Mídias Sociais em Dispositivos Móveis
O que está acontecendo atualmente com o uso de celulares pra produzir e publicar conteúdo? Apresentação preparada para workshop da Nokia Brasil.
nerd veterano, interneteiro profissional, parkouzeiro amador, evangélico aprendiz, fotógrafo iniciante
O que está acontecendo atualmente com o uso de celulares pra produzir e publicar conteúdo? Apresentação preparada para workshop da Nokia Brasil.
“Atividades simples precisam permanecer simples”
A frase é de Jef Raskin, ele disse também que atividades complexas até podem necessitar de interfaces complicadas (isso é discutível), mas não há motivo para complicar atividades simples como ajustar a hora de um relógio, tente no digital e no analógico (de ponteiros) pra entender o que ele diz.
Listo abaixo algumas questões a esse respeito.
Com o Super Nintendo você pegava o cartucho, enfiava no videogame desligado e ligava o aparelho. O jogo aparecia e em poucos segundos você já começava a jogar. O controle tinha 8 botões e um direcional.

Lembra como o SNES era divertidão?
O PlayStation 3 exige que você aguarde por vários minutos a instalação do jogo, às vezes o processo leva horas. Quando a instalação termina e você acha que finalmente vai jogar, pode ser necessário aguardar novamente o download de gigabytes de atualizações.

Alguém achou que a quantidade de botões multiplicaria a diversão.
O processo entre colocar o disco no videogame e jogar pode levar muitas horas, Fernando Mafra reclamou por esperar o download durante dias, culpa da conexão instável com a Internet e a impossibilidade de executar o jogo sem todas as atualizações. O controle tem 11 botões, sendo 2 deles sensíveis à quantidade de pressão aplicada, 1 direcional e 2 manches (joystick analógico).
O X-Box não é muito diferente.
O Wii, pra sorte dos jogadores casuais, não tem muitos dos problemas descritos acima :)
Nos anos 90 você pegava a fita VHS, enfiava no aparelho e o video era executado. Caso precisasse interromper a atividade antes do fim do filme, era possível retirar a fita, que manteria seu estado, e quando colocada novamente em qualquer aparelho de videocassete, retomaria o filme no exato ponto onde foi interrompido. Controle remoto era um conforto opcional, não uma obrigação.
Pro DVD/BluRay é até complicado fazer uma descrição. Você é obrigado a ver avisos anti-pirataria, animações entediantes entre as várias telas do menu, escolher idioma de áudio, sistema stereo ou 5.1 DTS, idioma da legenda. As interfaces não são padronizadas, às vezes é dificílimo levar o cursor pra opção de legenda que você quer, isso quando o cursor não é quase invisível por conta das inúmeras animações acontecendo na tela. O controle remoto é obrigatório.
Havia um disco, você tirava o fone do gancho, girava o disco na sequência de discagem, a ligação acontecia.

Conceito de "público alvo" em seu extremo. Se você treme um pouco ou não enxerga bem, não pode usar este aparelho.
Hoje precisamos desbloquear o aparelho, abrir a aplicação “telefone”, muitas vezes nos digladiar com um touch-screen que nem sempre se comporta como esperamos. Além disso, é preciso ter muito cuidado pra não interromper a ligação ao esbarar num desses microbotõezinhos escondidos em todos os lados do aparelho.
Há inúmeros exemplos parecidos no cotidiano, como automóvel, TV, máquina de lavar, forno, entre outros.
Eu sei que os aparelhos ganharam novas funções, o videogame exibe filmes, o telefone acessa a Internet (epic win), a máquina de lavar enxagua e centrifuga. O ponto é: o que era simples, como falar com alguém, jogar, ver um filme, precisava ficar complicado?
Sempre foi assim? Sempre complicamos coisas que eram simples e eu não percebia?
Estamos ficando mais estúpidos pra projetar as interfaces do dia-a-dia?
Hoje foi publicado um texto meu no Meio & Mensagem impresso, sobre relevância de marcas no Twitter.
Republico aqui a versão que entreguei pro M&M editar.
O Twitter é a rede social do momento. No Brasil, cresceu mais de 450% em um ano e ganha cada vez mais espaço na mídia e nas estratégias de comunicação corporativa. Mas, como uma empresa deve se comportar no microblog? Como conseguir relevância e respeito na meritocracia informal da Internet?
A comparação com um bar é a mais comum entre os brasileiros que são usuários freqüentes de microblogs. O Twitter é como um bar: você precisa chegar, escolher uma mesa, conversar com quem está ali perto de você e mudar de mesa se quiser conversar com outro grupo. Se ficar gritando pro bar todo ouvir, será ignorado e até ridicularizado.
Como numa roda de conversa em um coffee break, você precisa ser educado – não adianta chegar falando, isso pode ser interpretado como arrogância. A melhor estratégia é ouvir antes de se pronunciar: chegue, observe sobre o que é o assunto da vez e contribua de maneira construtiva.
Uma falha muito comum das empresas e celebridades que entram no Twitter é se comportar como se o veículo fosse de mão única, onde só eles falam e as respostas não importam. As redes sociais são vias de mão dupla, cada ação feita por uma entidade é analisada pela comunidade, que dá feedbacks instantâneos. Essas respostas devem ser levadas em consideração pela marca, gerando um diálogo com seus seguidores.
Após escutar bastante e começar a entender qual é o assunto que está sendo comentado, a empresa deve contribuir para a discussão, não ficar fazendo propaganda cega de seus produtos.
Discutir as últimas novidades do seu mercado, inclusive citando outros players, é uma boa maneira de começar com segurança. Fazendo isso, a empresa fala de um assunto que entende, sua própria área, e pode contribuir construtivamente, fomentando a discussão entre seus seguidores.
Muitas pessoas se apoiam na falta de espaço do meio para deixarem de ser educadas. Com 140 caracteres mal dá para escrever uma frase elaborada, por isso, cortesia e moderação são as primeiras coisas a serem esquecidas em um meio tão limitado.
Se um produto, serviço ou mesmo uma afirmação da empresa não estiver de acordo com as expectativas de um consumidor, ele tende a ser muito mais grosseiro do que seria pessoalmente.
A empresa precisa estar preparada para lidar com esse tipo de usuário, pedindo maiores detalhes da queixa, explicando a situação e sabendo pedir desculpas quando necessário. O Twitter é um meio em que empresas e pessoas comuns têm o mesmo espaço: 140 caracteres.
Indivíduos querem falar com outros indivíduos, não deixe seu Twitter ser uma extensão dos famigerados e indesejados atendimentos telefônicos dos anos 90.
Dê um nome e um rosto à pessoa que cuida do Twitter da empresa Uma boa maneira é usar o nome do CEO ou do responsável pelo atendimento a clientes.
@comscorecares, o twitter da Comscore, usa o nome de Frank Eliason, Senior Director da corporação, para se comunicar com seus clientes.
Como todos nós, famosos também erram, e, num meio de alta exposição como o twitter, há mais probabilidade dos erros serem públicos. Esses equívocos podem ser associados à sua marca.
Se você associa sua marca a uma personalidade e ele posta no Twitter uma opinião polêmica, sua marca pode ser impactada pela repercussão negativa. É muito comum vermos celebridades se atrapalhando ao fazer declarações homofóbicas, racistas, xenofóbicas, de cunho político ou religioso.
Aumente as chances de receber feedback abrindo canais de comunicação direta com quem te segue e siga-os de volta. Esse tipo de comportamento não é recomendado para perfis pessoais, por demonstrar uma necessidade de popularidade. Porém, para empresas e outras instituições, essa conduta é aceitável.
Ferramentas como o SocialToo te ajudam a manter a reciprocidade no Twitter: sempre que alguém começar a te seguir ele vai seguir a pessoa de volta.
Um perfil não deve seguir muito mais gente do que é seguido – uma diferença muito grande entre o número de pessoas que o perfil segue versus seus seguidores alerta o sistema antispam do Twitter que pode, inclusive, suspender a conta.
Para centralizar assuntos, a comunidade criou as hashtags (palavras precedidas pelo símbolo #). Essa “regra” ou notação foi inspirada em outros meios, como IRC e chats. O uso de hashtags ajuda a comunidade a discutir assuntos de interesse comum, e agrega temáticas aos twitts, como #forasarney, #fail, #followfriday.
As hashtags são um recurso muito importante no Twitter e outros ambientes sociais. É importante saber usá-las a seu favor, tomando cuidado para ser relevante sem parecer ridículo.
Uma das atitudes mais rejeitadas pela comunidade é a criação excessiva de hashtags. “#umapracadatwitt” , é como pedir desesperadamente pra ter atenção, é patético, você não vai querer isso para a sua empresa.
Mais uma vez, vale a regra do início: antes de escrever, observe e aprenda como a comunidade se comporta. Usar um recurso poderoso com as hashtags de maneira errada pode gerar atrito com seu círculo social, queimando o capital social que poderia ser adquirido.
Por muitas vezes, nos deparamos com o uso inadequado das hashtags, em mensagens que usam # no início de cada twitt, sem designar assunto ou agregar valor na discussão sobre os temas apresentados.
Recebi por e-mail um exemplo de uso inadequado das hashtags, veja o início do texto:
#Olá, MARCO GOMES, tudo bem?
#Sabemos que o brasileiro é o povo que passa mais tempo conectado à web, chegando à média de 24 horas mensais. [...]
O texto acima usa # no início de cada frase, sem designar assunto ou agregar valor na discussão sobre os temas apresentados, deixando claro que se trata de uma tentativa desesperada do redator em parecer moderno e antenado. Deu errado. Seria muito mias digno escrever normalmente e usar as hashtags apenas após entender como elas funcionam.
O Twitter, assim como outras redes sociais, tirou o controle da informação das instituições mais poderosas. A informação deixa de estar em um monopólio, tornando-se social. Como em toda relação social, você deve escutar antes de se pronunciar, responder educadamente seus pares, entender a meritocracia informal da Internet, ser interessante e relevante.
Como vendi R$: 2200,00 em poucas horas, com apenas 1 twitt e sem ter dezenas de milhares de seguidores.
Você pode conseguir também, usando o AdBird pra anunciar produtos no seu Twitter, clique aqui.
O Twitter é uma ótima ferramenta para viralizar conteúdo e conseguir participação de usuários. Talvez pelo perfil dos early adopters, que ainda são maioria dos usuários ativos do Brasil e estão mais dispostos a participar e colaborar online.
Eu tinha pouco mais de 3600 seguidores na época que fiz esta experiência, boa parte deles se interessava por itens de cultura nerd e geek, como eletrônicos, Star Wars, quadrinhos, fantasia medieval
.
No fim de uma noite postei no meu Twitter a mensagem abaixo:
Algumas horas após ser publicada, esta mensagem teve dezenas de retwitts, vendeu 81 kits com a coleção completa e gerou mais de R$: 2.200,00 de faturamento para o e-commerce. E as vendas continuaram nas horas posteriores.
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Por que houve esse sucesso instantâneo, como replicá-lo em outras mensagens e conseguir este nível de engajamento e participação com seus seguidores?
O blog Pitacos fez um resumo das minhas dicas pro Twitter, pode ser interessante se você prefere ler uma versão mais concisa :) Abaixo segue minha versão completa.
Colocar o link no início do twitt ajuda a preservá-lo caso sua mensagem seja cortada ao ganhar vida nos retwitts da comunidade. Se alguém corta um pedaço da sua frase, mas mantém o link intocado, os usuários ainda podem ver a página que está sendo divulgada, por outro lado, um link cortado pela metade levará o usuário a uma página com erro, gerando frustração.
Linkar é importante, se você pretende divulgar algo no twitter, dificilmente seu conteúdo irá caber, com detalhes, em 140 caracteres. É importante haver uma página na Web com mais informações, pode ser um post de blog, vídeo, imagem ou texto no Write4Net.
Após criar seu link, encurte-o, existem inúmeras ferramentas pra isso, como migre.me, bit.ly, j.mp, tinyurl.
Após colocar seu link no início da mensagem, descreva o que o usuário irá encontrar. Twitts que são apenas endereços soltos geram frustração e desconfiança, uma simples descrição do conteúdo do link resolve este problema.
O retwitt, ou rt, é a pólvora da viralização no twitter. Potencialize a viralização criando twitts curtos.
Crie uma mensagem mais curta que os 140 caracteres máximos do twitter. “rt @marcogomes : ” tem 17 caracteres, portanto, eu procuro sempre tuitar em 120 caracteres ou menos, deixando espaço para as pessoas retuitarem.
Menos é mais, inclusive em plataformas já ‘mínimas’ como o twitter, se você puder tuitar com apenas um link e duas palávras, ótimo :) Deixe espaço pros seus seguidores complementarem sua mensagem com a opinião deles.
É muito comum encontrar twitts onde o que está antes de “rt” é uma opinião de quem está retuitando:
Veremos Superpato vs Wolverine RT: @marcogomes: http://migre.me/698B Disney COMPRA Marvel por $4 BILHÕES!
(por @hdiener)
Seja significativo nas duas primeiras palavras do seu twitt, evite começar com “como”, “ontem fui”, “acabo de ver”, “só pra avisar que”, “eu acho que”, “amanhã tem”. Começar sendo significativo, logo após do link, vai aumentar sua chance de ter atenção.
Usuários enxergam 2 palavras em itens que estejam listados; eles vão enxergar um pouco mais se as palavras seguintes forem curtas, e somente a primeira palavra se forem longas.
(por Jakob Nielsen)
Colocar caixa alta em palavras que mereçam destaque no meio do texto pode ajudar.
Não coloque tudo em caixa alta, a massa de caracteres gritantes vai ser ignorada inconscientemente pelo usuário, como comprovado por Nielsen em Fancy Formatting, Fancy Words = Looks Like a Promotion = Ignored.
Recomendo usar caixa alta em nomes de cidades, políticos, celebridades e pessoas públicas, empresas muito conhecidas, e todo tipo de entidade pública/famosa.
Não caia na tentação de colocar caixa alta pra afirmar sua opinião, como em “NÃO”, “SABIDAMENTE”, “ROUBO”. Você só vai poluir a mensagem e passar uma idéia de spammer parecida com a de colocar tudo em caixa alta.
Coloque o máximo de informação possível no seu twitt, facilitando a decisão “devo clicar neste link?”, lembre-se de deixar espaços pra retwitt, conforme disse acima.
Se for um evento, coloque cidade, dia, hora, local. Esta é a melhor ordem, pois caso o evento seja interessante, a pessoa primeiro vai avaliar se o evento é em sua cidade, depois verificar o dia e hora, por último vericar o local exato.
Pra conteúdos, descreva o tema, se possível coloque o autor e destaque uma opinião importante sobre o assunto.
Associar uma hashtag ao seu conteúdo pode ajudar usuários a prolongarem a discussão sobre o tema, fora do retwitt. A hashtag também vai facilitar seu trabalho de verificar o que foi escrito sobre o tema.
Pra quem veio do orkut, as hashtags são como os tópicos de discussão em uma comunidade. Hashtags são palavras precedidas de #, como #fail ou #apagao, e foram criadas pra agrupar assuntos postados por diferentes usuários.
Suas chances de ser retuitado aumentarão se você pedir gentilmente.
Adicionar rt pls, abreviação de retwitt please, no fim da sua mensagem vai virar a chavinha do “ajude um amigo” em alguns de seus seguidores, eles vão retuitar só pelo prazer de te ajudar e ganhar algum whuffie no processo :)
Repita sua mensagem durante o dia, dificilmente um usuário ativo irá vê-la mais de uma vez mesmo que você a repita 10 vezes em 24 horas. A velocidade do Twitter te protege de ser visto como um spammer, desde que você se comporte com moderação, claro :)
Decaimento da taxa de clique: Tempo no Twitter passa 10 vezes mais rápido que no e-mail.
(por Jakob Nielsen)
No Twitter sua mensagem vai envelhecer muito mais rapidamente que em qualquer outro meio, a partir do momento que ela sair da timeline inicial de quem te segue, seu twitt estará morto. Usuários ativos do serviço de microblog costumam seguir entre 100 e 500 pessoas, levando isso em consideração, seu twitt morrerá em alguns minutos.
O objetivo desse texto não é ensinar um usuário a ganhar relevância no twitter, só quis listar algumas boas práticas pra redigir um twitt eficiente, em menos de 140 caracteres.
É importante salientar que ser um usuário ativo e respeitado é muito mais que ficar tuitando uma única mensagem repetidamente. Você deve escutar antes de falar, responder seus seguidores, respeitar a meritocracia informal da Internet, ser interessante e relevante.
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