Xangai, música sertaneja pra homem
Não pare de ler agora, o termo “música sertaneja” acima deve ser levado ao pé da letra, sentido estrito, ou seja, música do sertão da Bahia.
Xangai (mais info) é um sobrevivente, um dos últimos a acreditar no estilo, dotado de uma excelente voz, e bastante habilidoso com o violão, ele acredita na divulgação da cultura pouco divulgada da música de raiz proveniente do interior do país.
Não vou cometer o despautério de compará-lo à outros cantores sertanejos, mas saiba que ele fala da vida no sertão, denunciando a fome, e a péssima distribuição de terras.
- Música:
- Mutirão da Vida
- Artista:
- Xangai
- Álbum:
- Mutirão da Vida
Meus olhos já viram coisa
De cortar o coração
A cara feia da fome
E o povo virando anão
Gente ficando louca
Sem ter água para beber
A fome comendo a fome
A falta do que comer
Note que no trecho acima ele fala inclusive do fenômeno das pessoas que não crescem não por problemas genéticos, como é natural, mas por falta de alimentação, resultado da corrupção, péssima distribuição de terras e falta de apoio ao povo do sertão.
Fala também da cultura do povo sertanejo, seus costumes, festas e conhecimentos.
- Música:
- Gírias do Norte / De Quinze Pra Trás / Sapo no Saco
- Artista:
- Xangai
- Álbum:
- Mutirão da Vida
O Zé do Brejo quando se casariô
Ele me convidariô
Pruma quadrilha eu marcariá
Marcariei uma quadrilha ritimada
Fui até de madrugada
Todo mundo cum seu pariáAlavantuí, chã-de-dama anarrariê
Cantei côco pra valê
Todo mundo cum seu pariá
Esse álbum é de 1984, todo excelente, com ótimas letras e um instrumental impressionante, dirigido por Jaques Morelenbaum.
Meu histórico
Esse cantor tem um sentido especial pra mim, meu pai tinha esse vinil quando eu era criança e eu adorava ouvir. O mais interessante é que eu gostava mesmo, não ouvia pra ser igual meu pai, pois se fosse esse o motivo eu gostaria mais do outro disco, preferido do meu pai. Não era o caso, eu gostava mesmo era do “Mutirão da Vida” (downlad).
Dificuldade de aceitação musical
Este disco também foi personagem de um dos episódios da minha infância em que eu fui forçado a afirmar meu gosto musical bizarro:
Quando eu tinha uns 4 anos, uma amiga, daquelas bem bonitas que você tem vontade de namorar, estava na sala da minha casa, no meio da conversa habitual sobre qual era o desenho mais legal do Xou da Xuxa ela pergunta:
Marco, seu pai tem tantos discos, qual você gosta?
Ah, tem muitos que eu gosto, olha esse aqui
- pegando o vinilzão do Xangai e botando pra tocar.
Hi hi hi, ele fala que nem um roceiro.
- algum tempo depois - Tá bom, coloca outro, esse é muito ruim, ele é rocêro demais.
Tem também esse aqui ó, é do Tracy Chapman
- sim, eu achava que a Tracy era o Tracy, não dava pra saber pela foto da capa - É em inglês, eu gosto de ouvir e ficar tentando entender as palavras
, ouve, ele vai cantar “baby” que é “bêbe” em inglês, e depois love…
Passados uns 30 segundos de Tracy Chapman, ela disse:
Ah não! Você só ouve música ruim! Tá na hora de eu ir embora. Tchau.
Deve ter sido meu primeiro fora.
Confira também os textos abaixo
Postado em Thursday, November 9th, 2006 às 20:49 na categoria article, audio, culture, download, marcogomes, music, society. Existe um feed RSS 2.0 exclusivo para este post. Você ainda pode deixar uma resposta, ou fazer uma referência do seu site.

