-lacy-em-pt-br\/","title":{"rendered":"Leia cap\u00edtulos sobre Marco Gomes e o Brasil no livro &#8220;Brilhantes, Loucos, Arrogantes&#8221;, de Sarah Lacy"},"content":{"rendered":"<p class=\"highlight\"><strong>&#8220;Como 1% dos empreendedores\u00a0de mais sucesso lucram com o caos global&#8221;<\/strong>. Traduzi os trechos do livro &#8220;Brilliant, Crazy, Cocky&#8221;, onde a autora Sarah Lacy fala desde minha inf\u00e2ncia no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/search\/show\/?q=gama&amp;w=39802787%40N00&amp;s=rec&amp;z=e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gama (DF)<\/a> at\u00e9 os primeiros anos de empreendedorismo na <a href=\"http:\/\/boo-box.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">boo-box<\/a>.<\/p>\n<p>Fiquei muito honrado em ser o escolhido para abrir o livro com t\u00e3o inspiradoras\u00a0<a href=\"http:\/\/amzn.to\/bccstart\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">hist\u00f3rias de empreendedores<\/a> de mercados emergentes como China, India, Indon\u00e9sia e Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o acho que minhas batalhas estejam vencidas, nem me considero um empreendedor provado, ainda falta muito ch\u00e3o pra eu considerar a vit\u00f3ria conquistada. Mas \u00e9\u00a0com muita humildade que mostro os trechos abaixo pra voc\u00eas, n\u00e3o para me engrandecer (toda honra e gl\u00f3ria a <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Yahweh\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ele<\/a>), mas para que sirva de exemplo para jovens que, como eu, nasceram e crescem em ambiente hostil e precisam de for\u00e7a para enfrentar as dificuldades.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sarahlacy.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sarah Lacy<\/a> \u00e9 uma premiada rep\u00f3rter que tem abordado o empreendedorismo de alto impacto por 15 anos. Mora no Vale do Sil\u00edcio, foi editora s\u00eanior do\u00a0<a href=\"http:\/\/techcrunch.com\/author\/tcsarahlacy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">TechCrunch<\/a>, \u00e9 fundadora do <a href=\"http:\/\/PandoDaily.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">PandoDaily<\/a> e viaja o mundo procurando grandes empreendedores.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.assoc-amazon.com\/e\/ir?t=boobo-20&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=B004IPPIKK\" alt=\"\" width=\"1\" height=\"1\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Sarah foi ao DF, conheceu minha fam\u00edlia e alguns amigos, comeu p\u00e3o de queijo feito por minha av\u00f3, ganhou frutas da minha m\u00e3e, viu as ruas e pra\u00e7as onde cresci, conheceu meu s\u00f3cio\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/marcostanaka\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcos Tanaka<\/a> e o trabalho da\u00a0<a href=\"http:\/\/boo-box.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">boo-box<\/a> em tecnologias para publicidade e m\u00eddia social.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3>Brilhante, Doido, Arrogantes: como 1% dos empreendedores de mais sucesso lucram com o caos global<\/h3>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><a href=\"http:\/\/sarahlacy.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sarah Lacy<\/a><\/strong><br \/>\n<em>Tradu\u00e7\u00e3o amadora e n\u00e3o-oficial de Marco Gomes.<br \/>\nRevis\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o amadora de Talita Ribeiro.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/amzn.to\/bccstart\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright alignnone wp-image-2020\" title=\"Livro Brilliant Crazy Cocky de Sarah Lacy\" src=\"http:\/\/marcogomes.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/brilliant-crazy-cocky.jpg\" alt=\"Capa do livro Brilliant Crazy Cocky de Sarah Lacy\" width=\"250\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/marcogomes.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/brilliant-crazy-cocky.jpg 333w, https:\/\/marcogomes.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/brilliant-crazy-cocky-199x300.jpg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<h4>Nada a perder<\/h4>\n<p>Quando <a href=\"http:\/\/marcogomes.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marco Gomes<\/a> tinha cinco anos, seus pais o mandaram para uma escola em Bras\u00edlia, a 40 km de sua\u00a0casa. Ele ia de \u00f4nibus com o pai, que fabricava sof\u00e1s para as pessoas ricas do outro lado do Lago Parano\u00e1.\u00a0Sua m\u00e3e\u00a0 j\u00e1 o tinha ensinado a ler, mas ela n\u00e3o sabia matem\u00e1tica\u00a0e queria que ele aprendesse na melhor escola p\u00fablica que pudesse mand\u00e1-lo. Isso ela n\u00e3o podia encontrar no Gama, sua pequena cidade,\u00a0e matem\u00e1tica seria importante para o Marco.<\/p>\n<p>A aula acabava antes do seu pai terminar o trabalho. Ent\u00e3o, Marco Gomes, com cinco anos, andava 1 km at\u00e9 o ponto de \u00f4nibus no meio da modernista-sessentista arquitetura da capital do Brasil. Todo dia sua m\u00e3e repetia seu nome e endere\u00e7o em seu ouvido, at\u00e9 que ele pudesse repetir\u00a0automaticamente\u00a0quando\u00a0perguntado, mas ele s\u00f3 conseguia fazer isso se dissesse tudo:<\/p>\n<p><em>Marco Gomes<\/em><br \/>\n<em>Quadra NN casa PPP<\/em><br \/>\n<em>Setor Leste<\/em><br \/>\n<em>Gama DF<\/em><br \/>\n<em>Brasil<\/em><\/p>\n<p>Ele repetia de novo e de novo para si mesmo, para n\u00e3o esquecer. Lembrar esse endere\u00e7o era\u00a0seu \u00fanico caminho para casa. &#8220;Eu era como um rob\u00f4&#8221;, ele fala, dirigindo por Bras\u00edlia seu velho Fiat. &#8220;Treinado como um cachorro&#8221;.<\/p>\n<p>Uma tarde, Marco dormiu no \u00f4nibus e perdeu o ponto de descida. No ponto final ele\u00a0encontrou um policial, o puxou pela manga do uniforme e ordenou: &#8220;Leve-me ao seu general.&#8221; O policial impressionado levou o menino de\u00a0cinco anos para o posto de atendimento, onde Marco falou\u00a0ao superior o\u00a0que tinha\u00a0ocorrido e recitou seu endere\u00e7o. O capit\u00e3o levou para casa na cabine de um cambur\u00e3o, normalmente reservada para traficantes e ladr\u00f5es \u2014 os que Marco conhecia em sua vizinha\u00e7a e entre seus parentes. O cambur\u00e3o andou pelo Gama com as sirenes ligadas, e seus vizinhos, assustados, sa\u00edram de casa para saber qual era o problema. Marco com cinco anos\u00a0pulou fora do carro\u00a0com sua mochila e disse &#8220;sou s\u00f3 eu pessoal!&#8221;<\/p>\n<p><strong>Li\u00e7\u00e3o 1: N\u00e3o importa o que aconte\u00e7a, eu posso resolver sozinho.<\/strong><\/p>\n<figure style=\"width: 169px\" class=\"wp-caption alignright\"><a title=\"Liberdade! Terra vermelha! Fora das grades do ber\u00e7o! by Marco Gomes, on Flickr\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/marcogomes\/569225605\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Eu, no Gama\" src=\"http:\/\/farm2.static.flickr.com\/1122\/569225605_f4f389d8e6_m.jpg\" alt=\"Marco Gomes beb\u00ea, no Gama\" width=\"169\" height=\"240\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Marco Gomes beb\u00ea, no Gama, DF.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Marco parou de ir \u00e0 escola em Bras\u00edlia aos seis anos de idade. Sua fam\u00edlia n\u00e3o podia mais\u00a0pagar os custos das viagens de \u00f4nibus e de seu\u00a0almo\u00e7o todo dia. Ele sentia saudade dos professores. No Gama, muitas crian\u00e7as n\u00e3o\u00a0aprendiam a\u00a0ler at\u00e9 a\u00a0adolesc\u00eancia ou depois, e ele ficava entediado ao assistir as aulas com eles. Ele sentia saudade de correr atr\u00e1s de pombos na Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes ap\u00f3s a aula, com seus bra\u00e7os e pernas flutuando. Ele sentia saudade at\u00e9 do \u00f4nibus.<\/p>\n<p>Marco entrou na casa dos pais feita com\u00a0t\u00e1buas de\u00a0madeira, uma das muitas casas que ele morou nos primeiros anos da sua vida. Seu pai estava debru\u00e7ado sobre um prato no meio da sala. &#8220;Marco! Vai pro quarto!&#8221;, sua m\u00e3e gritou para ele. Seus olhos encheram-se de l\u00e1grimas. Ele n\u00e3o gostava de se meter em problemas e nem sabia o que havia feito.<\/p>\n<p>Mais tarde ele perceberia que aquele prato estava com coca\u00edna e que\u00a0seu pai era um viciado. Aquele p\u00f3 branco, do qual sua m\u00e3e sempre o protegia, era\u00a0o maior culpado\u00a0por\u00a0seus pais n\u00e3o terem mais dinheiro para o \u00f4nibus. Era o motivo das brigas dos seus pais. Era\u00a0a justificativa\u00a0por seu pai ter perdido uma s\u00e9rie de empregos. Nos anos seguintes, o homem que vendia aquela droga mataria a\u00a0pedradas o primo\u00a0do Marco. O \u00edndice de viol\u00eancia letal nas favelas do Brasil \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 uma guerra civil moderna. Nas piores \u00e1reas, uma em cada cinco pessoas perdeu algu\u00e9m querido e\u00a0muitas culpam a pol\u00edcia pela inabilidade ou falta de vontade de controlar a situa\u00e7\u00e3o. Marco perdeu apenas alguns amigos enquanto crescia, mas falar sobre morte no Gama era uma rotina,\u00a0como falar do tempo.<\/p>\n<p>&#8220;Lembra daquele cara que ficava na esquina o tempo todo?&#8221;<br \/>\n&#8220;Ouviu o que rolou com aquele cara da bike branca?&#8221;<\/p>\n<p><strong>Li\u00e7\u00e3o 2: O dinheiro r\u00e1pido do tr\u00e1fico de drogas brasileiro n\u00e3o era t\u00e3o glamuroso quanto parecia.<\/strong><\/p>\n<p>Quando Marco tinha oito anos, um amigo o levou para uma igreja evang\u00e9lica. O Brasil \u00e9 o maior pa\u00eds cat\u00f3lico do mundo, mas no final dos anos 90, o protestantismo evang\u00e9lico ganhou espa\u00e7o nas comunidades mais pobres do pa\u00eds, enquanto a vis\u00e3o conservadora cat\u00f3lica\u00a0oferecia pouca esperan\u00e7a. De 1991 a 2000, o catolicismo caiu 10% no Brasil e o protestantismo cresceu de 9% para 15% da popula\u00e7\u00e3o, de acordo com o Censo nacional.<\/p>\n<p>Em lugares como o Gama, o movimento n\u00e3o acontece em igrejas luxuosas; ele se espalha em sal\u00f5es comerciais baratos, perto de lojas de conveni\u00eancia ou barbearias. Nunca h\u00e1 uma cruz, pois isso\u00a0\u00e9\u00a0 um s\u00edmbolo\u00a0muito cat\u00f3lico. Ao inv\u00e9s da cruz, voc\u00ea pode reconhecer uma igreja evang\u00e9lica pelas fileiras de cadeiras pl\u00e1sticas simples e a bateria.<\/p>\n<p>Marco se apaixonou\u00a0pelo cristianismo evang\u00e9lico. Ele gostava das hist\u00f3rias, das m\u00fasicas, do sentimento de comunidade, da cren\u00e7a que havia algo maior \u2014 algu\u00e9m l\u00e1 em cima olhando e cuidando dele.\u00a0Em um\u00a0mundo onde seus semelhantes estavam sendo seduzidos pelo dinheiro r\u00e1pido do tr\u00e1fico de drogas, Marco achou Jesus viciante.<\/p>\n<p>Certa noite, ele chegou em casa ap\u00f3s o culto e seus pais estavam gritando um com o outro. Eles estavam a beira do div\u00f3cio. Naquela noite ele come\u00e7ou a evangeliz\u00e1-los. Com o tempo ele convenceu seu pai a largar a coca\u00edna e a salvar o seu casamento. Seu pai est\u00e1 s\u00f3brio desde ent\u00e3o e, junto com sua m\u00e3e, \u00e9 ministro\u00a0evang\u00e9lico no Gama. &#8220;L\u00e1 fora ainda era o caos, mas ao menos dentro de casa era melhor,&#8221; ele diz.<\/p>\n<p>Marco n\u00e3o lembra o que disse\u00a0de t\u00e3o poderoso\u00a0aos seus pais naquela noite. &#8220;Voc\u00ea pode ver\u00a0pelo ponto de vista psicol\u00f3gico e dizer que as drogas tiraram tudo do meu pai e ele estava prestes a perder sua fam\u00edlia&#8221;,\u00a0diz Marco,\u00a0doze anos depois. &#8220;Ou voc\u00ea pode ver sob o ponto de vista sobrenatural e dizer que Deus o salvou. Eu n\u00e3o ligo.\u00a0O\u00a0importante \u00e9 que ele parou\u00a0de usar drogas.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Li\u00e7\u00e3o 3: Ningu\u00e9m est\u00e1 fora do alcance da reden\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Marco come\u00e7ou a montar computadores aos 12 anos de idade. Seus tios eram muambeiros, compravam brinquedos no Paraguai e\u00a0os traziam\u00a0pela fronteira do Brasil, onde os vendiam no mercado negro. Quando seus tios foram presos, eles passaram a contrabandear pe\u00e7as de computador; a maioria dessas pe\u00e7as eram pequenas e eles podiam\u00a0remont\u00e1-las ao chegar no Brasil. Marco adorava fu\u00e7ar\u00a0essas pe\u00e7as quando seus tios dormiam, aprendendo sozinho como juntar os blocos de oportunidade e informa\u00e7\u00e3o na forma de circuitos, placas-m\u00e3e, e discos-r\u00edgidos, como um duende consertando sapatos enquanto os sapateiros dormiam no quarto ao lado.<\/p>\n<p>Alguns anos depois, um de seus tios estava correndo pela floresta com seis enormes monitores de tubo CRT pendurados no pesco\u00e7o, foi quando ele decidiu mudar. Ap\u00f3s outra pris\u00e3o, ele legalizou o seu neg\u00f3cio, abrindo uma loja de computadores\u00a0em um\u00a0por\u00e3o na Asa Norte de Bras\u00edlia, perto de uma academia de artes marciais ensopada de suor. Ele ainda monta computadores baratos, mas agora\u00a0com partes compradas\u00a0em lotes,\u00a0atrav\u00e9s de\u00a0canais legais.<\/p>\n<p>Marco trabalhava l\u00e1 todo ver\u00e3o. Gritavam com ele quando cometia um erro e\u00a0o sacaneavem\u00a0sem compaix\u00e3o, do jeito que garotos s\u00e3o\u00a0tratados em uma\u00a0fam\u00edlia comandada por homens. Mas ele ganhava o suficiente para comprar revistas em quadrinhos e um skateboard, o que\u00a0ele adorava.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio de seu tio \u2013 completamente baseado em recomenda\u00e7\u00f5es boca-a-boca \u2013 cresceu. Ele era o cara mais rico da fam\u00edlia do Marco. Tinha v\u00e1rias casas, um carro e uma lancha, que usava pra navegar no Lago Parano\u00e1 &#8211;\u00a0lago artifical cristalino, constru\u00eddo em parte para separar os homens ricos dos pobres. Um \u00fanico \u00f4nibus de manh\u00e3 pegava os pobres que trabalhavam para os ricos do outro lado do lago, e um \u00fanico \u00f4nibus os trazia de volta a noite. Eles aprenderam a\u00a0n\u00e3o perder este \u00f4nibus. N\u00e3o h\u00e1 outra maneira de cruzar o lago a menos que voc\u00ea tivesse um carro ou uma lancha, como\u00a0a do\u00a0tio do Marco. &#8220;Era como em Baywatch,&#8221;\u00a0diz Marco,\u00a0acrescentando timidamente &#8220;mas, infelizmente, n\u00e3o t\u00ednhamos as garotas.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Li\u00e7\u00e3o 4: O crime n\u00e3o paga, mas computadores pagam.<\/strong><\/p>\n<p>Aos 12 anos de idade Marco conseguiu sua primeira, lenta, conex\u00e3o discada \u00e0 Internet. Ele ficou extasiado como naquele primeiro dia na igreja. Essa conex\u00e3o o apresentou a empresas como Yahoo! e Google, e ele leu sobre os ricos empreendedores americanos por tr\u00e1s dessas empresas. Ele come\u00e7ou a aprender sozinho a programar, n\u00e3o porque pensava que seria um desses empreendedores, mas porque\u00a0 amava isso do mesmo jeito que amava quadrinhos e skateboards. A ideia de montar uma empresa de Internet era t\u00e3o rid\u00edcula quanto pensar\u00a0que ele se tornaria o pr\u00f3ximo James Cameron, s\u00f3 porque amava os filmes do Exterminador do Futuro.\u00a0A possibilidade\u00a0sequer lhe ocorria.<\/p>\n<p>Era como no passado, quando seu pai ainda fabricava sof\u00e1s e Marco o acompanhava nas entregas\u00a0em mans\u00f5es multi-milion\u00e1rias, do outro lado do lago. Crescendo\u00a0em um\u00a0mundo onde os graus de pobreza s\u00e3o medidos pelo que \u00e9 feito as paredes de sua casa, Marco se\u00a0impressionava com a ostenta\u00e7\u00e3o. Ele viu uma TV t\u00e3o alta quanto ele e ficou observando as formigas do comercial da Coca-Cola que passava na \u00e9poca. Na sua pequena TV em casa, ele mal podia dizer o que as formigas eram, mas naquela\u00a0tela imensa\u00a0elas eram gigantes, vibrantes e com vida. Ele mal podia tirar seus olhos da TV, mas n\u00e3o era porque a queria para si. Essa realidade era muito distante da sua vida para que sentisse qualquer coisa como inveja. Assim como abrir uma empresa de Internet, essa TV era para outras pessoas, n\u00e3o para o\u00a0pobre e pouco instru\u00eddo Marco Gomes.<\/p>\n<p><strong>Essa foi a Li\u00e7\u00e3o 5, s\u00f3 dessa vez a li\u00e7\u00e3o estava errada.<\/strong><\/p>\n<p>Dez anos ap\u00f3s ele conseguir aquela conex\u00e3o discada, Marco criou <a href=\"http:\/\/boo-box.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sua pr\u00f3pria empresa de Internet<\/a>, pegou investimento de capital de risco, mudou-se pra S\u00e3o Paulo e tornou-se um \u00edcone para outros aspirantes a empreendedor\u00a0de Web pelo pa\u00eds. No ver\u00e3o de 2010, Marco estava\u00a0em um\u00a0v\u00f4o para a\u00a0Europa, onde\u00a0pediria sua namorada em casamento em Paris, na Fran\u00e7a, e depois\u00a0receberia um pr\u00eamio\u00a0como empreendedor\u00a0em Barcelona, na\u00a0Espanha. Suas m\u00e3os suavam ao pensar nos dois eventos e, por mais que ele tentasse se conter, era not\u00e1vel sua mudan\u00e7a de vida.<\/p>\n<p>Marco tem v\u00e1rias pessoas para agradecer por sua vida ter mudado tanto, considerando como come\u00e7ou: sua m\u00e3e, pela determina\u00e7\u00e3o para que ele estudasse; seu pai, por largar as drogas; seu tio, que o ensinou que empreendedorismo n\u00e3o era s\u00f3 pra traficantes; aquele amigo que o levou pra igreja; e, \u00e9 claro, as pessoas que criaram a Internet. Mas, primeiramente, Marco tinha que agradecer ao s\u00e9culo 21. Simplesmente por conta do <em>quando<\/em> ele nasceu, <em>onde<\/em> ele nasceu n\u00e3o importa.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Esse livro \u00e9 sobre grandes empreendedores \u2013 o brilhante, o doido, o arrogante, o focado \u2013\u00a0 pessoas que criam empresas que mudam vidas e fazem mais para tirar milhares da pobreza, do que a maioria dos programas governamentais ou organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais. N\u00f3s n\u00e3o estamos falando sobre empreendedores por sobreviv\u00eancia operando com microcr\u00e9ditos. Esse livro \u00e9 sobre os empreendedores de alto-impacto, que s\u00e3o os filhos da puta sonhadores, vision\u00e1rios, megaloman\u00edacos e arrogantes, que v\u00eaem o mundo de um jeito diferente e criam empresas por motivos que eles nem sempre conseguem explicar, eles s\u00f3 n\u00e3o conseguem fazer de outra maneira. \u00c9 o tipo de empreendedorismo que criou empresas como FedEx, Apple, Google e Microsoft e inspirou milh\u00f5es que poderiam fazer igual. E agora, est\u00e1 refazendo o mundo.<\/p>\n<p>Daqui mil anos, quando olharmos de volta para o s\u00e9culo 21, a hist\u00f3ria dominante n\u00e3o vai ser dos pa\u00edses desenvolvidos usando os pa\u00edses emergentes como uma graciosa fonte de m\u00e3o-de-obra barata e classes m\u00e9dias famintas por novos produtos e servi\u00e7os. Vai ser a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o de um mundo novo, com superpoderes crus, violentamente e caoticamente tomando os pisos do mundo. E n\u00e3o ser\u00e1 hist\u00f3ria de pol\u00edticos. Ser\u00e1 hist\u00f3ria de empreendedores como Marco Gomes.<\/p>\n<h4>Cap\u00edtulo 8<\/h4>\n<h4>Voc\u00ea sabe com quem est\u00e1 falando?<\/h4>\n<p>O Brasil n\u00e3o \u00e9 uma economia em crescimento acelerado que deixa todos para tr\u00e1s, como a China. Nem sequer \u00e9 uma economia em crescimento lento que um dia deixar\u00e1 todos para tr\u00e1s, como a India. Nem \u00e9 um lugar que se supera economicamente gra\u00e7as a pol\u00edtica inteligente e predisposta\u00a0a correr riscos como Israel. Isso leva a um empreendedorismo que \u00e9 uma mistura de empresas surgindo, aparentemente com\u00a0pouco em comum umas com as outras. E, ao contr\u00e1rio de Israel, China e India, os Estados Unidos est\u00e3o passando longe do seu crescimento. Mas o Brasil tem uma grande coisa a seu favor, que eu n\u00e3o achei em nenhum outro pa\u00eds: o pobre no Brasil sonha alto.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8220;Ah! Aqueles s\u00e3o meus amigos&#8221;, diz Marco Gomes, fazendo uma curva r\u00e1pida e fechada. N\u00f3s estamos no Fiat surrado que ele dirigia quando morava no Gama, e uma placa\u00a0escrito &#8220;Jesus, o segredo da paz&#8221; ainda est\u00e1 no painel. Marco para\u00a0em um\u00a0estacionamento onde quatro moleques sem camisa saltam de diferentes estruturas. \u00c9 quase noite\u00a0de s\u00e1bado e,\u00a0enquanto vamos passando por alguns adolescentes, Marco nota que o movimento j\u00e1 est\u00e1 rolando. &#8220;\u00c9 a cena de paquera do Gama,&#8221; ele diz, apontando na dire\u00e7\u00e3o deles. &#8220;Os homens param, ligam o som alto, as garotas dan\u00e7am, e eles pegam uma.&#8221;<\/p>\n<figure style=\"width: 157px\" class=\"wp-caption alignright\"><a title=\"Marco Gomes na Virada Esportiva by Marco Gomes, on Flickr\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/marcogomes\/1483000943\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Marco Gomes praticando Parkour na Virada Esportiva em SP\" src=\"http:\/\/farm2.static.flickr.com\/1434\/1483000943_d24c97dc70_m.jpg\" alt=\"Marco Gomes praticando Parkour na Virada Esportiva em SP\" width=\"157\" height=\"240\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Marco Gomes praticando Parkour na Virada Esportiva em SP<\/figcaption><\/figure>\n<p>Seus amigos estavam fazendo <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Parkour\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Parkour<\/a>, um esporte de gin\u00e1stica urbana popularizado online. Marco chega e eles todos sorriem.<\/p>\n<p>&#8220;Fala sua bichona&#8221;, um deles fala em portugu\u00eas, dando um aperto de m\u00e3o que se transforma em um abra\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;Vai se foder moleque&#8221;, Marco responde. \u00c9 uma linguagem chocante para um crist\u00e3o devoto, mas esse n\u00e3o \u00e9 o Brasil que voc\u00ea v\u00ea nos cart\u00f5es postais. Quando Marco estava crescendo aqui, certas \u00e1reas eram proibidas, marcadas por grupos de homens suando no sol escaldante com\u00a0armas nos ombros. Algumas vezes, esses homens eram traficantes, em outras,\u00a0policiais. Marco n\u00e3o gostava de chegar perto demais pra descobrir. Parecer dur\u00e3o \u00e9 o primeiro passo para n\u00e3o levar um tiro. No entanto, depois Marco\u00a0me diz, envergonhado,\u00a0que est\u00e1 feliz por eu n\u00e3o falar portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Um grupo local de Parkour foi ideia do Marco em 2008 <em>[sic 2004],<\/em> quando ele trabalhava em uma ag\u00eancia de publicidade em Bras\u00edlia. Ele achou que seria uma boa distra\u00e7\u00e3o para uma cidade sat\u00e9lite que tinha pouco al\u00e9m do emprego p\u00fablico e a tenta\u00e7\u00e3o\u00a0de cair no tr\u00e1fico de drogas. O Marco cresceu e\u00a0o\u00a0Gama saiu da pobreza para a\u00a0classe m\u00e9dia, mas a felicidade ainda\u00a0\u00e9 poder trocar de carro todo ano e pagar TV a cabo. De acordo com ele, h\u00e1 apenas duas maneiras de fazer isso: trabalhando para\u00a0o governo ou vendendedo drogas.<\/p>\n<p>Quando Marco se mudou para S\u00e3o Paulo para come\u00e7ar a <a href=\"http:\/\/boo-box.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">boo-box, sua empresa de an\u00fancios online<\/a>, 50 jovens estavam no grupo de Parkour. Desde que ele saiu, poucos permaneceram longe das drogas. As ruas podem ter sido asfaltadas e as casas de madeira viraram de\u00a0tijolos, mas algumas coisas no Gama n\u00e3o mudaram.<\/p>\n<p>O futuro do Marco nem sempre pareceu t\u00e3o promissor. Ele saiu da universidade porque estava entediado e ganhou alguma experi\u00eancia criando websites para pequenas empresas, como estagi\u00e1rio\u00a0de uma\u00a0ag\u00eancia de publicidade em Bras\u00edlia. Ele ficou chocado com o valor que grandes empresas gastavam para construir websites simples, que ele construia h\u00e1 anos gastando quase nada. Com 19 anos\u00a0ele era l\u00edder da equipe interativa.<\/p>\n<figure style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><a title=\"boo-box em texto: vitrine cl\u00e1ssica aberta by Marco Gomes, on Flickr\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/marcogomes\/3333014087\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"boo-box: vitrine original\" src=\"http:\/\/farm4.static.flickr.com\/3324\/3333014087_c8fd554c97_m.jpg\" alt=\"boo-box: vitrine original\" width=\"240\" height=\"192\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">boo-box: vitrine original<\/figcaption><\/figure>\n<p>Marco\u00a0come\u00e7ou a fazer experi\u00eancias com novos formatos de publicidade, e um chamou a aten\u00e7\u00e3o de blogueiros do Vale do Sil\u00edcio. Era uma caixa que blogueiros podiam embutir em textos e imagens\u00a0relacionadas a produtos,\u00a0que, com um clique, poderiam\u00a0levar voc\u00ea\u00a0a compr\u00e1-lo. TechCrunch, o blog que escreve sobre todas as empresas de m\u00eddia social que o Marco adorava, disse que <a href=\"techcrunch.com\/2007\/01\/21\/boobox-to-help-bloggers-sell-stuff\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a boo-box tinha potencial para ser comprada por Amazon ou eBay<\/a>, e Marco \u2013 que nunca pensou que a vida de empreendedor era uma op\u00e7\u00e3o pra ele \u2013 foi \u00e0s alturas. <a href=\"http:\/\/monashees.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eric Acher<\/a>, um investidor de S\u00e3o Paulo, viu o post e ligou para o Marco, mesmo sem o conhecer. &#8220;Ap\u00f3s uma conversa eu decidi \u00a0investir nele&#8221;, diz Eric. Foi menos a ideia, que na \u00e9poca era de um produto inovador. Foi o Marco. Havia algo sobre ele.<\/p>\n<p>O tio do Marco \u2013 aquele que costumava contrabandear computadores at\u00e9 abrir uma loja \u2013 \u00e9 o exemplo mais pr\u00f3ximo de um empreendedor que o Marco teve na vida, mas nem ele consegue entender esse novo mundo de alto-impacto que o\u00a0sobrinho vive.<\/p>\n<p>&#8220;Ele te deu 300 mil d\u00f3lares? Pelo qu\u00ea?&#8221; seu tio perguntou, incr\u00e9dulo sobre a primeira rodada de investimento.<br \/>\n&#8220;Por minha empresa&#8221;, Marco respondeu.<br \/>\n&#8220;Que empresa?&#8221;, seu tio protestou. &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o tem empresa!&#8221;<\/p>\n<p>Mas em pouco tempo, Marco tem mais de 20 funcion\u00e1rios <em>[chegamos a 75 em 2 pa\u00edses, Brasil e Argentina]<\/em>\u00a0e uma empresa maior que seu tio jamais teve.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/D7LGyEuZwpQ?rel=0\" width=\"590\" height=\"330\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p>Eu perguntei para a m\u00e3e do Marco se ela ficou surpresa quando ele saiu do Gama. N\u00f3s est\u00e1vamos sentados\u00a0em uma\u00a0casa bagun\u00e7ada, de dois c\u00f4modos, que o Marco vivia h\u00e1 alguns anos, enquanto seus pais trabalhavam a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, no meio da Amaz\u00f4nia, perto da fronteira com a Bol\u00edvia. Ela estava fazendo maquiagem\u00a0em uma sobrinha, que ia para uma festa a fantasia dos anos 60\u00a0naquela noite, desenhando longas linhas em suas p\u00e1lpebras com um delineador l\u00edquido antigo. A beb\u00ea da sobrinha chorou nos bra\u00e7os de uma prima no canto. Sua m\u00e3e parou a maquiagem, olhou para o Marco, sorriu, e me disse que n\u00e3o\u00a0ficou surpresa. Ela, tamb\u00e9m, sempre achou que havia algo especial nele. &#8220;\u00c9 com o irm\u00e3o dele que estou preocupada&#8221;, ela acrescentou sorrindo. Fica claro que o Marco sente um misto de culpa, orgulho e conforto quando visita sua cidade natal. Ele diz que se a boo-box der muito certo, vai pagar para os pais trabalharem como mission\u00e1rios na Amaz\u00f4nia por um ano.<\/p>\n<figure style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><a title=\"Marco Gomes sendo entrevistado por Daniele Suzuki by Marco Gomes, on Flickr\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/marcogomes\/2272960154\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Marco Gomes sendo entrevistado por Daniele Suzuki\" src=\"http:\/\/farm3.static.flickr.com\/2178\/2272960154_0017d9b7e2_m.jpg\" alt=\"Marco Gomes sendo entrevistado por Daniele Suzuki\" width=\"240\" height=\"180\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Marco Gomes sendo entrevistado por Daniele Suzuki<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"http:\/\/boo-box.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">boo-box \u00e9 uma rede de an\u00fancios online<\/a> que agrega espa\u00e7o de propaganda de milhares de blogs, <a href=\"http:\/\/blog.boo-box.com\/br\/2010\/como-ganhar-dinheiro-no-twitter\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">perfis de twitter<\/a>, v\u00eddeo, e qualquer outra m\u00eddia online, oferecendo aos anunciantes uma enorme massa de audi\u00eancia de m\u00eddia social brasileira, espalhada por milhares de sites. De uma perspectiva do Vale do Sil\u00edcio, esse neg\u00f3cio estaria condenado \u00e0 morte, mas ainda \u00e9 novidade no mercado de 2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de publicidade online no Brasil, e a boo-box tem uma abordagem bastante criativa, constantemente experimentando novos formatos, que anunciantes podem comprar. O Brasil tem aproximadamente 25% de penetra\u00e7\u00e3o de Internet, ent\u00e3o h\u00e1 muito espa\u00e7o para crescer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/Y1C_boqewmM?rel=0\" width=\"590\" height=\"330\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p>Muitos americanos ve\u00eam publicidade como um irritante pagamento para consumir informa\u00e7\u00e3o gr\u00e1tis, mas Marco chama isso de coluna fundamental do capitalismo. Ele acha que qualquer um publicando qualquer coisa online deveria ter o direito de ganhar dinheiro por isso \u2013 <a href=\"http:\/\/blog.boo-box.com\/br\/2010\/como-ganhar-dinheiro-no-twitter\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mesmo que sejam moedinhas por twitts<\/a>. No Vale do Sil\u00edcio, muitas pessoas acham que a ideia de sugerir produtos para seus amigos \u00e9 mercen\u00e1ria e imoral. Mas vendo a vida da qual a Internet catapultou o Marco para fora, tudo se torna diferente. Para o Marco, \u00e9 sobre dar poder a qualquer um conectado \u00e0 Internet para achar sua pr\u00f3pria sa\u00edda.<\/p>\n<figure style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignright\"><a title=\"boo-box e Marco Gomes na revista Imagine by Marco Gomes, on Flickr\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/marcogomes\/3815878826\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"boo-box e Marco Gomes na revista Imagine\" src=\"http:\/\/farm3.static.flickr.com\/2646\/3815878826_eb0514f56a_m.jpg\" alt=\"boo-box e Marco Gomes na revista Imagine\" width=\"240\" height=\"163\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">boo-box e Marco Gomes na revista Imagine<\/figcaption><\/figure>\n<p>Eu esperava que o empreendedorismo feito na favela fosse um grande tema neste livro. H\u00e1 algo sobre n\u00e3o ter nada a perder que te faz arriscar-se mais e te deixa mais faminto. Empreendedorismo \u00e9 sobre mudar o <em>status quo<\/em> e os mais exclu\u00eddos s\u00e3o logicamente os que est\u00e3o empurrando mais forte para esta mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Muitos empreendedores \u2013 como o Marco \u2013 n\u00e3o esperaram a pacifica\u00e7\u00e3o chegar. Eles s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es, mas h\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o de empreendedores brasileiros nascidos nas favelas que, um a um, usaram o que tinham pra criar uma empresa e uma nova vida. \u00c9 cada vez mais uma terceira op\u00e7\u00e3o para o violento, mas poderoso tr\u00e1fico de drogas, e a vida como um crist\u00e3o evang\u00e9lico com um trabalho virtuoso e mal-pago. Para o Marco foi a Internet. Para a Zica Assis foi seu cabelo pixaim.<\/p>\n<p><strong><em>Pra continuar lendo a hist\u00f3ria de Zica Assis e muitas outras, compre na Amazon o <a href=\"http:\/\/www.amazon.com\/gp\/product\/0470580097?ie=UTF8&amp;tag=boobo-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=0470580097\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">livro Brilliant, Crazy, Cocky em papel<\/a> ou o <a href=\"http:\/\/www.amazon.com\/gp\/product\/B004IPPIKK?ie=UTF8&amp;tag=boobo-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=B004IPPIKK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">eBook para Kindle (leia no seu smartphone, tablet, computador ou no pr\u00f3prio Kindle)<\/a>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Gostou? Deixe seu coment\u00e1rio abaixo :)<\/p>\n<p>Quer saber mais? Voc\u00ea pode\u00a0<a href=\"http:\/\/marcogomes.com\/blog\/contato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entrar em contato por e-mail<\/a> ou <a href=\"http:\/\/www.formspring.me\/marcogomes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">me perguntar o que quiser no Formspring<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Como 1% dos empreendedores\u00a0de mais sucesso lucram com o caos global&#8221;. 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