Marco Gomes

Geek, imigrante, nerd, periférico, biker. Founder da boo-box (vendida) e do Heartbit. Consigliere do JovemNerd.

A periferia dá um jeito. Mesmo oprimida e abandonada, a gente sempre é #resistencia

Publicado em 2019-06-24

No DF o Estado coletou dinheiro de impostos e instalou equipamentos para exercícios físicos numa praça que fica em uma área periférica do Gama, que por sua vez é uma periferia a 44 KM de Brasília. Lembrando que no Brasil o peso proporcional dos impostos é maior sobre os mais pobres. Pois bem, exercícios físicos frequentes são cruciais para a boa saúde de uma população, é interessante que o estado incentive a prática de atividade física, boa alimentação etc. Porém:

Área pública com equipamentos para prática de exercícios físicos instalados pelo Estado, barras de ferro em diferentes formatos e disposições. Todos os equipamentos têm roupas penduradas, são usados como cabideiro por empreendedoras e empreendedores da feira local.
Feira dos Goianos, Setor Leste, Gama, DF, 2019-06.

Porém, as empreendedoras e empreendedores da periferia decidiram uma prioridade diferente daquela definida pelo Estado e adaptaram os equipamentos para usá-los como cabideiros na feira da região. Vejo aqui um lindo exemplo de subversão e resistência; orgânico, real, sem discurso no instagram, sem consultor de marketing e negócios, sem MBA na FGV. A periferia deu um jeito com o pouco que está à disposição. Gambiarra daquela bem boa, daquela que me dá orgulho de ter vindo dali.

  • uma pessoa Comunista diria que este erro do Estado poderia ser evitado colocando o poder sob controle da classe trabalhadora. Com participação direta neste Estado, as trabalhadoras e comunidade decidiriam juntxs o que colocar na praça;
  • uma pessoa Liberal diria que, reduzindo os impostos drasticamente, o Estado nem precisaria colocar o equipamento ali, e as trabalhadoras teriam recursos para financiar elas mesmas a instalação de cabideiros mais apropriados;
  • uma pessoa Anarquista diria que o Estado nem deveria existir para definir o que as trabalhadoras precisam na praça, quem decide pelas empreendedoras da venda de roupas naquela feira são elas mesmas num pequeno grupo, não um burocrata a 44 KM de distância;
  • um Capitalista de Compadrio faria lobby junto a políticos para comprar o terreno, construiria um shopping no local e sequestraria a autonomia das empreendedoras, contratando elas como funcionárias por um micro-percentual das vendas que fizessem;
  • os anarcocapitalistas (isso nem existe!) estão jogando LoL, citando frases de Mises, assistindo YouTubers sem preparação e xingando as pessoas de “socialistaaa” na Internet 🤷🏽‍♂️

Sobre o autor

Marco Gomes cresceu no Gama, periferia do DF, e atualmente trabalha como Estrategista de Projetos de Data Science, em Nova York, EUA. Reconhecido em 2014 pela revista Forbes como um dos 30 jovens com menos 30 anos mais promissores do país; Premiado como o Melhor Profissional de Tecnologias de Marketing do Mundo em 2013 pela World Technology Network; fundador da boo-box, apontada como uma das empresas de publicidade mais inovadoras do mundo pela revista FastCompany, vendida em 2015 para a FTPI Digital.

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Um comentário

  1. Leandro comentou:

    Anarquistas e comunistas 100% corretos na análise. Por sinal, qq aconteceu com seu twitter homi?