Marco Gomes

Geek, imigrante, nerd, cristão, biker. Founder da boo-box (vendida) e do Heartbit. Consigliere do JovemNerd

Interfaces de objetos modernos são mais complicadas?

Publicado em 2010-02-18

“Atividades simples precisam permanecer simples”

A frase é de Jef Raskin, ele disse também que atividades complexas até podem necessitar de interfaces complicadas (isso é discutível), mas não há motivo para complicar atividades simples como ajustar a hora de um relógio, tente no digital e no analógico (de ponteiros) pra entender o que ele diz.

Listo abaixo algumas questões a esse respeito.

Videogame

Com o Super Nintendo você pegava o cartucho, enfiava no videogame desligado e ligava o aparelho. O jogo aparecia e em poucos segundos você já começava a jogar. O controle tinha 8 botões e um direcional.

Garota usando um Super Nintendo como roupa de baixo

Lembra como o SNES era divertidão?

O PlayStation 3[bb] exige que você aguarde por vários minutos a instalação do jogo, às vezes o processo leva horas. Quando a instalação termina e você acha que finalmente vai jogar, pode ser necessário aguardar novamente o download de gigabytes de atualizações.

PlayStation Dual-Shock 3 Controller

Alguém achou que a quantidade de botões multiplicaria a diversão.

O processo entre colocar o disco no videogame e jogar pode levar muitas horas, Fernando Mafra reclamou por esperar o download durante dias, culpa da conexão instável com a Internet e a impossibilidade de executar o jogo sem todas as atualizações. O controle tem 11 botões, sendo 2 deles sensíveis à quantidade de pressão aplicada, 1 direcional e 2 manches (joystick analógico).

O X-Box[bb] não é muito diferente.

O Wii[bb], pra sorte dos jogadores casuais, não tem muitos dos problemas descritos acima :)

Home video

Nos anos 90 você pegava a fita VHS[bb], enfiava no aparelho e o video era executado. Caso precisasse interromper a atividade antes do fim do filme, era possível retirar a fita, que manteria seu estado, e quando colocada novamente em qualquer aparelho de videocassete, retomaria o filme no exato ponto onde foi interrompido. Controle remoto era um conforto opcional, não uma obrigação.

diagrama do filme pirata versus original

Clique pra ver maior. Resposta da pirataria pra "burocracia" de ver um filme em DVD/BluRay.

Pro DVD/BluRay[bb] é até complicado fazer uma descrição. Você é obrigado a ver avisos anti-pirataria, animações entediantes entre as várias telas do menu, escolher idioma de áudio, sistema stereo ou 5.1 DTS, idioma da legenda. As interfaces não são padronizadas, às vezes é dificílimo levar o cursor pra opção de legenda que você quer, isso quando o cursor não é quase invisível por conta das inúmeras animações acontecendo na tela. O controle remoto é obrigatório.

Telefone

Havia um disco, você tirava o fone do gancho, girava o disco na sequência de discagem, a ligação acontecia.

Telas do LG Viewty

Conceito de "público alvo" em seu extremo. Se você treme um pouco ou não enxerga bem, não pode usar este aparelho.

Hoje precisamos desbloquear o aparelho, abrir a aplicação “telefone”, muitas vezes nos digladiar com um touch-screen que nem sempre se comporta como esperamos. Além disso, é preciso ter muito cuidado pra não interromper a ligação ao esbarar num desses microbotõezinhos escondidos em todos os lados do aparelho.

O que aconteceu?

Há inúmeros exemplos parecidos no cotidiano, como automóvel, TV, máquina de lavar, forno, entre outros.

Eu sei que os aparelhos ganharam novas funções, o videogame exibe filmes, o telefone acessa a Internet (epic win), a máquina de lavar enxagua e centrifuga. O ponto é: o que era simples, como falar com alguém, jogar, ver um filme, precisava ficar complicado?

Sempre foi assim? Sempre complicamos coisas que eram simples e eu não percebia?

Estamos ficando mais estúpidos pra projetar as interfaces do dia-a-dia?

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26 comentários

  1. Rafael Cavalcante comentou:

    Entendo seu ponto de vista e concordo em partes, mas imagine só se fosse necessário jogar um Modern Warfare II em um controle com menos botões? Ou controlar a aceleração do seu carro no NFS Shift sem o botão sentir a quantidade de pressão exercida sobre ele?

    Acho que tudo isso tá crescendo dos 2 lados, continuando “equilibrado”. Os prós crescem, e os contras também. Eu mesmo não consigo jogar direito pois estou acostumado com meu pc e com meu psx! haha

    Você ressaltou muitos pontos interessantes na parte do homevideo, pois existem dvds com um planejamento tão ruim que a vhs parece ser a melhor coisa do mundo comparado à ele. Já a parte de escolher legenda, audio, e tudo mais eu já acho normal, já que 1 minuto a mais (dependendo da interface do menu) não faz diferença alguma.

    Abraços

  2. Fernando Mafra comentou:

    O amigo que sofreu com PS3 fui eu? Pq eu sofri muito. Essa história de update no jogo novo é um tapa na cara de quem chega empolgado em casa querendo brincar.

    Pensei muito nisso com o PS3, me lembrando justamente dos jogos de cartucho de outrora, ou mesmo do PS2, que também ia direto ao ponto.

    No PS3 é tudo muito lindo, mas pode gerar esse tipo de frustração. Tanto que criei um processo pra otimizar na hora de jogar:

    1 – Aperto o botão PS no controle (assim liga o controle e o console de uma vez)
    2 – Logo no meu user logo q aparece
    3 – Depois que carrega a XMB eu coloco o disco, porque nesse ponto ele vai carregar automático.

    O ganho de tempo deve ser mais psicológico do que real.

  3. Dan Alvares comentou:

    Concordo plenamente com o que o Rafael Cavalcante disse, no mundo dos jogos temos duas vertentes, o casual gamer e o hardcore gamer.

    Se você der um controle de Wii para um hardcore gamer, é possível que o cara se sinta desconfortável com a simplicidade do controle.

    O desconforto vem na mesma proporção para o casual gamer ao tentar se virar com um controle de Xbox 360 ou PS3.

    E nem sempre simplicidade trará vantagens, exemplo disso são os ports de RTS para consoles antigos como o SNES, ou imagine jogar jogos como Bad Company 2 ou mesmo o Mirror’s Edge sem um joystick de última geração, um chute nas bolas. :P

  4. Kevin Foca comentou:

    Cara, sensacional o texto!

    Tenho o 360 e o ps3. Fico mto puto qdo pego um jogo do ps3 como Devil May Cry 4 e tenho que esperar uma instalação que demora quase 1h e meia e que ocupa quase 9gb do hd! É um absurdo isso, pq se chegar um amigo na minha casa e eu não estiver com o game pré-instalado, fica inviável eu mostrar para ele como é o jogo. Sendo que no 360 nada acontece! É só colocar e boa…

    Sobre o lance dos filmes, acho um porre os menus de dvds! Poderia mto bem executar automatico o filme e SE eu quisesse entrar no menu, ter a opção. Afinal quase todo controle remoto tem um botão de legendas/audio direto. E sobre essa parte de continuar do ponto que parou é outra coisa que não entendo porque não dá para fazer isso…

    Meu CD Player do carro sabe fazer isso, o computador sabe continuar de onde parou e porque diabos o dvd nao o faz? eu tenho q ficar avançando os capitulos que nunca voltam no ponto exato.

    Eu incluiria outra coisa nessa lista. Impressoras! Cada vez mais elas ficam mais complicadas…

  5. leandroferreira comentou:

    repassado do buzz:

    As interfaces são complicadas, em geral, por falta de necessidade (priorizando as necessidades) de ser mais simples. Afinal, falar com a pessoa é mais simples que pegar o gancho, girar o tambor na ordem correta, muitas vezes ter que refazer por errar um número, botar o gancho no rosto e esperar uma resposta.
    Curva de aprendizado sempre há, e é de acordo com o público que se define o que é complicado ou não. Usar o meu celular pra fazer uma ligação eu acho extremamente simples, por exemplo

  6. Rafael Cavalcante comentou:

    @marco

    O jogo poderia te deixar jogar sem atualização sim, mas só com o pessoal que está desatualizado (no caso, que possua exatamente a mesma versão que você). Eu odeio comprar um jogo (antigo, confesso) e ter que atualizar com patchs de 500mb só pra jogar online…

    @kevin

    Impressora sempre foi e sempre será um negócio do caramunhão. O feedback de algumas é ridículo… uma vez acabou a tinta e eu achei que a impressão tinha sido concluída, quando trocaram o cartucho…

    E sobre os dvds, se não me engano alguns tem um “bookmark”, não?

  7. Kelsen comentou:

    Antes para fazer alguma coisa na internet não demorava tanto quanto demora hoje (tirando a parte de esperar horas de carregamento em alguns casos), hoje em dia até o Google conseguiu deixar mais demorado o processo de ler e responder emails, criou o Buzz, esse pelo menos é possível desativar.

    @Rafael Cavalcante
    Sim alguns possuem bookmark, mas da um trabalho daqueles para utilizar em alguns DVDs…

  8. Fabrício comentou:

    No caso do Xbox 360, a maioria dos jogos não requer instalação. O jogo entra automaticamente por padrão (ponto pra microsoft) e vc pode jogar sem a necessidade de atualização.

    Frustração é vc clicar em um ads no seu post a procura de recomendações sobre o assunto e no lugar aparecer duas, DUAS propagandas do Office 2010 e nenhuma recomendação.

  9. Fabricio C Zuardi comentou:

    Eu andei pensando nisso outro dia, quando fui ligar a TV nova do meu pai… a porra da TV não liga, ela boota!

    Deve ter um linux ou algum outro embedded system dentro da bagaça, demora um tempinho antes da imagem aparecer e quando ela finalmente liga toca um sonzinho de inicialização, como se fosse um micro.

    Está certo que o monstrinho acessa a internet via wifi p/ atualizar firmware e lê n tipos de sd card, usb e o escambau. Mesmo assim, eu ainda prefiro apertar um botãozão e ver a imagem e o som na hora…

    E nem vou reclamar aqui da lentidão que é trocar de um canal p/ outro nas tvs a cabo de hoje em dia, outra coisa que me irrita profundamente.

  10. Nilton Heck comentou:

    Grande Marco,
    certinho na colocação do seu ponto de vista. Realmente as coisas tendem a complicarem-se a medida que adicionam novas funções a ela.

    Um controle como o do SNES seria inviável na execução de boa parte das funções do PS3.
    E mesmo com os contras do DVD nada foi melhor doque não ter que rebobinar, superou todo e qualquer contra.

    Novas experiências são novos aprendizados.
    Quando você comprou o SNES precisou entender e aprender como ele funcionava -e até a técnica milagrosa do sopro. O mesmo acontece com o PS3 ou com os outros eletrônicos de 150++ botões.

    Ó grande Darwin, viva a gloriosa adaptação hi-tech. ;)

  11. Thiago comentou:

    Para apimentar a discussão, queria comentar que a maioria dos jogos de sucesso, os lendários games que todos não vacilam em dar nota 10 para qualquer quesito, eram simples em seu conceito e na jogabilidade, apesar de rodarem em consoles, às vezes, complexos.
    Ocarina of Time, por exemplo, foi lançado no 64, que foi, se eu não me engano, o primeiro console a ter manche controlável pelo dedão no joystick. Tinha 16 botões, mais que o PS3, e com funcionalidades variadas, inclusive. Era complexo na engenharia, mas simples na jogabilidade.
    Também detesto essa complexidade toda. Hoje em dia, para um game de aventura ter sucesso, por exemplo, o personagem principal precisa ser um humano semi-deus que salta, parado, uma altura de 10 metros. Devil may cry, apesar de respeitar quem gosta, é a coisa mais caricata e ridícula que já ví. Acho feio, acho de mal gosto, não gosto da jogabilidade, nem da história clichê, nem dos estereótipos ridículos dos personagens.
    Resident Evil, para citar um exemplo, começou da boa e sólida idéia de um grupo de policiais que lutam para sobreviver numa mansão que está dominada por um misterioso mal. A partir daí, foram acrescentando elementos, e terminou com um enredo esdrúxulo, onde personagens dão mortais enquanto empunham armas e lutam contra gorilas mutados que carregam bazucas.
    (???)
    E os exemplos não param por aí, de “sucessos” de marcas, que para mim, não possuem todas as qualidades que tanta gente atribui: GTA, jogos de FPS que são mais poluídos visualmente do que necessariamente divertidos, essa gama infinita de MMORPGS que você consegue léveis enlouquecidamente, com personagens usando armaduras ou roupas ridículas, que se formos parar pra pensar, não teriam funcionalidade alguma dentro de uma batalha real. Tudo pelos super-detalhes, poluição de informações, complexidade exagerada.
    Para mim, os melhores jogos atuais ainda são os mais simples. Eu tenho vários exemplos para citar, como “Shadow of Colossus”, do Playstation 2, onde tudo que você tinha que fazer é derrotar gigantes para salvar a garota. Direto, prático, e megalomaníaco; mas ainda assim, simples.
    Sinto saudades do Final Fantasy VII e IX, por exemplo. RPGs com enredos sólidos e jogabilidade simples. Eram bonitos e divertidos. Depois disso, a Square entrou numa loucura de fazer personagens com cabelos esquisitos, usando roupas escalafobéticas (sempre quis colocar essa palavra numa frase), misturando todos os conceitos possíveis de “fantasia” num só enredo. Ciborgues, guerras com armas brancas, navios que voam junto com pesssoas de asas, desculpa, não combina.
    (Ainda acho que o FFXII foi o melhor da última geração; espero que o XIII siga a mesma competência, apesar de não gostar muito do que ví nos trailers. É sempre o mais do mesmo)

    A simplicidade é original.
    Concordo com o Marco.

  12. Gilberto Jr comentou:

    Fiz um post em resposta a este… só queria avisar que eu atualizei o wordpress e aconteceram uns problemas no template que eu não vou poder arrumar já e por isso não tem comentários lá…

  13. Rodrigo Saraiva comentou:

    Caro Marco,

    concordo e “disconcordo” também com o que você disse.
    eu tenho apenas 30 anos e vivi a época do Atari, MSX, telefones de disco, orelhões com fixas, etc.
    muitas coisas eram realmente simples e funcionais. era o que estava disponível em termos tecnológicos, porém estamos evoluindo muito.
    hoje você vê uma criança fuçando o computador o jogando um game num controle com essa quantidade de botões de maneira impressionante.
    eu tenho um ps3 e confesso que tem jogos que são muito difíceis pra mim, pois fiquei muitos anos sem video game.

    mas o que eu quero dizer com o “disconcordo” é: você não precisa ter um celular com 2 milhões de funções, você pode comprar um bem simplão, que tem agenda e só. tenho muitos amigos que sobrevivem com celular mesozóicos e são felizes. até porque se perdem ou são roubados, vão lá e compram outro na boa sem ficar estressados. se eu perder o meu, será uma grana muito grande levada embora.
    você também pode comprar uns video games que vem com, sei lá, quase todos os jogos da era nintendinho na memória. teremos lá 2 ou 4 botões e um direcional. simples.

    o problema está em nós, que somos consumistas natos.
    queremos o com mais funções, o com melhor gráfico, o que vai impressionar mais nossos amigos quando eles virem.

    gostaria que o mundo pudesse retornar aos caminhos mais simples, mas é uma via sem volta.

    admiro sim os hippies… continuam iguais e sem preocupações.

  14. Manoel Netto comentou:

    Marco,

    Nem sempre o que é simples é melhor. Talvez a simplicidade seja apenas reflexo da sua natureza simplória. O telefone de disco nada mais fazia que ligar e receber ligações. Simples e igualmente simplório. Mais tarde surgiriam os telefones com teclas, memória, transferência de ramais, identificador de chamadas, secretária eletrônica. Tudo fruto da nescessidade do usuário.

    Imagine um DVD simples: colocar e imediatamente assistir ao filme. Massa, simples, porém, nada simples por outro lado: cada combinação de áudio + legenda (isso sem falar do formato do vídeo) teria que vir num disco distinto. Agora imagine você, na locadora, tentando levar pra casa um filme widescreen, com áudio em inglês estéreo (sem Dolby) e com legendas em português. Daí o dono da locadora, em meio a SEIS versões de um mesmo filme, lhe diz decepcionado: infelizmente este está alugado, você não quer levar a versão dublada?

    Às vezes complicar é simplificar.

    Abraço

  15. Ewaldy Marengo comentou:

    Uma coisa que já percebi tanto em gadgets, quanto em softwares, em termos de usabilidade, liberdade e simplicidade são antônimos (pois é, acho que em tudo). Quanto mais opções você tiver, mais complicado tem que ser, essa complicação vem da necessidade que você tem de “explicar” para o aparelho o que você quer que ele faça exatamente.

  16. Alexandre Torres comentou:

    Vocês já viram como é para ligar a TV? Lá em casa é: Pega o controle, aperta TV, ligar, aperta Sky, ligar, aperta TV, aperta o botão da entrada até aparecer Video 1, aperta Sky, e digita o canal.

    Anter era ligar e pronto.

  17. leandro comentou:

    Acredito que é um processo natural, a tecnologia busca a modernização e talves pode se confundir com complexidade, ou, ainda, com complicação. As vezes até a busca por um layout/design mais bonito causa isso.

    Há quem pense que o que é muito simples não é bom. Eu penso justamente o contrário, quanto mais simples, mais minimalista melhor.

    E o exemplo da locadora foi bem furado! sorry.

  18. Alexandre Torres comentou:

    Pessoal, segue uma crônica que escrevi outro dia e que esbarra nesse assunto.

    ————

    Controle remoto

    – Meu celular…
    – O que?
    – Meu celular tá tocando.
    – Pssst. Continua vendo o filme. Vai incomodar o pessoal…
    – É lá de casa.
    – Então atende rápido porque deve ser a babá.
    – Alô?
    – Alô. Seu Paulo?
    – O que foi Cida algum problema com as crianças?
    – Não. Elas já estão dormindo. Até o bebê.
    – Ah! Que bom. Então o que é?
    – Sabe o que é? É que eu quero ver televisão e não estou conseguindo ligar.
    – Não consegue ligar?
    – É. Como eu faço?
    – Pega o controle remoto, aperta TV, ligar, clica no botão da setinha até aparecer vídeo 4, depois Sky, ligar e o canal que quer.
    – Vixi maria, tudo isso para ligar a TV?
    – É Cida, é… é que eu to vendo um filme aqui…
    – Qual controle remoto? Aqui tem quatro.
    – O grande, meio arredondado.
    – Que tem escrito Sony?
    – Não, esse é do som. É o maior.
    – Samsung?
    – Não, esse é do DVD. É o maior de todos, o maior.
    – Ah, tá. Como é mesmo? aperta o que?
    – Tá vendo o botão de ligar? Aperta ele.
    – Não aconteceu nada.
    – Não acendeu a luzinha vermelha na TV?
    – Não.
    – Ai, ai…. Aperta o botão TV e depois ligar.
    – A luzinha acendeu.
    – Agora tem uma setinha meio arredondada mais para o meio do controle. Aperta ela até aparecer vídeo 4 na TV.
    – Vixi… eu só quero ver a novela.
    – Mas é TV a cabo, é assim mesmo. A setinha arredondada…
    – Apertei um troço aqui e o bebê acordou.
    – Cida, é só apertar a setinha…
    – Que setinha, meu-deus-do-céu? Tô apertando tudo que é botão. Ó, o bebê tá chorando mais alto agora.
    – Vai lá no bebê, Cida.
    – Peraí, que to apertando os botões aqui.
    – Mas Cida…
    – Deu certo. O bebê dormiu.
    – Como assim Cida? Pelo amor… e estou no cinema…
    – Deixa prá lá seu Paulo. A novela tá acabando uma hora dessa.
    – Ai, ai. Tá! Tchau.

    —————-

    – Alô?
    – Cida?
    – Seu Paulo? O que o senhor quer uma hora dessa?
    – Desculpa, eu sei que é tarde, mas é que o bebê não quer dormir.
    – Ai, ai… pega o controle remoto.
    – Samsung?
    – Não seu Paulo. O grande!

  19. Lucas Daniel comentou:

    Acredito que tudo isso que você sitou pode também ser comparado a idéia (ou paradigma) de que a tecnologia veio para que pudessemos ter mais tempo para nosso lazer, familia, amigos e etc.
    O que eu sei é que quanto mais tecnologia temos acesso, mais fico no trabalho, mais fico no trânsito, mais fico irritado…
    Até onde isso vai dar é um bom tema para uma outro tópico.
    Abraços